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Leandro Lopes, diretor sênior de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina. Imagem: Nutanix/Divulgação

 

Leandro Lopes, diretor sênior de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina, não hesita ao comparar o Brasil à Europa quando o assunto é soberania de dados. Para ele, a combinação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) com exigências regulatórias setoriais coloca o País em uma posição singular: tem muito dado interno represado e, por isso, muito a ganhar com infraestrutura de inteligência artificial que não dependa de provedores estrangeiros.

“A base da IA hoje é dado. O cliente tem esse dado, mas por regulamentação não pode fazer com que ele saia da sua casa”, disse Lopes durante coletiva de imprensa realizada no evento. Ele citou o exemplo de instituições financeiras que acumulam milhões de transações de cartão e boleto, mas não conseguem explorar esse ativo com modelos de inteligência artificial por restrições de contratos interbancários e normas como PCI.

O executivo avalia que o mercado brasileiro se divide em três estágios de maturidade. Os grandes provedores de nuvem globais estão tecnologicamente preparados, mas têm o “calcanhar de Aquiles” na soberania. Os provedores de serviços locais têm apelo de governança, mas precisam avançar em tecnologia e portfólio. E o próprio cliente corporativo, que roda inteligência artificial dentro de casa, é onde Lopes enxerga a maior oportunidade para a Nutanix.

Leia também: Nutanix aposta em IA agêntica e soberania digital no .NEXT 2026

O problema do vizinho barulhento

Um dos desafios mais concretos da era dos agentes de inteligência artificial, segundo Lopes, é a disputa desigual por recursos computacionais. Em ambientes com dezenas ou centenas de agentes rodando simultaneamente, um único processo mal configurado pode consumir toda a capacidade disponível e deixar os demais ociosos. “Você pode ter um agente consumindo tudo e os outros 99 parados, porque a aplicação foi mal desenhada”, disse.

É para resolver esse problema que a Nutanix apresentou o Service Provider Central, portal de gerenciamento multilocatário lançado no .NEXT 2026. Lopes usou uma analogia para explicar o conceito: imagine um prédio com vários apartamentos, cada um alugado para um inquilino diferente, mas com uma única estrutura de base. A solução permite dividir a infraestrutura de forma que cada cliente ou área de negócio opere em seu próprio espaço isolado, com garantias de segurança, conformidade e uso justo de recursos, incluindo unidades de processamento gráfico.

A proposta é relevante tanto para provedores de serviços com múltiplos clientes quanto para empresas que precisam separar internamente os ambientes de finanças, compras e recursos humanos, todos rodando sobre a mesma plataforma.

A migração que ninguém consegue fazer de um dia para o outro

Outro ponto destacado por Lopes foi a expansão do programa para provedores de serviços, com incentivo financeiro direto para quem está migrando de plataformas concorrentes. O pano de fundo é a mudança de política de licenciamento promovida pela Broadcom após a aquisição da VMware, que elevou custos para muitos provedores e os deixou buscando alternativas.

O problema, segundo Lopes, é que a migração tecnológica nunca é instantânea. Durante o período de transição, o provedor acaba pagando pelos dois ambientes ao mesmo tempo, o antigo e o novo, sem conseguir repassar esse custo ao cliente final. “Existe uma sobreposição de custo. Ele não pode simplesmente deixar de pagar o provedor A e começar a pagar o provedor B hoje”, explicou. O programa da Nutanix, chamado Elevate Service Provider, busca aliviar justamente esse intervalo.

Neoclouds no radar

Lopes também enfatizou o surgimento das neoclouds, operadoras especializadas em processamento de inteligência artificial que estão ganhando força na Europa e começam a aparecer no radar brasileiro. Originadas em empresas de telecomunicações que evoluíram para provedores de serviços, essas operadoras oferecem infraestrutura de processamento com apelo de soberania: os dados ficam no País, sob legislação local, sem as ambiguidades dos contratos com provedores globais.

Para o executivo, o Brasil tem condições de seguir esse caminho. “Eu vejo o mercado brasileiro e latino-americano muito mais conectado ao que acontece na Europa do que ao que se vê nos Estados Unidos, pela questão natural de governança e soberania.”

*A jornalista viajou a convite da Nutanix

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