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Roberto Nascimento, CEO e cofundador da PipeImob | Foto: divulgação
Roberto Nascimento, CEO e cofundador da PipeImob | Foto: divulgação

A PipeImob nasceu em 2023 com um conceito simples: ser a solução que simplifica os processos de compra e venda de imóveis para as imobiliárias. Contudo, com o passar dos anos a plataforma expandiu, agregando novas funcionalidades após uma rodada com a Headline no ano passado. Agora, a proptech “pisa no acelerador”, entrando em novas verticais de produto e até fazendo aquisições, para se tornar uma plataforma de “ponta a ponta” para as imobiliárias.

Aliás, em conversa com o Startups, o CEO e cofundador Roberto Nascimento comentou sobre como os planos de expansão surgiram de uma provocação de Romero Rodrigues, sócio da Headline. “Ele me disse que tenho um negócio com potencial de Série B nas mãos”, revelou o executivo.

De olho nesse potencial, a proptech está apresentando suas “armas” para crescer em 2026. Uma das principais novidades é a expansão da plataforma para atender as imobiliárias na gestão de locações de imóveis.

Conforme explica o executivo, o produto de locação hoje cobre desde a qualificação do inquilino – com leitura automática de documentos, validação biométrica antifraude e análise de crédito integrada ao Serasa – até a geração de contrato e a primeira cobrança.

Segundo Roberto, a novidade é resultado de uma demanda de grande parte das 500 imobiliárias hoje atendidas pela startup. “Nos últimos anos a demanda do público por locação tem aumentado junto às imobiliárias, mas elas têm ganho menos dinheiro com locação. Dá trabalho atender inquilino, fazer cobrança, dá problema. Quando há conflito entre inquilino e proprietário, a culpa é da imobiliária”, avalia.

Foi o grupo Auxiliadora Predial, um dos maiores clientes da PipeImob e referência do mercado gaúcho, que empurrou a entrada no vertical. “Eles falaram ‘a gente precisa de PipeImob para locação’, porque eles tinham vários sistemas super fragmentados”, revela Roberto. “Foi cliente que por um lado nos deu frio na barriga, por ser tão grande. Por outro, se você atende ele, você vai atender qualquer cliente.”

Desde que o produto foi ao ar com a Auxiliadora, já foram processados 2.783 processos de locação e R$ 2,5 milhões em volume transacionado (TPV). Em termos gerais, com a nova modalidade, a expectativa da PipeImob é dobrar seu TPV até o fim do ano, chegando na marca dos R$ 200 milhões mensais. “O QuintoAndar tem de 2% a 3% do mercado de locação no Brasil. A gente quer atender os outros 97%”, dispara o CEO.

CRM e braço de fintech

Por falar em volume transacionado, em 2025 a proptech fez um movimento importante para otimizar sua geração de receita. A empresa adotou a Celcoin como fornecedora de embedded finance, algo que abriu possibilidades de serviços financeiros dentro da plataforma.

Com a nova estrutura, a PipeImob passou a gerar CCBs automaticamente, conectar-se a FIDCs e criar serviços como a de antecipação quase imediata de comissões para corretores. Desde que o produto existe, já foram feitas mais de 3,3 mil antecipações. Hoje, a plataforma tem quase 12 mil contas bancárias abertas — 11.535 para corretores e 471 para imobiliárias, e 90% do TPV vem de comissões processadas dentro da plataforma.

“A melhor forma de ver se o negócio está dando certo é se a nossa receita está aumentando porque os caras estão usando as contas”, pontua Roberto, afirmando que este modelo tem diferenciado a PipeImob de outras soluções de gestão imobiliária. “Hoje somos menos um SaaS e mais como um Mercado Livre para as imobiliárias. Tem imobiliárias que têm 5 mil imóveis. Esse dinheiro hoje está passando no Bradesco, no Itaú. A ideia é oferecer mais produtos financeiros embarcados aqui”, projeta.

E por falar em Mercado Livre, o próximo passo da PipeImob é o de ajudar as imobiliárias a vender mais. Para isso, ela comprou a BetaBit, startup de CRM sediada em Curitiba. Aliás, a aquisição representa, “por linhas tortas”, um retorno de Roberto às suas origens no “topo do funil” imobiliário. Antes da PipeImob, ele foi um dos fundadores da Zap Imóveis, portal hoje controlado pela OLX.

Desde então, a proptech manteve o M&A em stealth mode, mas os times e sistemas já foram integrados, e deve acelerar o go-to-market muito em breve, com a mudança de nome para PipeImob CRM. “A gente está indo devagar, mas com consistência”, considera o fundador.

Com a aquisição, a PipeImob passa a cobrir processos como geração de leads e atendimento, chegando ao fechamento do negócio e o pagamento. “A gente vai lá no topo do funil, até chegar lá na parte do pagamento, entregando as chaves. É realmente ponta a ponta”, afirma Roberto.

Próximas rodadas

Com a Série A usada para construir produto, fazer M&A, investir em equipe e expandir o braço financeiro, a PipeImob já pensa nos próximos sprints de crescimento, e já tem no horizonte a série B sugerida por Romero Rodrigues.

Roberto projeta que a série A aconteça entre o fim de 2026 e o primeiro trimestre de 2027, pouco mais de um ano depois da rodada seed de R$ 15 milhões que levantou com a Headline em agosto do ano passado.

“Deve acontecer alguma coisa na virada do ano para o primeiro trimestre do ano que vem. Não estou indo atrás, mas se você tem produto bom e uma empresa que está crescendo consistentemente, independente da taxa de juros, o investidor fica mais motivado”, finaliza o CEO.

O post Com locações e CRM, PipeImob quer ser “ponta a ponta” das imobiliárias apareceu primeiro em Startups.