
Depois de vender a LinkAPI para a Semantix e assumir como CTO da companhia após a aquisição, o empreendedor Thiago Lima acaba de lançar uma nova empreitada – desta vez no mercado de saúde e bem-estar. A plataforma Gauss Health utiliza inteligência artificial para analisar exames de sangue e recomendar protocolos personalizados de suplementação, com foco em longevidade, emagrecimento e aumento de performance física ou cognitiva.
Segundo Thiago, a proposta é cruzar biomarcadores, dados de estilo de vida e informações de saúde para gerar recomendações individualizadas. A partir disso, os suplementos são formulados especificamente para cada usuário. “A lógica do mercado é a mesma para todo mundo. Você entra numa farmácia e encontra dosagens padrão que muitas vezes nem fazem sentido para o seu organismo. A gente inverte isso: primeiro entende o corpo da pessoa, depois cria o produto”, diz o empreendedor.
Antes do lançamento público, na última semana, a tecnologia da Gauss passou por uma fase de testes com pacientes atendidos pelo médico Thiago Ferraz, cofundador e diretor médico da startup. Segundo a empresa, o modelo foi validado inicialmente em formato de “concierge”, com análise manual de dados e geração de protocolos personalizados. Entre os primeiros usuários estão atletas e figuras do esporte, incluindo o ex-jogador da seleção brasileira Zé Roberto e o jogador do Corinthians André Carrillo.
Agora, a startup começa a liberar acessos de forma gradual para os primeiros inscritos na lista de espera, que já ultrapassa 2 mil pessoas. O primeiro lote deve contemplar cerca de 500 usuários, seguido por novas liberações nas semanas seguintes.
IA na saúde
Na plataforma da Gauss, o usuário importa exames de sangue recentes – preferencialmente realizados nos últimos seis meses. A inteligência artificial analisa os biomarcadores, cruza essas informações com dados de estilo de vida e faz perguntas adicionais para entender hábitos, rotina e objetivos de saúde. A partir dessa análise, a tecnologia sugere um protocolo de suplementação customizado, com dosagens específicas para cada ativo e indivíduo.
Apesar do uso intensivo de tecnologia, Thiago afirma que existe uma etapa obrigatória de validação clínica. Toda recomendação gerada pela IA passa pela revisão de uma equipe médica antes de seguir para produção. “Não é permitido que uma tecnologia faça esse tipo de recomendação de forma totalmente autônoma. A IA otimiza o fluxo de análise, mas a validação médica continua sendo essencial”, explica o fundador.
Além da análise inicial e da definição do protocolo, a empresa acompanha a evolução do usuário ao longo do tempo. A plataforma cruza novos exames de sangue com dados de dispositivos de saúde, como smartwatches, para monitorar mudanças nos biomarcadores e ajustar as recomendações de suplementação conforme os indicadores evoluem.
A manipulação dos suplementos é feita por farmácias parceiras, que produzem as fórmulas sob a marca da Gauss e enviam diretamente ao cliente.
Modelo de negócio
O serviço da Gauss funciona em formato de assinatura. A análise inicial feita pela IA é gratuita, mas o usuário paga caso queira contratar o protocolo personalizado e receber os suplementos.
A companhia mira uma tendência já consolidada no mercado norte-americano, onde empresas como Function Health, que captou um total de US$ 350 milhões até novembro de 2025, e Superpower Health, que levantou US$ 34 milhões até abril do mesmo ano, oferecem análises de saúde baseadas em biomarcadores e dados de pacientes.
Segundo o fundador da Gauss, a ideia é aplicar essa lógica ao mercado brasileiro e modernizar um setor que ainda opera de forma regionalizada e pouco digitalizada. “A indústria de farmácia de manipulação é muito arcaica e pouco tecnológica. A gente quer ser meio que o Nubank desse setor”, diz Thiago, em referência à proposta de melhorar a experiência do usuário e digitalizar um mercado ainda pouco tecnológico.
Até agora, a startup foi financiada com cerca de R$ 250 mil de investimento próprio dos sócios. Uma rodada com investidores externos está sendo planejada para o segundo semestre.
A meta inicial é chegar a 100 clientes pagantes no primeiro mês, número que a startup considera suficiente para validar o modelo de recorrência. “O protocolo pode mudar ao longo do tempo, conforme os dados de saúde evoluem, mas o produto é recorrente. ”, afirma Thiago.
Do esporte ao empreendedorismo
A ideia da startup nasceu da própria rotina de Thiago Lima. Triatleta e participante de provas de Ironman, ele já vinha trabalhando com análise de dados voltada para performance esportiva. “Sempre fui uma pessoa muito orientada a dados. Comecei a cruzar informações de performance, nutrição e exames para fazer previsões. Isso acabou evoluindo para um projeto mais estruturado”, conta.
Antes da Gauss, o empreendedor construiu uma trajetória longa no ecossistema de tecnologia. Começou a programar aos 12 anos e fundou a primeira empresa aos 17, vendida três anos depois. Após uma breve passagem como atleta profissional, voltou ao setor tech e fez carreira na consultoria FCamara, onde se tornou sócio e diretor de tecnologia.
Em 2017, fundou a LinkAPI, plataforma de integração e gestão de APIs que chegou a operar em mais de 15 países e teve clientes como Samsung e iFood. A empresa foi adquirida pela Semantix em 2021, movimento que levou Thiago ao cargo de CTO da companhia até depois do IPO, em 2022.
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