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Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, fundadores da Kalshi | Foto: Divulgação
Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, fundadores da Kalshi | Foto: Divulgação

Investidores brasileiros que já enjoaram de torcer contra a inflação e de rezar para o Copom cortar os juros agora têm uma nova opção: ganhar dinheiro apostando se esses indicadores vão subir ou cair. A Kalshi, plataforma norte-americana de mercados de previsão, anunciou uma parceria com a XP para oferecer contratos do tipo “sim ou não” atrelados a eventos da economia brasileira, como variações na inflação e nas taxas de juros.

A novidade estará disponível inicialmente para clientes da Clear Corretora, uma das marcas da XP, que possuam conta internacional. A informação foi obtida com exclusividade pela Bloomberg. Os produtos serão listados por meio da corretora da empresa nos Estados Unidos — o que significa que, por ora, investidores americanos da Kalshi e uma parcela dos usuários brasileiros da XP poderão acessar os contratos.

Lançada em 2018, a Kalshi foi fundada por Tarek Mansour e pela brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, que recentemente ficou conhecida por ser a bilionária mais jovem do mundo, sem ser herdeira. A plataforma funciona como um mercado de previsões sobre eventos do mundo real, como resultados de eleições, o preço do barril do petróleo, e até mesmo assuntos relacionados a esporte e cultura, como qual ator vai ganhar o Oscar.

A chegada ao Brasil representa o ponto de partida para os planos de expansão global da plataforma. A startup havia sinalizado no ano passado que pretende se expandir para mais de 140 países. Em entrevista à Bloomberg, Luana compara o potencial do mercado brasileiro com o do mercado norte-americano há alguns anos atrás, mas ressalta que o crescimento por aqui ocorrerá mais rápido, já que o modelo do negócio já está comprovado nos EUA.

Para a XP, a parceria faz sentido dentro de uma estratégia maior de diversificação. A maior corretora do Brasil fechou 2024 com 4,8 milhões de clientes ativos, mas viu sua principal alavanca histórica — a negociação de ações — perder fôlego num ciclo prolongado de juros altos. Entrar cedo nesse mercado é estratégico para a companhia, que vê nesse movimento a chance de “se manter disruptiva e inovadora”.

O Brasil ainda não tem regulamentação específica para esse tipo de instrumento, mas o movimento já está em curso. O Ministério da Fazenda sinalizou que acompanha o tema e iniciou conversas preliminares. A B3 também planeja entrar no segmento, segundo o Valor Econômico.

Nos Estados Unidos, a Kalshi é regulada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A plataforma opera como um Designated Contract Market (DCM) — ou seja, uma bolsa reconhecida pela CFTC para negociar swaps, futuros e opções sob o Commodity Exchange Act. Esse modelo permite a participação tanto de investidores institucionais quanto de pessoas físicas.

Ano de eleição

A chegada ao país acontece em um ano eleitoral que promete trazer, novamente, uma divisão forte entre direita e esquerda. Em outubro, brasileiros vão votar para escolher o próximo presidente, além de senadores, deputados federais e estaduais, e governadores. Apesar de previsões políticas não estarem incluídas nos planos anunciados neste momento pela Kalshi no Brasil, esse é um segmento que tem ganhado força no exterior.

Nas últimas eleições dos Estados Unidos, plataformas como Kalshi e Polymarket registraram crescimento significativo no número de usuários e volume de apostas. Segundo dados das duas exchanges, ambas negociadas em criptomoedas, mais de US$ 4 bilhões em apostas foram feitas em vários contratos relacionados ao resultado da eleição presidencial dos EUA na Polymarket, e mais de US$ 500 milhões foram registrados na Kalshi.

Polymarket teve uma vantagem significativa sobre a Kalshi durante a corrida eleitoral, pois foi somente no início de outubro que um juiz federal liberou a Kalshi para disponibilizar contratos de apostas vinculados às eleições para cidadãos norte-americanos.

O post Kalshi e XP fazem parceria para trazer bolsa de previsões ao Brasil apareceu primeiro em Startups.