
A BugHunt, plataforma brasileira especializada em programas de bug bounty, entrou em 2026 com foco na internacionalização. Após seis anos de operação no Brasil, a empresa passa a levar seu modelo de segurança colaborativa para a América Latina, com projetos já em andamento ou em fase de lançamento em mercados como México, Chile, Peru e Colômbia.
Fundada pelos irmãos Caio e Bruno Telles, a startup conecta organizações a uma comunidade com mais de 25 mil hackers éticos – especialistas em segurança da informação dedicados a encontrar e relatar falhas, vulnerabilidades e bugs em sistemas. O modelo de negócio é baseado na contratação pelas empresas, que pagam para estruturar e operar programas de bug bounty na plataforma, enquanto os hackers são remunerados pelas falhas identificadas.
A BugHunt surgiu a partir da percepção dos fundadores de que o bug bounty já ganhava tração no mercado norte-americano, mas ainda era pouco explorado no Brasil. Com mais de 40 clientes, entre eles OLX, WebMotors e TIM Brasil, a plataforma já ajudou a evitar perdas superiores a R$ 50 milhões para as organizações. O valor está relacionado à identificação antecipada de vulnerabilidades que poderiam resultar em incidentes, vazamentos de dados ou interrupções operacionais.
A decisão de expandir o negócio acompanha o movimento da própria base de clientes. Segundo Caio, grande parte das empresas atendidas já possui presença internacional, especialmente na América Latina e nos Estados Unidos. À medida que esses ambientes digitais se tornam mais conectados, cresce também a demanda por uma abordagem de segurança contínua e integrada entre países.
“O Brasil sempre esteve alguns passos à frente da América Latina em relação à cibersegurança. A gente entende que agora é a hora de a região começar a se mexer mais”, afirma o empreendedor.
Caio destaca que países como o Chile já contam com comunidades organizadas de hackers que buscam falhas em plataformas internacionais, mas ainda carecem de uma estrutura local para intermediar programas de bug bounty. É esse espaço, ainda em formação, que a BugHunt pretende ocupar.
A estratégia da empresa é entrar cedo nesses mercados, replicando o movimento adotado no Brasil: crescer junto com a formação da demanda.
Como vai funcionar
A expansão internacional não prevê, ao menos no curto prazo, a abertura de escritórios físicos. A operação será conduzida de forma remota, com a plataforma – já disponível em português, inglês e espanhol, e com suporte a pagamentos em reais e dólar – atendendo diretamente empresas e profissionais nos novos mercados.
Para atrair especialistas fora do Brasil, a startup pretende patrocinar eventos de comunidades de segurança na América Latina, repetindo a estratégia usada no mercado brasileiro. A meta é adicionar entre 5 mil e 7 mil novos hackers à base até o fim de 2026.
Capitalização e próximos passos
Mesmo com a expansão no radar, a BugHunt segue operando sem investimento externo. A empresa é bootstrap e foi financiada inicialmente com recursos de uma consultoria de segurança criada pelos próprios fundadores.
Segundo Caio, ainda não há planos de captação. “Não há necessidade financeira. Só faria sentido se fosse um smart money, algo que vai tirar a gente do patamar 1 e levar para o 2 muito rápido”, diz.
Além da expansão geográfica, a empresa planeja implementar funcionalidades de inteligência artificial na plataforma ao longo de 2026, acompanhando um movimento já observado em concorrentes internacionais como HackerOne e BugCrowd.
Na avaliação do fundador, o principal risco está no uso da tecnologia sem processos estruturados de segurança. Ele cita casos recentes de aplicações desenvolvidas com forte apoio de IA que acabaram expondo dados sensíveis por falhas básicas. “O uso de IA acelera muito, mas, se não tiver um processo de segurança junto, vira um risco grande”, afirma.
O post BugHunt avança na América Latina para levar bug bounty a novos mercados apareceu primeiro em Startups.


