
Como se monetiza a criatividade? Esse é um desafio enfrentado por muitos criadores de conteúdo e empresas na hora de fechar contratos. Foi para resolver esse problema que o empreendedor Pedro del Valle decidiu criar uma plataforma que deixa em segundo plano critérios como número de seguidores ou fama e adota um modelo de pagamento baseado em performance: a empresa só paga se o conteúdo der resultado.
A ideia, segundo ele, é abrir espaço para que creators de todos os portes tenham a chance de mostrar seu trabalho. “O maior problema desse mercado é ter acesso às oportunidades, porque é difícil prever a criatividade e monetizar esse conteúdo. Mas o fato de um creator tem muitos seguidores não significa que a campanha dele dará resultados melhores. Às vezes, um criador com menos seguidores, mas especializado em um nicho específico, por exemplo, pode ser mais eficiente”, explica Pedro.
Apesar de jovem, Pedro começou a trabalhar cedo na criação de conteúdo. Dos 12 aos 17 anos, tinha um canal no YouTube sobre games. Depois disso, criou um canal sobre educação financeira com o objetivo de ajudar jovens da sua faixa etária a lidar melhor com dinheiro.
Aos 18 anos, ele fundou uma agência de marketing, mas como também programava, acabou se dedicando ao desenvolvimento da plataforma para creators que hoje é a Conty. “Fui desenvolvendo produtos até chegar na tese da Conty, que era simplificar criação de conteúdo. Fui ajustando o produto ao longo de 2025 e em julho consegui chegar ao Product Market Fit (PMF). Começamos a crescer desde então”, conta Pedro, em entrevista ao Startups.
A startup levantou recentemente uma rodada de R$ 250 mil com investidores-anjo como Anderson Diehl, fundador do Angel Investor Club e cofundador do Founders Club, e Ricardo Dias, cofundador da AURA Beauty, de Jade Picon. Para este ano, a Conty planeja ainda fechar uma rodada pré-seed de aproximadamente R$ 1 milhão.
“O dinheiro vai para onde está a atenção das pessoas. O brasileiro passa em média de 3 a 4 horas por dia em redes sociais. Eu acredito muito na creator economy como novo canal de vendas a ser explorado pelas empresas”, afirma Anderson Diehl.
Ricardo destaca que o mercado de creators no Brasil é “gigante”, mas a operação ainda funciona de forma artesanal. “Marcas negociam por DM, pagam no feeling e não conseguem medir o que de fato gerou resultado. Com 10 creators é viável. Com 100, 1 mil, vira caos”, observa.
Segundo ele, o que o motivou a investir na Conty foi ver um time enxuto resolvendo esses problemas com produto, não com serviço. O investidor explica que a plataforma transforma o que era manual e imprevisível em infraestrutura escalável pra marcas.
“A execução do Pedro e da equipe tem sido excepcional, atraindo grandes empresas pela força do produto, sem queimar caixa. Uma grande parte do futuro do marketing não é a marca falando de si mesma, é gente real falando por ela, em escala. Quem resolver a infraestrutura pra isso acontecer de uma forma eficiente e mensurável vai capturar um mercado enorme. A Conty está construindo exatamente essa camada”, diz.
Com mais de 50 mil criadores de conteúdo na sua base, a Conty tem cerca de 100 clientes atualmente, incluindo marcas como iFood, Kaspersky e Atom Educação.
Como funciona o modelo
Na prática, a Conty opera como uma infraestrutura completa para o mercado de criadores: tem marketplace, campanhas, links de rastreamento e ferramentas para negociações diretas entre marcas e creators. O diferencial está na forma de remuneração. Em vez de pagar por seguidores ou alcance estimado, as marcas definem métricas concretas – visualizações, visitas ao site, vendas geradas pelo criador – e só desembolsam o valor acordado quando esses resultados aparecem. É possível também estruturar mensalidades atreladas a metas.
Para Pedro, o modelo resolve uma distorção histórica do setor: números inflados que não se traduzem em resultado concreto para o anunciante. “Nosso objetivo é transformar criatividade em algo previsível e escalável”, afirma. A empresa não se enxerga como uma plataforma de influenciadores no sentido tradicional, mas como um espaço para pessoas criativas em diferentes formatos – o que, na visão do fundador, amplia o escopo para além do nicho de celebridades digitais.
De creator a head de Partnerships
A trajetória de Gabriel Gentil dentro da Conty ilustra bem o tipo de ecossistema que a startup quer construir. Ele conheceu a plataforma como criador de conteúdo – e foi a primeira vez que conseguiu monetizar seu trabalho como creator. “Nunca tinha ganhado dinheiro como criador de conteúdo antes”, conta.
Mas Gentil não chegou à Conty só pelo lado da criação. Antes de ser creator, ele já atuava como CEO da Agência Follow, atendendo empresas locais com planejamento de mídia e marketing de influência. Ao pesquisar outras plataformas do mercado, esbarrou em mensalidades altas e complexidade operacional. Na Conty, se candidatou a campanhas – entre elas, uma para a Kaspersky – e encontrou o que chamou de “produto fantástico”.
A experiência positiva nos dois lados da plataforma abriu caminho para uma mudança de papel: Gentil passou a ser head de Partnerships da Conty, com foco em estratégias de vendas. Hoje, a Conty é o principal parceiro de marketing de influência dele também para os clientes da sua agência.
O post Essa startup quer ajudar os creators a monetizar a criatividade apareceu primeiro em Startups.

