
O Jota, fintech B2B que mistura IA e banking em uma interface dentro do WhatsApp, teve um 2025 de expansão, sustentado por uma rodada de US$ 8,9 milhões. Passado pouco mais de um ano desde a captação, a empresa quer iniciar um novo (e maior) ciclo de crescimento, baseado em uma solução nova: pagamentos por voz.
Com o novo produto, chamado Fala Tap, o Jota expande sua atuação para além de seu assistente financeiro e conta digital, e entra na seara dos pagamentos, concorrendo com players de maquininhas como PagSeguro, CloudWalk e outros. A novidade marca também a chegada do aplicativo do Jota, desenvolvido para concentrar pagamentos e gestão financeira em uma única plataforma integrada ao WhatsApp.
Segundo o fundador e CEO Davi Holanda, o Fala Tap permite que os usuários realizem cobranças por crédito, débito e Pix diretamente pelo smartphone, usando comandos de voz, integrados à inteligência conversacional da empresa.
“Estamos transformando o ato de cobrar em uma conversa inteligente. O cliente pode só falar assim no app: ‘cobrar R$ 200 em três vezes’, e o Jota gera o QR Code de pagamento e envia para o cliente que precisa ser cobrado”, explica Davi, em conversa com o Startups.
De acordo com o CEO, a novidade é uma evolução natural da plataforma, e inclusive remete ao passado profissional dele. Por seis anos, Davi foi diretor no PagSeguro, e essa experiência serviu para pensar diferente na hora de criar uma solução de pagamentos no Jota.
“Voltar para a indústria só de pagamentos só por voltar não me interessava, não queria fazer mais do mesmo. Mas aí me perguntei como que podia voltar, combinando pagamentos com uma camada de superpoder de inteligência artificial. No fim das contas, o objetivo é ajudar os clientes a vender mais e melhor”, analisa o fundador.
Acelerando o crescimento
O Jota se lançou oficialmente no mercado em janeiro do ano passado, impulsionada por uma rodada seed de US$ 8,9 milhões liderada pelo HOF Capital, fundo que também investiu em Anthropic, OpenAI, Neuralink e xAI. Em doze meses, a fintech chegou a 150 mil clientes (em sua maioria pequenas empresas e profissionais liberais) e R$ 2,2 bilhões em volume transacionado (TPV).
Desde então, a companhia investiu pesado em tecnologia – o que incluiu a chegada de produtos como o app e o Fala Tap – para preparar o terreno de uma expansão maior em 2026. Para 2026, Davi mira um TPV cinco vezes maior, passando dos R$ 10 bilhões, e aumentando sua base para 1 milhão de clientes até dezembro.
Para dar perspectiva ao roadmap de crescimento previsto para sua empresa, o CEO recorre a um benchmark bem famoso. “O Nubank, quando fez a Série A dele, tinha mil clientes. A gente ainda não fez a Série A”, avalia.
Entretanto, perguntado se a Série A está no horizonte, Davi revela que a companhia ainda está com o caixa saudável e, apesar de ainda não ter chegado ao breakeven, seu modelo atual já cobre os custos operacionais por cliente – ou seja, o cash burn está indo para melhorias na tecnologia e no negócio. “Nossa queima não é para subsídio de cliente, é para expansão”, avalia.
Mas voltando ao assunto de uma possível Série A, Davi reconhece que a próxima rodada será inevitável, e pode não demorar para acontecer. “A Série A vem mais para a gente avançar mais rápido. Pode ser que ela venha nesse ano ou no próximo ano, mas a ideia é avançar o quanto antes. Temos uma janela de mercado muito clara com o crescimento da empresa”, finaliza.
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