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Comunicação precisa acontecer junto com a construção | Foto: Canva

*Por Rodrigo Santiago, comunicador especialista em narrativas de tecnologia e futuro e relações públicas do Maravalley

A inovação sempre foi vendida como algo técnico, formada por tecnologia, infraestrutura, investimento e dados. Mas existe uma ferramenta que continua sendo subestimada e que, na prática, define o sucesso ou o fracasso de qualquer iniciativa: a comunicação, que permite que a inovação seja compreendida. Foi isso que eu levei para o palco do Smart City Expo Curitiba, um dos principais eventos de cidades inteligentes das Américas.

Porque quando falamos de inovação, estamos falando de algo que, na maioria das vezes, não é óbvio. Estamos falando de sistemas complexos, de impacto de longo prazo, de decisões estratégicas e, muitas vezes, de verdadeiros exercícios de futurismo. E tudo isso precisa chegar de forma certa nas pessoas, porque a inovação não é auto explicativa. 

Bons projetos não se explicam sozinhos e o cenário atual só reforça isso, porque vivemos um momento em que qualquer decisão, pública ou privada, é constantemente analisada, questionada e reinterpretada em tempo real. E sem tradução, sem contexto e sem narrativa, até os melhores projetos correm o risco de serem mal compreendidos e o que não é compreendido não é defendido.

Durante muito tempo, a comunicação foi tratada como uma etapa final, como algo que entra depois, depois do produto, da política pública e da execução, mas isso não funciona mais. Hoje, a comunicação precisa acontecer junto com a construção, porque estamos lidando com temas que não são tangíveis no curto prazo. E é justamente com essa compreensão que a comunicação deixa de ser acessório e passa a ser uma infraestrutura de entendimento.

No Smart City Expo Curitiba, em uma conversa com o Beto Marcelino, presidente do conselho do iCities, empresa que organiza o evento, um comentário dele me chamou atenção: “quando o ecossistema se mobiliza e eventos como esse acontecem, gestores públicos se sentem mais empoderados para buscar soluções dentro do próprio ecossistema e acaba caindo por terra aquele conceito de que a gestão pública é um pouco mais burocrática”.

Com esse comentário, eu consigo confirmar minha própria tese de que a inovação não acontece isoladamente, ela acontece quando existe circulação de informação qualificada, conexão entre os atores do ecossistema e visibilidade para soluções. E é exatamente isso que a comunicação potencializa.

Na minha atuação no Maravalley, hub de tecnologia e inovação da cidade do Rio de Janeiro, esse aprendizado se tornou muito concreto, porque quando entrei em janeiro de 2025, o hub já existia fisicamente. Mas precisava existir narrativamente e isso influenciou completamente a forma como estruturamos a comunicação através da criação de canais próprios, da ativação de vozes externas por meio de embaixadores, com uma presença constante nos eventos do ecossistema e com uma produção contínua de conteúdo qualificado. Porque um hub não pode depender apenas de si para existir, ele precisa ser reconhecido, interpretado e compartilhado.

E a inovação é um projeto coletivo e quando a comunicação falha, a inovação passa a ser percebida como algo restrito, como se fosse uma aposta de poucos, a minha proposta então é que ela seja um política de todos. Como esses projetos de inovação normalmente envolvem as cidades onde estão instalados, a inovação precisa ser compreendida,  debatida e apropriada pela sociedade, para que tenhamos escala, legitimidade e continuidade.

Se tem uma coisa que a gente precisa entender agora, é que a inovação precisa ser comunicada com a mesma estratégia com que é construída. E não entendida apenas como uma divulgação, mas como parte do próprio processo. Na minha trajetória em ecossistemas de inovação, eu compreendo que o impacto não está apenas no que está sendo criado, mas em quantas pessoas conseguem entender, acessar e se engajar com isso.

O post A comunicação não pode ser acessório da inovação apareceu primeiro em Startups.