
Dois anos depois de ter sido comprada pela Visa, a Pismo parece estar entrando em uma nova fase, atuando menos como empresa independente, e mais como um braço de soluções tecnológicas da Visa para o sistema bancário. Desde dezembro, a fintech vem promovendo demissões em times como RH e marketing, que funcionários desligados têm chamado de “mini-layoffs”. Os cortes, porém, parecem tem mais relação com a incorporação das áreas pela empresa-mãe do que com um enxugamento de gastos pura e simplesmente.
Ex-funcionários ouvidos pelo Startups estimam que a empresa tenha demitido cerca de oito pessoas do time de marketing esta semana (de 13 no total), e quatro pessoas do RH em dezembro (de um total de 22). “O que temos visto são pequenos layoffs em departamentos diferentes, em tempos diferentes, para não dar impressão de que é um grande desligamento de pessoas. Mas em todas as áreas as pessoas estão apreensivas. Inclusive, há gestores recomendando que os funcionários evitem fazer financiamentos ou planejamentos de longo prazo, porque a situação está estranha”, conta uma das colaboradoras desligadas recentemente, que preferiu não se identificar.
Procurada, a Pismo informou que está fazendo “ajustes estratégicos” em seu modelo operacional para apoiar sua próxima fase de growth. “Quaisquer mudanças recentes na organização não representam um esforço para reduzir o tamanho da empresa. Isso está alinhado com nossos esforços contínuos para otimizar a alocação de recursos e permanecer em conformidade com nossos compromissos com o CADE”, apontou a empresa, por meio de nota.
Parte dessa reestruturação também tem chegado aos cargos mais altos. Neste mês, a Pismo anunciou a nomeação de Leonardo J. Collado como diretor-geral, substituindo Vishal Dalal, que liderava a Pismo como diretor-geral desde 2021. Vishal, por sua vez, havia substituído Ricardo Josua, co-fundador da fintech.
“Com a Pismo entrando em seu próximo capítulo de crescimento, sinto que é o momento certo para eu também virar a página”, disse o Vishal em pronunciamento sobre a sua saída da companhia.
Antes de ser nomeado diretor-geral da Pismo, Leonardo era executivo da Visa, onde atuava como vice-presidente sênior e responsável por Serviços de Valor Agregado (VAS) para a América Latina e o Caribe.
Nos bastidores, ex-funcionários relatam que algumas áreas até então independentes da Pismo, como marketing, passaram a estar debaixo do guarda-chuva da Visa.
Uma das colaboradoras desligadas contou que foram demitidas lideranças de algumas áreas da Pismo, como RH, e que os funcionários remanescentes foram movidos para times chefiados por lideranças da Visa.
“O que me informaram quando eu fui desligada é que, de acordo com o business, as vagas que a gente estava exercendo não faziam mais sentido agora que a gente responde por uma estrutura debaixo da Visa”, disse uma pessoa desligada do time de marketing.
Para uma funcionária ouvida pelo Startups, o problema não é sobre a reestruturação em si, mas a falta de transparência com a qual a empresa tem implementado essas mudanças.
“A gente já vinha percebendo que não tinha mais autonomia, tudo tinha que passar por eles [Visa], o que acaba sendo natural quando uma empresa é adquirida. Mas nunca imaginamos que seriam tantas demissões. E a empresa não tem sido transparente sobre a situação. Quando as demissões ocorrem, eles não dão uma satisfação para os funcionários, o que gera apreensão sobre o que está por vir”, diz.
Em nota, a Pismo informou que, após a aquisição pela Visa há mais de dois anos, a equipe “cresceu significativamente para atender às crescentes necessidades da empresa”. Apesar das demissões, a companhia também continua contratando. No LinkedIn, há cerca de 100 vagas abertas para cargos como Compliance, Produto, Cibersegurança, Engenharia, entre outras.
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