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Simulação de cibercrime com imagem em close-up de mãos digitando em um teclado retroiluminado com luz azul. As teclas estão iluminadas e os dedos estão posicionados sobre diferentes teclas. (Anthropic, coding)

Por Leonardo Zeferino

O que acontece quando a programação deixa de ser um campo restrito a profissionais com anos de treinamento e pleno domínio de linguagens complexas? As pistas para essa pergunta devem ser investigadas no próprio fenômeno que está promovendo a democratização do processo de desenvolvimento de sites, produtos e interfaces digitais: o vibe coding.

Afinal de contas, entender essa tendência – que, basicamente, permite que a codificação seja acelerada por comandos de voz e assistentes de IA – é um passo importante tanto para que os benefícios da democratização sejam absorvidos por empresas, quanto para as soluções digitais se diferenciem e não caiam no risco da falta de identidade.

Sim, o vibe coding está tornando o ato de desenvolver softwares mais acessível, mais rápido e mais fluido. Mas, ao mesmo tempo, ele impõe a necessidade de reflexão sobre como não se tornar mais “só mais um” produto digital criado graças a IA.

Isso posto, a primeira parte da pergunta passa pelo fato central de que não se deve prescindir de programadores competentes. Todavia, para que não se tornem também indistintos em um mercado mais competitivo, os profissionais precisam reforçar seus soft skills criativos, concentrando-se na ideia, enquanto as ferramentas de inteligência artificial (IA) aceleram a codificação.

E isso também porque, o vibe coding parece ser uma tendência que veio para ficar, com dados recentes revelando a magnitude dessa transformação: segundo a Grand View Research, o mercado global de ferramentas de IA voltadas para programação foi estimado em aproximadamente US$ 4,86 bilhões em 2023 e está projetado para atingir cerca de US$ 26,03 bilhões até 2030, crescendo a uma média 27,1% durante o período. Esse ritmo de expansão é impulsionado pela crescente sofisticação das aplicações de software e pela capacidade das ferramentas de IA de gerar código mais rapidamente.

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Nesse sentido, mais do que simplesmente reduzir a barreira técnica, o vibe coding está mudando a lógica de produção de software. Na Y Combinator, por exemplo, as startups relataram crescimentos de até 10% por semana entre 2024 e 2025 atribuídos ao uso de IA na programação, segundo o próprio CEO da aceleradora, Garry Tan.

Isso tem consequências profundas para o mercado digital. Por um lado, ideias podem se transformar em protótipos e produtos reais de modo muito mais ágil e potencialmente menos custoso.

Em contrapartida, o acesso direcionado às mesmas ferramentas pode gerar uma profusão de produtos digitais com pouca diferenciação, especialmente se a marca não for posta no centro da equação criativa a partir de uma gestão estratégica.

A tecnologia, em outras palavras, nivelou a entrada no mundo dos produtos digitais, mas ela não garante retorno, nem automaticamente confere significado às criações geradas. Em um ambiente onde todos podem programar, aquilo que distingue uma solução verdadeiramente valiosa de um produto funcional, mas sem identidade própria, é a personalidade da marca, a criatividade humana e a clareza de propósito por trás do produto.

Marcas que utilizam vibe coding de forma estratégica reconhecem que a IA pode acelerar processos sem, contudo, eliminar a necessidade de um olhar crítico, de um posicionamento distintivo e de um compromisso com a experiência do usuário.

É isso que faz uma marca digital ser bem gerida. Além disso, ela precisa se comunicar com clareza, ser capaz de articular valores e promover experiências que consigam traduzir funcionalidade em relevância. Isso demanda criatividade e olhar estratégico para além do código em si – que pode, deve e continuará sendo acelerado pela IA.

Em outras palavras: a tecnologia não é um obstáculo à originalidade. Pelo contrário: ao automatizar a codificação, o vibe coding libera os profissionais para se concentrarem em elementos que realmente importam: ideia, design, experiência de usuário, diferenciação de mercado. A inovação, nesse sentido, amplia a capacidade criativa das empresas.

Assim como em outros mercados, o futuro do desenvolvimento digital depende e muito de uma cooperação inteligente entre humanos e tecnologias. Nessa receita, velocidade do código e personalidade de marca são como ingredientes inseparáveis que irão determinar os produtos que realmente irão manter sua relevância no longo prazo.

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