
Em 2024, a taxa de inovação das empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas no Brasil foi de 64,4%, terceira queda consecutiva e a menor taxa desde 2021 (70,5%). O índice é 0,2 ponto percentual inferior ao verificado em 2023 (64,6%) e refere-se às companhias que introduziram algum produto novo ou substancialmente aprimorado e/ou incorporaram algum processo de negócios novo ou aprimorado para uma ou mais de suas funções de negócios.
Os dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo IBGE são da Pesquisa de Inovação (PINTEC) Semestral 2024: Indicadores Básicos, criada em parceria entre com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O levantamento investiga desde novos produtos e processos até gastos em P&D, parcerias e desafios enfrentados por empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas no Brasil. As informações de 1.731 empresas foram coletadas entre agosto e outubro de 2025.
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Segundo o estudo, a maior incidência de inovação em 2024 se deu nas empresas de maior porte, com mais de 500 pessoas ocupadas, chegando a 75,4%. O setor de Fabricação de produtos químicos (84,5%) liderou o ranking de inovação entre as atividades industriais, seguido por Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%) e Fabricação de móveis (77,1%). Fabricação de produtos do fumo (29,8%) foi o setor menos inovador.
De modo geral, as empresas apresentaram maior incidência de inovação em processo de negócios (51,9%) do que em produto (45,2%). Dentre as que inovaram em produto, 45,2% introduziram um produto novo ou substancialmente aprimorado, o menor percentual desde 2021 (50,5%). Aquelas que inovaram em processo de negócio, 51,9% introduziram um processo de negócios novo ou aprimorado, percentual maior do que o observado no ano anterior (51,0%).
Gastos com P&D crescem
Apesar da retração desses indicadores, o valor investido em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2024 superou o observado em 2023, evidenciando o entendimento da indústria de que P&D é um motor crucial para criar um fluxo de inovação consistente e sustentável.
De acordo com o IBGE, as empresas avaliadas investiram cerca de R$ 39,9 bilhões em atividades internas de P&D, valor 4,4% superior ao do ano anterior em termos nominais. A maior parcela desse montante (R$ 34,1 bilhões) veio das empresas inovadoras da Indústria de transformação (85,4%) e das Indústrias extrativas, por 14,6% (R$ 5,8 bilhões).
A expectativa de 96,4% das empresas inovadoras para 2025 é elevar ou manter os gastos com P&D, sendo que 47,0% dessas empresas planejam aumentar seus dispêndios em 2026 em comparação com 2025.
Os setores que mais se destacaram na proporção de empresas que investiram em P&D foram Fabricação de máquinas e equipamentos (71,6%), Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (63,3%) e Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (62,0%).
“A comparação com as taxas de inovação em produto revela que os três principais setores que realizaram dispêndios em P&D estiveram entre os quatro que apresentaram as maiores proporções de empresas inovadoras em produto, o que reforça a centralidade das atividades de P&D no desenvolvimento de produto novos e aprimorados, e a persistência do seu papel estratégico para a inovação de produto”, avalia Flavio Peixoto, gerente da pesquisa.
O levantamento mostra ainda que as empresas seguem enfrentando problemas e obstáculos na sua inovação, sejam elas inovadoras ou não. Em 2024, as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas inovadoras foram instabilidade econômica (44,2%), capacidade limitada de recursos internos (42,1%) e acirramento da concorrência (41,4%).
Diante dos desafios, o apoio público vem para diminuir esses riscos. As empresas inovadoras utilizaram mais apoio público em 2024 (38,6%) na comparação com 2023 (36,3%). O instrumento de apoio público proporcionalmente mais utilizado em 2024 foi o Incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e inovação tecnológica (28,9%).
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