
Em meio à avalanche de debates sobre inteligência artificial (IA) no SXSW 2026, em Austin, nos Estados Unidos, uma das futuristas mais influentes do mundo abriu sua apresentação com um aviso: quem escolher ignorar a IA pode simplesmente desaparecer do jogo.
Faith Popcorn, fundadora da consultoria BrainReserve e conhecida por prever tendências de consumo décadas antes de se tornarem realidade, afirmou que muitas empresas ainda tratam a inteligência artificial como uma moda passageira, um erro que, segundo ela, pode custar caro. “Se alguém diz ‘não gosto de IA, não vou usar’, isso é uma sentença de morte”, afirmou. “Diga adeus à sua carreira, ao seu dinheiro, a tudo.”
Para Faith, o maior equívoco do mercado é tentar analisar a IA com uma lógica de curto prazo. A tecnologia, argumenta, precisa ser entendida como uma transformação de décadas. “A IA ainda está no jardim de infância. É um bebê. Estamos julgando um sistema de um ano como se ele fosse um adulto”, comparou ela.
Apesar do tom crítico, ela não vê a tecnologia apenas como ameaça. Para ela, a inteligência artificial pode funcionar como uma espécie de “companheira intelectual”, capaz de apoiar processos criativos e decisões.
Mas a visão veio com um alerta. “Ela pode ser muito útil, mas também pode estar errada. E não acredite nos elogios da IA. Ela é como um namorado ruim, sempre dizendo como você é maravilhoso.” A provocação, segundo ela, serve para lembrar que líderes precisam desenvolver pensamento crítico ao usar sistemas automatizados.
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Futuro do consumo pode não ter humanos
Um dos momentos mais provocativos da conversa ocorreu quando a futurista sugeriu que, no futuro, o consumidor talvez nem seja mais uma pessoa. Segundo ela, agentes digitais pessoais, que conhecem profundamente o comportamento do usuário, poderão tomar decisões de compra no lugar dos consumidores.
“Seu bot vai saber tudo sobre você. Ele vai decidir o que você compra.” Nesse cenário, a lógica de mercado mudaria completamente. Imagine entrar em um supermercado e seu celular avisar: “Essa marca não tem mulheres no conselho. Usa pesticidas. Não compre.” Nesse modelo, o verdadeiro cliente não seria mais o humano, mas o algoritmo que o representa.
Faith também levantou a hipóterese de que cargos de liderança sejam ocupados por sistemas de inteligência artificial. “Quando tivermos um CEO de IA, ele não representará apenas uma pessoa. Ele poderá representar 20 mil CEOs.”
Segundo ela, conselhos administrativos também podem mudar radicalmente. “Em vez de dez homens sentados numa sala, você pode ter meio milhão de mentes analisando decisões.”
Maior erro das empresas: viver no passado
Apesar de falar sobre o futuro, Faith dedicou boa parte da apresentação a criticar o comportamento das grandes corporações hoje. Na visão da futurista, muitas empresas não inovam porque têm medo de questionar o próprio modelo de negócio. “Grandes empresas não conseguem se hackear. Elas vivem no passado porque é confortável”, afirmou.
Por isso, diz ela, as organizações que realmente inovam costumam nascer fora das estruturas tradicionais. “Se sua empresa não tem uma ‘garagem’ para experimentar ideias, você deveria criar uma imediatamente.” A referência remete às histórias clássicas do Vale do Silício, como Apple e HP, que nasceram em garagens.
É só o começo da IA
No final do painel, Faith trouxe uma reflexão mais sombria sobre o impacto da tecnologia na sociedade.
Para ela, a humanidade está entrando em um período que chamou de “substituição humana”. “Estamos vendo o começo da substituição de humanos por sistemas inteligentes.” Ainda assim, ela insiste que o momento também abre oportunidades inéditas, especialmente para quem entender como usar a tecnologia.
Um exemplo citado foi o empreendedorismo. “É possível criar uma empresa inteira com agentes de IA. Um agente para marketing, outro para criação, outro para vendas”, contou.
Segundo ela, quem compreender esse movimento cedo pode construir negócios inteiros praticamente sozinho. “Você pode ganhar muito dinheiro se entender o que está vindo”, sugeriu.
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