
A Desenvolve SP, agência de fomento do Estado de São Paulo, anunciou um investimento de R$ 25 milhões no fundo de venture capital Big Bets II, gerido pela Genuinamente Tech Gestão de Recursos. O veículo tem foco em startups de software em estágio inicial com alto potencial de escalabilidade – especialmente em inteligência artificial e serviços digitais.
O movimento reforça a atuação da Desenvolve SP no ecossistema de startups. A instituição vem estruturando estratégias para estimular a inovação, apoiar o crescimento de empresas de tecnologia e fortalecer o ambiente de empreendedorismo no estado. Com o novo aporte, o volume comprometido pela agência chega a R$ 630 milhões em 15 fundos estruturados – um portfólio que vai de agronegócio sustentável à saúde e inovação tecnológica.
“Nossa missão é democratizar o crédito produtivo”, afirma Ricardo Brito, diretor-presidente da Desenvolve SP, em entrevista ao Startups. “Existem bons projetos que não saem do papel por falta de crédito. São Paulo, sendo o estado das oportunidades, precisa também ser o estado das oportunidades de negócios.”
A proposta, segundo o executivo, é complementar – e não competir com o mercado. A lógica é usar capital público para reduzir riscos e atrair investidores privados, viabilizando projetos que não avançariam sozinhos. “Na economia, isso é o que chamamos de crowd in: o recurso público entra primeiro, atraindo mais recurso privado depois”, explica.
A estratégia, aponta Ricardo, também responde a um desafio estrutural do país: o baixo crescimento da produtividade. “A renda per capita não cresce porque a produtividade não aumenta. Precisamos financiar novos negócios, especialmente startups, que transformem o mercado em algo mais produtivo”, diz.
Modelo de longo prazo
A abordagem da Desenvolve SP se inspira no programa Yozma, criado por Israel nos anos 1990 para impulsionar seu ecossistema de inovação. Na época, o governo investiu US$ 100 milhões em fundos de venture capital, assumindo participação minoritária para atrair o setor privado, responsável pela seleção e gestão dos investimentos.
“A ideia é fazer um ‘Yozma paulista’. Entramos como investidor minoritário e buscamos encontrar bons empreendedores, já validados pelo capital privado”, afirma Ricardo.
Segundo ele, trata-se de uma estratégia contínua de investimento em fundos com teses de impacto produtivo ou sustentável. A agência também busca se conectar com outras gestoras e está aberta a novas parcerias.
A opção por investir via fundos, e não diretamente nas startups, passa por especialização. “São setores muito técnicos. É inviável que a Desenvolve SP concentre especialistas em todos eles”, diz. “Ter gestoras experientes traz mais segurança na curadoria e na gestão do portfólio.”
Nesse modelo, a agência aporta o capital, enquanto as gestoras ficam responsáveis pela seleção e acompanhamento das startups. “Entramos com o recurso; eles, com a expertise – e ainda atraem mais capital. Assim, conseguimos melhores resultados”, explica.
A estratégia não substitui a atuação direta da Desenvolve SP. “Qualquer CNPJ no estado pode acessar crédito conosco. São frentes diferentes: em um caso, a empresa precisa de dívida; no outro, de um sócio. Quando é participação acionária, delegamos ao gestor a escolha do portfólio.”
A tese do Big Bets II
O fundo big_bets II mira startups de software, aproveitando o avanço da inteligência artificial e a demanda crescente por produtividade.
Do lado da Desenvolve SP, Ricardo destaca dois pilares na análise dos fundos: retorno financeiro e impacto. “Precisamos enxergar viabilidade econômica, mas também geração de produtividade, emprego, renda e sustentabilidade ambiental.”
O portfólio da instituição já reflete essa diversidade. Além de fundos de tecnologia, a agência tem participação em iniciativas como um fundo agroflorestal no Vale do Ribeira e projetos voltados ao saneamento sustentável.
Para a big_bets, a entrada da Desenvolve SP também funciona como um selo institucional. Segundo Alexandre Mello, sócio-fundador da gestora, o processo de seleção foi rigoroso e reforça a credibilidade da estratégia. “Ter um investidor com esse perfil valida a seriedade do nosso trabalho e a consistência da nossa estratégia de longo prazo”, afirma.
A parceria não altera a tese do fundo. Ele segue focado em startups pré-seed e seed, com modelos intensivos em software, alto potencial de escala e eficiência de capital. “A estratégia permanece a mesma. O que muda é o nível de exigência em governança, disciplina e responsabilidade na alocação”, diz.
A aposta se baseia em duas forças. De um lado, o avanço da inteligência artificial, que deve guiar a próxima geração de startups. De outro, o cenário macroeconômico brasileiro, que reduziu a oferta de capital e pressionou valuations. “Esse descompasso cria uma situação rara: investir em negócios expostos ao atual ciclo de entusiasmo em torno de software e IA, mas em patamares de preço mais atraentes”, afirma.
Nesse contexto, o Brasil surge como um mercado com potencial relevante, combinando base empreendedora forte e problemas complexos a serem resolvidos. “A parceria com a Desenvolve SP ajuda a sustentar esse esforço em um momento importante para a competitividade do país”, completa Alexandre.
O post Desenvolve SP aporta R$ 25M em fundo de VC focado em software e IA apareceu primeiro em Startups.


