
O Nubank anunciou nesta quinta-feira (10) a aquisição dos naming rights do estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, atualmente conhecido como Allianz Parque. O novo nome da arena será definido por votação pública, aberta até 30 de abril, com três opções: Nubank Parque, Parque Nubank e Nubank Arena.
Segundo Lívia Chanes, CEO do Nubank Brasil, a iniciativa faz parte da busca por novas formas de se relacionar com os clientes e se aproximar das paixões dos brasileiros. “Estamos em um momento muito especial, com a operação consolidada no Brasil, com solidez e confiança construídas junto a clientes e mercado. Ao mesmo tempo, é um momento de exportar esse modelo para outras geografias”, disse, durante coletiva de imprensa.
A parceria não envolve ligação direta com o Palmeiras. Ainda assim, o Nubank afirma que vai respeitar a torcida e o papel do estádio como casa do clube, ao mesmo tempo em que pretende ampliar o uso do espaço para diferentes públicos, com foco em inclusão.
Como parte desse movimento, a empresa adotará uma nova paleta de cores na arena, combinando o roxo característico da marca com o verde e o branco, em referência ao Palmeiras. A mudança visual definitiva deve acontecer em julho, com uma transição gradual iniciada já nas próximas semanas.
Inaugurado em 2014, o Allianz Parque teve seu acordo de naming rights com a seguradora alemã firmado em junho de 2013, período em que o Nubank ainda dava seus primeiros passos.
O anúncio da parceria veio cercado de bastante suspense – e não por acaso. Nas semanas anteriores, já circulavam no mercado rumores de que o Nubank estaria negociando os naming rights do estádio. Para evitar que a novidade fosse descoberta antes da hora, a localização do evento, marcado para as 11h, só foi divulgada às 8h. Os convidados receberam um voucher do Uber com o codinome “Project Pig” – referência que só fez sentido depois: “pig” é um dos apelidos históricos do Palmeiras, carregado de rivalidade no futebol paulista.
Jogo de longo prazo
“O estádio do Palmeiras tem protagonismo no Brasil e na América Latina, por receber eventos memoráveis, de shows a jogos de futebol. Estamos felizes em levar a marca e a experiência do Nubank para esse ambiente, que já representa inovação no entretenimento”, afirmou Lívia.
Segundo a executiva, os três nomes propostos buscam equilibrar a tradição do espaço com a proposta de inovação da empresa. Como parte da estratégia de engajamento, quem participar da votação poderá ter o nome exibido na fachada do estádio.
O Nubank já vinha sinalizando interesse em esportes ao vivo, com parcerias como o Inter Miami CF e a escuderia Mercedes na Fórmula 1. O contrato com a WTorre, administradora da arena, marca o primeiro movimento da fintech nesse segmento no mercado brasileiro.
A movimentação não é isolada. Nos últimos meses, empresas de tecnologia têm ampliado presença no esporte como estratégia de marca e relacionamento. O Uber fechou patrocínio master com o Uberlândia Esporte Clube, incluindo naming rights, presença em camisa, centro de treinamento e estádio. Já o Google tornou-se patrocinador da Seleção Brasileira de Futebol – masculina, feminina e de base – com foco em produtos como o Google Gemini.
Para o Nubank, o investimento em São Paulo reforça a presença no mercado local enquanto a empresa avança globalmente. “O Brasil é a casa do Nubank”, disse Lívia. Sem divulgar valores ou detalhes do contrato, a executiva afirmou que se trata de um investimento de longo prazo.
O que muda agora?
Para Marcelo Frazão, vice-presidente da WTorre Entretenimento, a parceria reforça a integração entre tecnologia e experiências presenciais. Segundo ele, mesmo com a digitalização, eventos ao vivo seguem centrais por promover encontros coletivos e memoráveis.
Nesse contexto, a entrada do Nubank reforça o papel das arenas como plataformas estratégicas de marca – especialmente para empresas nascidas no ambiente digital. “Trabalhamos para melhorar a experiência do consumidor, e a chegada do Nubank reforça o uso de tecnologia em prol do Palmeiras e dos fãs de shows e esportes”, afirmou.
Marcelo também destacou que o setor financeiro já tem presença relevante em naming rights de estádios. Questionado sobre possíveis conflitos com patrocinadores anteriores, como a Crefisa, o executivo disse que o clube manteve uma postura profissional durante as negociações, priorizando a rentabilidade do ativo e os interesses da arena.
A Crefisa, empresa de crédito consignado ligada à presidente do Palmeiras, Leila Pereira, foi patrocinadora master do clube entre 2015 e 2024. O Nubank atua no mesmo segmento, o que poderia gerar atritos. Porém, segundo Marcelo, as conversas sempre estiveram centradas no que seria melhor para o estádio e o clube.
O Nubank afirma ter “muitas ideias” para benefícios e experiências, mas ainda não detalha os planos. “O movimento parte de prover experiências diferenciadas. Embora sejamos uma empresa digital, nosso DNA sempre esteve nas experiências”, concluiu Lívia.
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