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Sede da Atlassian em Sydney | Foto: Shutterstock
Sede da Atlassian em Sydney | Foto: Shutterstock

Já virou tendência. Depois de nomes como Block, Google e, no Brasil, Stone, é a vez da Atlassian – uma das maiores empresas de software corporativo do mundo – anunciar demissões em massa com IA no centro da justificativa. Na última sexta-feira (14), a companhia australiana confirmou o corte de 10% do quadro global, o equivalente a cerca de 1,6 mil funcionários.

Segundo a dona de aplicações como Trello e Jira, a decisão traz um “reequilíbrio” de recursos para focar no “futuro do trabalho em equipe na era da IA.” Em outras palavras, a empresa que vende ferramentas de colaboração decidiu que colaborar com menos gente é mais eficiente.

A distribuição dos cortes segue uma lógica geográfica clara. Quarenta por cento das demissões – cerca de 600 pessoas – virão da América do Norte. Austrália responde por outros 30% e Índia por 16%.

O CEO Mike Cannon-Brookes fez questão de deixar claro que a empresa não adota a filosofia de que a IA substituiria pessoas, mas complementou a frase com uma ressalva peculiar. Segundo ele, a IA muda, sim, o mix de habilidades necessárias e o número de postos em determinadas áreas.

A Atlassian é apenas mais uma na fila de empresas que estão eliminando postos de trabalho para reduzir custos e ganhar eficiência a partir do uso de IA. No fim do mês passado, Jack Dorsey, fundador do Twitter e CEO da Block, anunciou o corte de 4.000 funcionários, 40% do quadro global da fintech.

Dorsey disse que a IA mudou “fundamentalmente” o que significa construir e operar uma empresa, criando um novo modelo de trabalho com equipes menores. Antes do anúncio, funcionários já reclamavam de pressão interna para usar IA ao máximo no dia a dia.

No Brasil, a Stone levantou discussões na semana passada ao demitir cerca de 370 colaboradores, com grande parte desse número saindo de seu time de tecnologia, alegando que seria um bom momento para apostar mais em IA. Segundo apurou o Startups junto a fontes próximas da Stone, cerca de 20% do time tech da fintech foi dispensado.

O caso gerou repercussão a ponto da Justiça do Trabalho determinar a reintegração dos colaboradores, alegando que o processo de demissão em massa não foi negociado previamente com o sindicato da categoria.

Aliás, na Austrália parece que o cenário se repete. O sindicato que representa os trabalhadores da Atlassian no país registrou o que chamou de caráter insultuoso da decisão: os funcionários não foram consultados nem avisados sobre uma possível reestruturação.

“São profissionais experientes que ajudaram a construir uma das empresas de tecnologia mais bem-sucedidas da Austrália”, afirmou Paul Inglis, diretor do Professionals Australia, à Reuters. “Merecem respeito, transparência e consulta adequada”.

O post Virou tendência: Atlassian demite 1.600 para investir mais em IA apareceu primeiro em Startups.