Skip to main content
Guillermo Arslanian e Guillermo Freire, fundadores da BackChannel | Foto: divulgação
Guillermo Arslanian e Guillermo Freire, fundadores da BackChannel | Foto: divulgação

Marcas de varejo vivem de ciclos: novos modelos, coleções e produtos são lançados a cada temporada. Cada novo lançamento gera um desafio para essas empresas, que precisam lidar com milhões em estoques encalhados. Pensando nesse mercado pouco explorado, os empresários Guillermo Arslanian e Guillermo Freire fundaram a BackChannel e acabam de levantar R$ 25 milhões para acelerar sua operação.

A rodada seed foi liderada pelo fundo norte-americano Sunna Ventures e também contou com a participação da Positive Ventures, SC Latam Innovation Fund, Preface Ventures, Norte Ventures, Accion Ventures, Savia Ventures, Ignia VC e Morro Ventures.

Em conversa com o Startups, o CEO Guillermo Freire destacou que a rodada será estratégica para a expansão comercial da empresa, assim como para intensificar investimentos na área de IA e agentes para seu marketplace B2B que conecta grandes marcas a varejistas revendedores.

Também está nos planos lançar uma camada de serviços financeiros (embedded finance) na solução. “Queremos trazer produtos de financiamento para os compradores, oferecer prazos de pagamento, como em um Buy Now, Pay Later”, explica o executivo.

As metas com este investimento são ambiciosas. Após fechar 2025 – seu primeiro ano completo de operação – com R$ 25 milhões em valores movimentados na plataforma, a BackChannel quer alcançar R$ 150 milhões em GMV neste ano, aproveitando a tração veloz que sua solução já teve junto a grandes fabricantes do setor de moda, primeira vertical atendida no marketplace da startup.

“A gente começou indo atrás dos dez maiores sellers de fashion, que fazem 80% do market share. São empresas que têm R$ 30 milhões, R$ 40 milhões em estoques parados. Boa parte delas adotou a plataforma muito rapidamente, pois não tinha uma alternativa parecida no mercado”, dispara o CEO, sem abrir nomes de quais marcas já são clientes.

Como funciona a solução?

Resumindo de forma simples, o marketplace da BackChannel conecta marcas que têm excesso de estoque a compradores estratégicos. Segundo Guillermo, a startup utiliza IA para fazer um matching inteligente, com preços dinâmicos e mecanismos de correspondência, oferecendo lotes para compradores dentro do perfil esperado.

“O seller pode escolher se quer ou não oferecer seus produtos para revendedores online, ou estipular que esses produtos não sejam vendidos em lojas nos grandes centros, preservando valor e evitando conflitos de canal”, explica Guillermo.

É um modelo semelhante ao que a Ghost faz nos Estados Unidos. Com cerca de US$ 100 milhões em investimentos levantados, a Ghost criou um marketplace em que marcas podem listar lotes com parâmetros específicos, e revendas e outlets podem fazer seus lances pelas mercadorias encalhadas.

Quanto à parte de monetização, a BackChannel obtém sua receita por meio de um take rate de 12%. Segundo o CEO, a empresa faz apenas a conexão entre as pontas, sem armazenamento ou gestão física dos inventários.

A plataforma já conta com cerca de 50 grandes marcas vendendo e aproximadamente 3 mil lojistas compradores. Na parte de produtos, já são mais de 2 milhões de itens listados, um volume próximo dos R$ 200 milhões em estoque.

Com a nova rodada, o plano da startup é acelerar a aquisição e o onboarding de sellers e buyers, utilizando agentes para isso.

“Desde o momento zero, a gente automatiza todos os processos por meio de IA, e vamos continuar investindo em tecnologia para escalar com unit economics positivos, algo que não é fácil de fazer em um marketplace”, pontua Guillermo, com o conhecimento de quem já conhece o mercado.

Antes de criar a BackChannel, os dois Guillermos fundaram e comandaram a Trocafone, marketplace de compra e venda de eletrônicos seminovos que chegou a fazer R$ 400 milhões em receita anual no Brasil.

Novas verticais e mercado endereçável

A rodada seed é a segunda na curta vida da BackChannel. Em 2024, ela R$ 17 milhões em um pré-seed liderado pela Cathay Ventures, dinheiro que serviu para tirar a solução do papel e conquistar os primeiros clientes.

No 2025 em que validou o seu modelo, o foco da BackChannel foi nas marcas de moda e cosméticos, um segmento que tem cerca de US$ 4 bilhões em estoques parados no país, segundo o CEO. Entretanto, está nos planos da startup atender outras verticais, como eletrônicos e alimentação, em um futuro não muito distante.

“Adicionando as outras categorias que temos em nosso roadmap, estamos falando de um mercado de US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões”, revela Guillermo. “Temos um negócio com potencial de chegar a um GMV de R$ 1 bilhão dentro dos próximos três anos”, completa.

O post BackChannel capta R$ 25M para ajudar marcas a “desencalhar” estoques apareceu primeiro em Startups.