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Conta Simples | Foto: Divulgação
Conta Simples | Foto: Divulgação

*Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples

Durante uma call de vendas, existe uma pergunta simples que costuma revelar muito sobre a maturidade financeira de uma empresa. Tenho o hábito de participar desse tipo de conversa ao menos duas vezes por semana com potenciais clientes e quase sempre começo da mesma forma: “qual é hoje o volume de pagamentos corporativos e de transações feitas com cartão dentro do seu negócio?”.

Curiosamente, apenas um pequeno percentual dos times financeiros consegue me responder com precisão e segurança. Na maioria das vezes, a resposta vem em forma de estimativa, acompanhada de certa hesitação. Isso sempre me chama atenção e, ao mesmo tempo, preocupa. Em plena era da hiperconectividade, ainda é comum encontrar empresas que não sabem exatamente para onde o dinheiro está indo no momento em que ele sai do caixa.

Com o tempo, percebi que essa falta de visibilidade não é um caso isolado. Ela aparece em escala. Foi tentando entender melhor esse cenário que a Conta Simples, em parceria com a Visa, desenvolveu a segunda edição do Panorama da Gestão de Despesas Corporativas. Os dados confirmam aquilo que já vínhamos observando na prática. Hoje, 63% das organizações no Brasil, cerca de 12,6 milhões PMEs, ainda enfrentam dificuldades para controlar suas finanças no momento em que os gastos acontecem. No levantamento do ano anterior, esse número era de 55% — um salto de oito pontos percentuais.

Ao mesmo tempo, o estudo revela um mercado profundamente digitalizado na ponta do pagamento. Atualmente, 86% das empresas já utilizam o Pix e 71% fazem uso de cartões corporativos. Ou seja, a tecnologia resolveu de forma eficiente o “como pagar”. O dinheiro entra e sai do caixa com rapidez e, em muitos casos, de forma instantânea. Em um cenário como esse, a lógica do fechamento mensal perde cada vez mais espaço. Nunca o dinheiro circulou tão rápido. 

Quando a velocidade do gasto supera a do controle

Esse avanço, no entanto, trouxe um novo desafio. Em muitas empresas, a velocidade dos gastos passou a superar a capacidade de controle. Quando a gestão financeira ainda opera “olhando pelo retrovisor”, ela acaba reagindo aos acontecimentos em vez de antecipá-los.

Os dados da pesquisa reforçam esse ponto. Mesmo com a digitalização dos meios de pagamento, ainda existem fragilidades estruturais nos processos de gestão. Embora o uso de cartões corporativos tenha crescido, 58% das empresas concentram suas operações em apenas um ou dois cartões, enquanto 51% ainda não estruturaram limites por área ou finalidade. Na prática, isso reduz a previsibilidade financeira e aumenta a dependência de processos manuais de conciliação. 

Nesse contexto, boa parte da energia dos times financeiros acaba sendo consumida pela burocracia operacional, quando poderia estar direcionada à análise e à tomada de decisão. A digitalização das transações, por si só, não resolve esse problema. O desafio passa a ser estruturar o fluxo de despesas. Empresas que conseguem conectar pagamentos, definição de limites e visibilidade contínua das movimentações ganham previsibilidade e reduzem fricções no dia a dia da operação.

Um exemplo é a Daki, varejista online on demand, que opera em um segmento de alta intensidade transacional. Ao estruturar sua gestão de despesas com o apoio da Conta Simples, a empresa passou a acompanhar seus gastos em tempo real, mesmo lidando com fluxos volumosos de pagamentos. Com o uso de múltiplos cartões corporativos, a companhia consegue monitorar diferentes categorias de despesas, acompanhar sua evolução ao longo do tempo e utilizar essas informações como ferramenta de planejamento de caixa, algo essencial em um modelo de negócio que depende de agilidade operacional.

Seja nas conversas semanais com empreendedores, ou na análise dos dados do panorama, a conclusão é a mesma: hoje, a maturidade financeira das empresas passa cada vez mais pela capacidade de orquestrar e gerenciar transações em larga escala, mesmo quando elas acontecem de forma descentralizada.

Em um ambiente onde o dinheiro circula de forma instantânea, a gestão financeira não pode mais ser um processo que acontece apenas depois do fato. Ela precisa acompanhar a mesma velocidade das decisões que sustentam o crescimento das empresas.

O post A pergunta que a maioria dos gestores financeiros não sabe responder apareceu primeiro em Startups.