
Os fundadores da Accountfy, Goldwasser Neto e João Mano, decidiram apostar em uma nova frente de negócios com foco em inteligência artificial. A Mogno, criada nos Estados Unidos, nasce com parte dos US$ 18 milhões captados pela própria Accountfy, o que ajudou a acelerar o desenvolvimento do produto.
Em entrevista ao Startups, os executivos afirmam que a meta é alcançar US$ 2 milhões em faturamento nos primeiros 12 meses da Mogno. No curto prazo, porém, a estratégia passa por estruturar uma nova rodada de captação independente – possivelmente uma rodada seed no mercado norte-americano.
“Como o projeto começou com os recursos da Accountfy, já não estamos mais em estágio pré-seed ou MVP. Em uma rodada nos Estados Unidos, estaríamos mais próximos de um seed, na faixa de US$ 8 milhões, que é mais ou menos o que estamos buscando”, diz Goldwasser.
Segundo o executivo, a Mogno surge como um spin-off da Accountfy, a partir de uma solução interna baseada em IA que evoluiu até ganhar potencial de mercado. A plataforma permite que empresas criem aplicativos de gestão de forma personalizada, conectando dados, fluxos de trabalho e indicadores em um único ambiente, sem necessidade de programação.
A Mogno começou como um produto interno da Accountfy, mas, à medida que evoluiu, os fundadores perceberam que seu potencial extrapolava o escopo da fintech, tanto em público quanto em aplicação.
Foi nesse momento que decidiram transformar a solução em uma empresa independente. A separação abriu espaço para desenvolver tecnologia, posicionamento e estratégia próprios, sem as limitações do contexto original da Accountfy.
Isso porque, diferentemente da Accountfy, mais focada em finanças e em grandes empresas da América Latina, a nova companhia adota uma proposta mais horizontal, voltada a diferentes áreas do back-office, como recursos humanos (RH), jurídico, comercial e operações, além de atender empresas de diversos portes.
Dos EUA para o mundo
A decisão de lançar a Mogno a partir dos Estados Unidos faz parte de uma estratégia de posicionamento global. Segundo Goldwasser, a escolha pela Flórida também passa pela sua presença física na região e pela base já construída pela Accountfy no estado.
Mais do que geografia, o movimento reflete a necessidade de competir diretamente com players internacionais, que já atuam em múltiplos mercados, incluindo o Brasil. Estar no mercado norte-americano, na visão do empreendedor, amplia o acesso a capital, tecnologia e oportunidades, além de ajudar a reduzir barreiras enfrentadas por empresas brasileiras no cenário global.
“O mercado estadunidense tem uma dinâmica de compra, uso e serviço bem diferente do latino-americano. A questão é se adaptar a esse padrão de consumo, o que eleva a nossa régua em termos de eficiência e assertividade no produto e na entrega”, afirma o fundador.
Apesar disso, a estratégia inicial da Mogno incluiu validar e ajustar campanhas de marketing no Brasil, onde o custo de aquisição é menor, antes de avançar para outros países. Mesmo recente, a empresa já registra clientes em mercados como Estados Unidos e Europa e, segundo os fundadores, apresenta boa retenção desde o início das operações – um sinal de que o produto foi desenhado para escalar globalmente desde a origem.
“Os clientes que temos hoje vieram de redes sociais, a partir do anúncio de lançamento. Já conquistamos usuários na Holanda e nos Estados Unidos, muitos dentro do nosso próprio relacionamento. A retenção, mesmo com ticket relativamente baixo, é muito alta”, conclui Goldwasser.
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