
O Brasil perde cerca de 12 mil profissionais de tecnologia por ano para o exterior, o equivalente a aproximadamente US$ 420 milhões anuais em capital humano. Os dados fazem parte da análise do Índice Global de Maturidade Digital, do Instituto Brasileiro de Soberania Digital (IBSD).
A realidade acontece em um momento em que a economia digital representa cerca de 9,8% do PIB brasileiro — quase metade do peso observado em economias líderes como Singapura e Reino Unido, onde o setor já supera 18% da atividade econômica. O levantamento mostra que o país enfrenta um cenário estrutural de perda de talentos: cerca de 45% dos profissionais brasileiros da área de tecnologia acabam migrando para o exterior, atraídos por mercados mais competitivos e por oportunidades de atuação em empresas globais.
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Na avaliação geral do índice, o Brasil aparece na 42ª colocação entre 100 países analisados, refletindo avanços em digitalização de serviços e inclusão tecnológica, mas também desafios relevantes na formação e retenção de capital humano especializado. De acordo com o estudo, o país possui cerca de 12 profissionais de tecnologia para cada mil habitantes, número inferior ao observado em economias altamente inovadoras e que limita a capacidade de expansão do setor digital brasileiro.
“O mundo vive uma corrida global por talentos digitais, e essa disputa tende a se intensificar nos próximos anos. O Brasil tem um ecossistema tecnológico relevante, mas precisa transformar a formação e a retenção de profissionais em prioridade estratégica”, afirma Alexandre Zavaglia, vice-presidente de Pesquisa e Inovação do IBSD.
Segundo o instituto, o impacto da evasão de talentos vai além do mercado de trabalho. A redução do capital humano especializado afetaria diretamente a capacidade do país de desenvolver tecnologias próprias ou suas aplicações, ampliar sua base de inovação e fortalecer sua competitividade digital. Apesar dos desafios, o levantamento aponta que o Brasil possui ativos importantes para ampliar sua maturidade digital. O tamanho do mercado interno, a rápida adoção de serviços digitais e a maturidade do sistema financeiro criam um ambiente favorável para o desenvolvimento de soluções tecnológicas em escala.
“O Brasil já demonstrou capacidade de criar soluções digitais com impacto global. Casos como o PIX e o Open Banking mostram como o país pode liderar inovação quando existe coordenação entre regulação, tecnologia e mercado”, afirma Zavaglia.
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