
As organizações que estão colhendo melhores benefícios com inteligência artificial não se limitam à automação básica de processos já existentes, e fazem uma revisão das operações “do zero”, redesenhando modelos de trabalho e conectando a tecnologia aos objetivos de negócio. Segundo a Deloitte, essa diferença de abordagem amplia “de forma significativa” a distância competitiva entre as duas abordagens nas empresas.
A conclusão está no estudo Tech Trends da consultoria, que chega à 17ª edição avaliando justamente como empresas líderes em seus segmentos estão saindo da fase de experimentação da IA para a geração de resultados mensuráveis. A consultoria defende que a inteligência artificial deixou de ser “apenas uma promessa” para se consolidar como “fator central na transformação dos negócios”.
“Não se trata mais de automatizar tarefas isoladas, mas de redesenhar processos de ponta a ponta, com foco claro em eficiência, escala e impacto no negócio. No entanto, nas conversas com CIOs, ainda é comum ver os casos de uso muito concentrados em aplicações de IA generativa via chat ou na automação de processos existentes, sem explorar plenamente as possibilidades da IA agêntica”, diz em comunicado Eduardo Rodrigues, líder do CIO Program da Deloitte.
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Segundo a empresa, no Brasil o avanço da IA ocorre em um contexto de desafios econômicos, incertezas regulatórias e necessidade crescente de eficiência, o que torna “ainda mais essencial o investimento em inovação estratégica, escalável e orientada a resultados”.
Cinco tendências
O estudo destaca cinco grandes tendências para o ambiente corporativo, entre elas robôs inteligentes e a chamada IA física, que integra inteligência artificial em sistemas que atuam de forma autônoma em ambientes reais; os agentes de IA; a necessidade de evolução da infraestrutura para sustentar o uso intensivo de IA; a transformação dos modelos operacionais de TI; e o paradoxo da cibersegurança impulsionada pela própria IA.
Segundo o relatório, as organizações ainda enfrentam dificuldades para escalar agentes autônomos justamente porque muitas tentam apenas automatizar processos desenhados para humanos, em vez de redesenhar operações para um modelo orientado à IA. Esse desafio se soma a discussões cada vez mais frequentes sobre infraestrutura, custos e soberania de dados.
O questionamento sobre o modelo tradicional de nuvem e seus impactos financeiros também têm ganhado espaço na agenda dos executivos de tecnologia no mercado brasileiro.
“O custo das soluções em nuvem e o impacto direto na linha de OPEX vêm aparecendo de forma recorrente nas discussões com CIOs, assim como a preocupação com soberania de dados. Isso reforça a importância de decisões mais estratégicas sobre arquitetura, combinando nuvem, ambientes locais e edge computing de forma equilibrada”, diz Rodrigues.
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