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Bandeiras da Ucrânia e da Rússia hasteadas lado a lado contra um céu nublado, simbolizando o contraste entre os dois países no cenário atual de tensões geopolíticas e conflitos. A imagem reflete um momento de incertezas e desafios globais na guerra, que agora usa robôs armados

A guerra na Ucrânia tem se consolidado como um dos conflitos mais tecnológicos da história recente. Desde o início da invasão em larga escala pela Rússia, em 2022, drones aéreos, embarcações não tripuladas e sistemas digitais passaram a desempenhar papel central nas operações militares. Agora, uma nova frente de inovação militar começa a ganhar protagonismo: robôs armados que operam em terra.

Conhecidos como veículos terrestres não tripulados (UGVs, na sigla em inglês), esses sistemas robóticos já estão sendo utilizados pelo exército ucraniano em diversas missões no campo de batalha. Além de transportar equipamentos, suprimentos e evacuar feridos, muitos desses robôs passaram a ser equipados com armamentos e usados diretamente em confrontos.

Segundo reportagem da BBC, unidades militares da Ucrânia relatam que esses veículos já participaram de ações ofensivas e defensivas contra tropas russas. Há registros de ataques conduzidos por robôs armados com metralhadoras e até de situações em que soldados inimigos teriam se rendido após serem cercados por esses equipamentos controlados remotamente.

Alguns batalhões especializados passaram a operar essas máquinas de forma sistemática. Um exemplo é a brigada K2, do exército ucraniano, que afirma ter criado uma unidade dedicada exclusivamente ao uso de robôs terrestres. Nesses sistemas, armamentos como metralhadoras do tipo Kalashnikov são instalados na estrutura do veículo, permitindo disparos à distância em áreas consideradas perigosas para soldados.

Robôs em regiões arriscadas

De acordo com militares envolvidos no programa, os robôs podem avançar em regiões em que a presença humana seria arriscada demais. Diferentemente de drones aéreos, muitos desses veículos se movem quase silenciosamente, o que reduz a possibilidade de alerta antecipado para o inimigo.

Além das plataformas equipadas com armas automáticas, o exército ucraniano também tem utilizado robôs terrestres carregados com explosivos para destruir posições inimigas. Esses equipamentos funcionam como dispositivos kamikaze controlados remotamente e são enviados até abrigos, trincheiras ou veículos militares antes da detonação.

Apesar do avanço tecnológico, os sistemas ainda operam sob supervisão humana. Oficiais militares afirmam que a decisão final de abrir fogo continua sendo tomada por operadores. Isso ocorre tanto por limitações tecnológicas quanto por preocupações relacionadas à ética e ao direito humanitário internacional.

Especialistas apontam que robôs podem cometer erros de identificação, confundindo combatentes com civis ou avaliando de forma equivocada o contexto de um alvo. Por essa razão, a maioria das plataformas é controlada à distância por operadores que monitoram imagens transmitidas pelas câmeras instaladas nos veículos.

Outro uso relevante desses sistemas é o apoio logístico. A maior parte dos veículos terrestres não tripulados ainda é utilizada para transportar equipamentos, munições e suprimentos até posições avançadas ou retirar soldados feridos do campo de batalha.

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A expansão dessas tecnologias ocorre em meio a um cenário de escassez de soldados na Ucrânia. O país enfrenta dificuldades para substituir combatentes mortos ou feridos, o que tem acelerado a adoção de soluções automatizadas capazes de reduzir riscos para as tropas.

Novo normal?

Para líderes militares ucranianos, os robôs devem se tornar cada vez mais comuns nas operações de combate. O ex-comandante das forças armadas do país, Valerii Zaluzhnyi, afirmou recentemente que o futuro da guerra incluirá operações coordenadas entre diferentes tipos de sistemas autônomos.

Nesse cenário, drones aéreos, robôs terrestres e embarcações não tripuladas poderão atuar em conjunto em ataques simultâneos. A expectativa é que grandes grupos de equipamentos controlados por inteligência artificial (IA) sejam capazes de operar de forma coordenada a partir de diferentes direções.

A Rússia também tem desenvolvido tecnologias semelhantes. Segundo relatos da mídia local, forças russas já utilizam veículos robóticos equipados com metralhadoras pesadas, lança-chamas e sistemas de explosivos. Entre eles está um modelo conhecido como Kuryer, que pode operar por várias horas de forma autônoma.

Empresas de defesa da Ucrânia afirmam que a produção desses equipamentos vem crescendo rapidamente. Fabricantes locais relatam ter entregue centenas de robôs de combate ao exército nos últimos anos e esperam um aumento expressivo da demanda.

Uma das companhias do setor estima que o número de veículos produzidos possa chegar a dezenas de milhares por ano nos próximos ciclos de produção, com parte deles equipada com armamentos.

Especialistas avaliam que, à medida que essas tecnologias evoluem e se multiplicam, confrontos diretos entre robôs militares de diferentes países podem se tornar cada vez mais frequentes nos campos de batalha modernos.

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