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A imagem mostra várias pessoas reunidas ao redor de uma mesa, analisando gráficos e dashboards exibidos em laptops e documentos. Sobre a mesa há relatórios, canetas, óculos e telas mostrando indicadores visuais de desempenho. Na parede ao fundo, uma grande projeção ou ilustração exibe um diagrama de fluxo com múltiplos blocos conectados por linhas e pontos, acompanhado de um grande elemento circular com a sigla “AI” no centro. As mãos das pessoas apontam para diferentes partes desse esquema, sugerindo uma discussão sobre processos, dados ou sistemas apoiados por inteligência artificial. (negócios)

Por Mark Dixon

A tecnologia sempre muda tudo, cedo ou tarde, e sempre influenciou a forma como trabalhamos. A diferença agora é a velocidade com que essa transformação está acontecendo. Os avanços na IA estão acelerando o mundo do trabalho num ritmo que a maioria das organizações e das pessoas ainda está tentando entender. As manchetes costumam destacar a ameaça da eliminação de cargos e a preocupação de que as gerações mais jovens terão dificuldade para entrar no mercado de trabalho, mas também é preciso falar na enorme oportunidade de progresso que está surgindo.

Estou no mundo dos negócios há cinco décadas, pouco mais da metade desse tempo num cenário ainda analógico. Lembro quando o e-mail começou a se popularizar, há mais de 20 anos. Na maioria dos casos, as empresas que desconfiaram da novidade e preferiram se apegar ao que já conheciam não conseguiram atravessar essa transição. O progresso continuou sem elas.

Hoje estamos num ponto de virada parecido. A IA já está aumentando a produtividade, criando caminhos de carreira totalmente novos e questionando o jeito tradicional de fazer as coisas.

A IA não é o fim do trabalho, é o começo de um trabalho melhor

Cada vez mais, são os profissionais mais jovens que estão ensinando os colegas mais experientes a usar as ferramentas que estão redefinindo o trabalho moderno. Pesquisas recentes do International Workplace Group (IWG) mostram que a geração Z tem um papel central na adoção da IA nas empresas, com quase dois terços dos trabalhadores mais jovens ajudando ativamente os colegas mais velhos a aprender e usar ferramentas de IA, seja com orientação prática, seja com dicas simples que incorporam a IA à rotina de trabalho.

Essa mentoria reversa está trazendo ganhos reais de produtividade e colaboração.

Mesmo assim, boa parte da conversa ainda é dominada pela ansiedade. Segundo uma pesquisa recente do Fórum Econômico Mundial, mais da metade dos executivos acredita que a IA vai substituir empregos e cresce o medo de que vagas de entrada estejam sendo automatizadas, deixando os jovens sem os degraus necessários para chegar a cargos mais altos. Embora isso gere insegurança para algumas pessoas, a realidade é que vivemos num cenário em que a IA também cria muitos novos cargos e oportunidades.

A capacitação com o apoio da IA está acelerando o aprendizado de um jeito nunca visto, seja na escola, na universidade ou no trabalho, permitindo que os jovens avancem na curva de aprendizado muito mais rápido do que as gerações anteriores. As posições vão mudar e, embora possa haver uma leve redução no número de empregos, o fato é que os trabalhos vão se transformar. Os jovens precisarão ter muito mais clareza sobre qual será o ponto de entrada deles se estiverem chegando ao mercado daqui a um, dois, três ou cinco anos.

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A Lei de Moore e o avanço exponencial

Para entender o que está acontecendo agora, vale olhar para trás. No início dos anos 1970, a Intel lançou o 4004, o primeiro microprocessador comercial do mundo. Pouco depois, o cofundador da empresa, Gordon Moore, percebeu algo curioso, o número de transistores num chip parecia dobrar a cada dois anos. Ele não pensou nisso como um slogan, mas a ideia revelava que o avanço tecnológico não era linear, era exponencial.

Essa percepção ficou conhecida como Lei de Moore. A mensagem era simples e poderosa: se você esperar dois anos, não terá apenas uma pequena melhoria, terá um salto enorme.

A velocidade dos negócios

É exatamente esse o erro que estamos cometendo ao olhar para a IA hoje. Estamos tratando a tecnologia como uma simples ferramenta de eficiência, quando, na verdade, ela faz parte de uma curva exponencial, a mudança mais relevante que já vi desde que fundei a Regus, em 1989. Mudanças exponenciais não apenas transformam os cargos, elas alteram a velocidade dos negócios.

Eu já vi isso acontecer. Quando o e-mail surgiu, muitas empresas respeitadas diziam que nunca iriam adotá-lo. Não confiavam na novidade. Argumentavam que o serviço postal funcionava há séculos. Mas o e-mail representava progresso. E, quando o e-mail, os smartphones e a internet passaram a ser usados de forma adequada, os negócios não ficaram mais lentos, eles aceleraram muito.

A IA vai provocar o mesmo efeito. Muita gente assume que as empresas vão continuar no mesmo ritmo, só que com menos pessoas. Isso não é verdade. Quando alguém consegue produzir dez ou 20 vezes mais num único dia, as organizações não ficam paradas. Elas ampliam o que é possível fazer. Sim, os empregos vão mudar. Pode haver menos vagas em algumas categorias e as portas de entrada serão diferentes. Os jovens precisarão ser mais estratégicos sobre onde e como começam as suas carreiras. Mas, historicamente, as transformações tecnológicas não reduziram a atividade econômica, elas a reinventaram. As pessoas precisaram desenvolver novas habilidades para provar o valor delas e quem se adaptou saiu na frente.

A IA também ensina melhor do que o antigo modelo de aprendizado por osmose. A capacitação com o apoio da IA acelera a evolução na curva de aprendizado como nunca antes, começando cada vez mais cedo, ainda na sala de aula, muito antes do primeiro emprego. Ao eliminar tarefas repetitivas e gerar grandes ganhos de eficiência, a IA libera as pessoas para fazer o que os humanos fazem melhor: pensar de forma criativa, resolver problemas e criar novas ideias.

Num mundo movido por IA, quem toma a iniciativa sai na frente

Uma das principais qualidades que procuro em novos talentos é a capacidade de usar a IA com eficiência, entendendo como isso pode turbinar o potencial de um negócio. Pessoas que já assinam alguma ferramenta de IA e estão aprendendo a usá-la no dia a dia têm vantagem. Elas trazem novas habilidades, energia e inovação para empresas em expansão, impulsionando ainda mais a produtividade e o crescimento.

Os jovens precisam olhar para frente e se perguntar onde terão a melhor experiência profissional nesse novo cenário e se têm as competências que as empresas do futuro vão valorizar. No passado, profissionais ambiciosos aprendiam programação à noite ou buscavam certificações extras ao mesmo tempo que mantinham empregos. Essa mentalidade é ainda mais importante agora. Não é possível contar apenas com as escolas ou com as universidades para aprender. É preciso procurar um clube de IA, entrar numa comunidade, aprender por conta própria as ferramentas que estão transformando os setores, assumir a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento.

Abrindo caminho para o futuro

Toda grande revolução tecnológica segue um padrão parecido: muitos preferem ficar no que já conhecem, enquanto um grupo menor se adapta mais cedo e colhe os frutos dessa adaptação. O que torna o atual momento diferente é a velocidade. A velocidade dos negócios está aumentando mais rápido do que em qualquer outro período recente.

A IA, assim como os primeiros chips da Intel, é uma tecnologia de base, que se acumula e transforma tudo o que é construído sobre ela. Não se trata de uma possibilidade distante nem de uma moda passageira, já é o motor da escala e da vantagem competitiva.

Quem estiver disposto a aprender, testar e explorar a IA agora vai perceber que as oportunidades se expandem, não diminuem. A história mostra isso com clareza: em momentos de mudança exponencial, quem se move primeiro costuma conquistar os maiores ganhos.

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