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Cesario Martins, CEO da Zoop, durante o Zoop Payments Leadership: Pós SXSW | Crédito: Divulgação

Os pagamentos digitais já fazem parte do cotidiano do brasileiro – e o próximo passo pode ser delegar essa função à inteligência artificial. Essa foi a principal provocação do Zoop Payments Leadership: Pós SXSW, que colocou os chamados pagamentos agênticos no centro da discussão sobre o futuro do setor financeiro no Brasil. Realizado nesta terça-feira (8), em São Paulo, o evento reuniu executivos de tecnologia, finanças e marketing para traduzir os principais debates do SXSW em uma leitura aplicada ao contexto brasileiro.

“Os agentes de IA já fazem parte da sociedade, e farão ainda mais”, disse Cesario Martins, CEO da Zoop. Para o executivo, o próximo salto do setor financeiro está na capacidade desses agentes realizarem transações em nome dos usuários, ampliando a conveniência no dia a dia. “Se dermos aos agentes de IA a capacidade de fazer pagamentos, eles vão executar isso de forma muito mais simples. Para isso, é necessário criar sistemas que garantam segurança e responsabilidade”, afirmou.

Com participação de  Christiane Pelajo (CNBC), Ricardo Natale (Experience Club), Vanessa Mathias (White Rabbit), Marcello Vieira (TikTok), Marcella Calfi (Zoop), Andréa Fernandes (Publicis Groupe Brasil), Marcelo Gripa (Futuros Possíveis) e Lucas Pestalozzi (HSR), o encontro discutiu os impactos práticos da IA em pagamentos, embedded finance e novas infraestruturas financeiras. A conversa partiu de um cenário em que pagamentos deixam de ser apenas uma etapa operacional e passam a atuar como alavanca de crescimento nas empresas.

A pesquisa “Meios de pagamentos no Brasil”, encomendada pela Zoop e realizada pela Futuros Possíveis em parceria com a PiniOn, reforça esse movimento. Mais de 60% dos respondentes dizem considerar o uso de IA para realizar compras e pagamentos, mesmo com 85% afirmando não conhecer o conceito.

O dado reforça um comportamento já conhecido no país: a rápida adoção de novas tecnologias, mesmo antes de um entendimento completo sobre seu funcionamento. “A barreira não é cultural, é educativa”, afirmou Marcelo Gripa. “O brasileiro já demonstrou que não precisa dominar a tecnologia para utilizá-la.” 

A vez do Tap to Pay

Para Cesario Martins, da Zoop, a evolução dos pagamentos passa pela construção de ecossistemas mais robustos. “A fintech nasce de um core business forte, que sustenta o ecossistema e permite a criação de novas frentes de negócio”, disse.

Nesse contexto, o embedded finance ganha espaço nas estratégias corporativas. A Zoop aposta nesse modelo ao permitir que empresas integrem serviços financeiros – como pagamentos e contas digitais – diretamente às suas operações.

Entre os exemplos práticos está o avanço do Tap to Pay, tecnologia que transforma o celular em uma maquininha de cartão. Segundo a empresa, a solução já ultrapassa 1 milhão de dispositivos em cerca de dois anos.

A mudança, de acordo com Cesario, é estrutural: ao migrar do hardware para o software, os pagamentos passam a escalar na velocidade do ecossistema. “É uma funcionalidade que destrava muito valor, principalmente para pequenos e médios negócios”, afirmou.

A pesquisa da Futuros Possíveis acompanha essa tendência: 60% dos consumidores consideram o Tap to Pay mais simples do que maquininhas tradicionais. Entre os recebedores, o índice chega a 72%.

Hoje, cerca de 80% dos brasileiros já utilizam o celular para pagamentos em lojas físicas, número que pode chegar a 90% quando há incentivos como descontos ou cashback. Além disso, 25% dos consumidores pretendem ampliar o uso de pagamentos digitais nos próximos seis meses, enquanto 51% demonstram interesse em testar novos métodos.

Novos desafios

Se a demanda existe, o avanço depende de base tecnológica e preparação do mercado. Do lado das empresas, isso passa por investimento em infraestrutura, segurança e acesso a crédito. Já do lado dos usuários, envolve educação e familiaridade com novos modelos.

Segurança e praticidade seguem como fatores decisivos para a adoção. Para 42% dos entrevistados, o uso de IA em pagamentos depende diretamente dessas condições. Nesse cenário, iniciativas de conscientização e treinamento ganham peso, tanto para varejistas, que precisarão supervisionar agentes autônomos, quanto para usuários, que passam a lidar com ferramentas mais complexas. 

A partir das discussões do Zoop Payments Leadership: Pós SXSW, executivos apontaram que os pagamentos agênticos ainda exigem mais clareza sobre funcionamento e responsabilidades, especialmente em um cenário em que sistemas podem tomar decisões financeiras de forma autônoma.

O post Pagamentos com IA ganham força e apontam o próximo salto do setor apareceu primeiro em Startups.