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Scott Galloway, ia, dependência

Durante uma gravação ao vivo do podcast Pivot no SXSW 2026, em Austin, nos Estados Unidos, o professor de marketing da NYU, Scott Galloway, apresentou uma leitura incômoda sobre o momento atual da tecnologia.

Para ele, a combinação entre plataformas digitais, inteligência artificial (IA) e novos modelos de monetização on-line está cruzando agora uma nova fronteira de comportamentos sociais, política e até a saúde mental das pessoas. “Estamos construindo uma economia inteira baseada em dopamina”, afirmou.

Segundo Galloway, boa parte das empresas digitais mais valiosas do mundo opera em modelos que maximizam engajamento e dependência, seja por meio de redes sociais, apostas on-line, pornografia ou criptomoedas. O resultado, diz ele, é um ambiente em que tecnologia não apenas organiza informação, mas reprograma comportamentos humanos em escala.

A própria inteligência artificial já começa a ser usada para monitorar distorções em mercados digitais. Durante a conversa, foi citado o uso de IA para identificar manipulações em mercados de apostas e previsões, tendência que cresce conforme plataformas financeiras e de apostas se tornam cada vez mais automatizadas.

A ironia, segundo Galloway, é que muitas dessas iniciativas vêm das próprias empresas que operam esses mercados. “Se a IA vai monitorar manipulação, a pergunta é: quem está monitorando quem?”, provocou.

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Bilionários, política e tecnologia

Outro levantado na conversa foi o papel crescente de grandes fortunas na política norte-americana. Segundo dados citados na conversa, bilionários responderam por cerca de 19% das doações registradas nas eleições federais de 2024, um salto expressivo em relação a décadas anteriores.

Para Galloway, esse fenômeno também está diretamente conectado ao setor de tecnologia. Grande parte das novas fortunas políticas vem justamente do ecossistema digital. “A influência política de uma pequena elite econômica nunca foi tão visível.” Ele defende mudanças estruturais, como reforma eleitoral e limites mais claros para financiamento político.

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