
A edtech carioca Jovens Gênios anunciou uma rodada seed de R$ 11,8 milhões com o objetivo de usar tecnologia para melhorar os processos de aprendizagem de alunos, especialmente do ensino básico. Liderada pelo Fundo GovTech, cogerido pela KPTL e pela Cedro Capital, a captação contou ainda com o participação da DOMO.VC e da Criabiz Ventures, que já eram investidores da empresa, além da Rosey Ventures, braço de corporate venture capital do Grupo Marista.
Entre os investidores que já apostaram na startup também estão a Faber-Castell, além de grupos como Editora Edebê, Rede Salesiana Brasil e Fundação Bradesco.
Fundada em 2018 por Bernard Caffé e Fernando Costa, a Jovens Gênios combina inteligência artificial e gamificação para personalizar o aprendizado de alunos de escolas públicas e privadas. A plataforma cobre hoje 14 componentes curriculares e extracurriculares — de português e matemática a pensamento computacional, por exemplo — e atende quase 2 milhões de estudantes em mais de 5 mil escolas, distribuídas por todos os estados brasileiros.
Com a rodada, a meta é chegar a 10 milhões de estudantes até 2030. Atualmente, 83% dos alunos da plataforma estão em escolas públicas. “Em 2021 começamos a vender para o setor público, e hoje somos 90% govtech. Atendemos ao estado de São Paulo e mais de 50 municípios. Nosso foco é aumentar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dessas cidades”, afirma Bernard, em entrevista ao Startups.
A origem da empresa tem um pé na sala de aula. Bernard começou a dar aulas aos 16 anos enquanto fazia curso técnico de Química. Antes de fundar a Jovens Gênios, passou dois anos na Alemanha pelo programa Ciências sem Fronteiras, quando estudava Engenharia Química na UFRJ, percorrendo mais de 20 países para estudar metodologias ativas de aprendizagem. Quando voltou, a decisão estava tomada. “Tinha certeza que queria empreender com educação. Não queria mais ser engenheiro químico”, conta o CEO.
O sócio chegou por um caminho diferente. Fernando Costa, autodidata, havia criado uma plataforma para corrigir exercícios dos próprios alunos de reforço. Os dois já se conheciam da faculdade — Fernando era calouro de Bernard — e se reencontraram na empresa júnior do curso. Hoje, Fernando cursa doutorado em IA aplicada ao processo de aprendizagem.
Reestruturação societária
A plataforma organiza o conteúdo em planetas temáticos — música, esportes, artes — por onde os alunos progridem de forma autônoma. Professores e gestores engajados também recebem incentivos, que incluem viagens e experiências educativas.
“A princípio, a plataforma trazia uma jornada mais divertida e personalizada no reforço a matemática nos anos finais do ensino básico. Hoje, a plataforma é mais completa, atuando desde a alfabetização até o Ensino Médio profissionalizante”, explica Bernard.
Parte relevante dos recursos da rodada irá para a reestruturação societária da empresa, o que inclui a saída de alguns dos investidores anteriores. O restante será destinado à aceleração comercial e a uma migração de banco de dados, com mudanças na infraestrutura para aumentar escalabilidade e desempenho da plataforma.
A Jovens Gênios tem quase 100 funcionários, a maioria baseada no Rio de Janeiro. Há também times de produto em home office e uma operação de campo espalhada pelo Brasil — necessária porque a empresa oferece formação de professores, consultoria pedagógica e eventos presenciais para as redes parceiras.
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