
A Meta intensificou sua estratégia em inteligência artificial (IA) ao trazer de volta para o time o brasileiro Hugo Barra, cinco anos após sua saída. A novidade está em linha com a mudança de prioridades da companhia, que vem redirecionando esforços da realidade virtual para o desenvolvimento de soluções baseadas em IA.
Durante sua primeira passagem pela empresa, ainda sob o nome Facebook, Barra esteve à frente de iniciativas ligadas à realidade virtual. Agora, retorna em um contexto marcado pela crescente disputa global por liderança em inteligência artificial, com concorrentes como Google e OpenAI avançando rapidamente no setor.
A recontratação faz parte de um acordo envolvendo a startup Dreamer, fundada por Barra em 2024. Em vez de uma aquisição tradicional, a Meta incorporou a equipe da empresa e licenciou sua tecnologia, voltada ao desenvolvimento de agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.
Leia mais: Meta demite centenas de funcionários em nova reestruturação focada em IA
Barra passa a atuar no laboratório de superinteligência da companhia, liderado por Alexandr Wang, que se juntou à Meta após investimentos bilionários envolvendo a Scale AI. A movimentação ocorre após resultados considerados abaixo do esperado com a linha de modelos Llama 4, o que levou a empresa a buscar reforço técnico e estratégico.
A Meta também vem ampliando significativamente seus investimentos em infraestrutura. A companhia projeta até US$ 135 bilhões em despesas de capital neste ano, grande parte direcionada à construção de capacidade para IA, incluindo data centers e sistemas de alto desempenho.
A estratégia inclui uma série de aquisições e parcerias focadas em agentes inteligentes. Entre os movimentos recentes estão a compra da Manus, empresa com foco em soluções corporativas de IA, e da plataforma Moltbook, voltada à criação de diretórios para agentes digitais. Cada uma dessas iniciativas atende a diferentes frentes de uso, consumo, empresas e organização de ecossistemas de agentes.
Aceleração da IA
A tecnologia desenvolvida pela Dreamer se insere nesse contexto ao propor uma espécie de sistema operacional para agentes de IA, permitindo a criação e gestão de aplicações autônomas. A proposta reflete uma mudança mais ampla na indústria, que começa a tratar agentes como uma nova camada de computação.
Enquanto avança na IA, a Meta reduz a ênfase em realidade virtual. A empresa realizou cortes de cerca de 10% em sua divisão Reality Labs, impactando iniciativas relacionadas a dispositivos como os headsets Quest e plataformas virtuais. Parte do foco passa a migrar para dispositivos vestíveis com recursos de IA, como óculos inteligentes.
O retorno de Barra ocorre justamente nesse momento de transição. Sua experiência anterior em plataformas como Android e Oculus o posiciona para contribuir com a construção de novas interfaces de computação baseadas em inteligência artificial.
Antes de retornar à Meta, Barra construiu sua trajetória no setor global de tecnologia. Ele ganhou projeção no Google, onde atuou como vice-presidente de gestão de produtos do Android, participando da expansão do sistema operacional no mercado global. Posteriormente, assumiu um papel de liderança na Xiaomi, sendo responsável pela estratégia internacional da companhia. Em 2017, ingressou no então Facebook para liderar a divisão de realidade virtual após a aquisição da Oculus, posicionando-se no centro das primeiras apostas da empresa em novas plataformas de computação.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!


