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Ricardo Brandão, CEO da Skyone | Foto: divulgação
Ricardo Brandão, CEO da Skyone | Foto: divulgação

Em meio à ressaca pós-pandemia e à ansiedade das empresas em relação aos impactos da IA em seus negócios, a Skyone tomou uma decisão: resolveu buscar novos (e maiores) investidores para bancar a próxima etapa de seu plano de expansão. No fim do ano passado, encontrou a Advent International, que bancou uma série C de valor não divulgado. A partir de 2026, com o dinheiro no caixa, a companhia está intensificando seu go-to-market — e também de olho em possibilidades de M&A para crescer 50% até o fim do ano.

A Advent foi o segundo fundo internacional a apostar nessa “nova fase” da Skyone. Um ano antes, a empresa já havia captado US$ 60 milhões com a BeWater. Segundo o CEO Ricardo Brandão, o aporte da Advent foi “consideravelmente maior”.

“A Advent já nos acompanhava desde 2023. É bastante característico deles estarem próximos da empresa, acompanhando, vendo como o plano evolui”, conta o CEO. O timing foi estratégico: com o novo investidor, saiu o InovaBra, que havia entrado na companhia em 2021 com um aporte de R$ 45 milhões, estava completando seu ciclo de quatro a cinco anos e precisava de liquidez.

Parte do capital entrou como primário, para financiar o crescimento, e parte como secundário, abrindo espaço para a saída de investidores que já estavam no limite de seu horizonte de retorno. “Calhou trazer um fundo internacional, com reputação super forte, que poderia nos levar para o próximo ciclo”, resume o executivo, em conversa exclusiva com o Startups.

Com o novo aporte, a meta é acelerar o ritmo de crescimento de 2025, ano em que a Skyone faturou R$ 400 milhões. Para 2026, a projeção é crescer 50%, ou seja, chegar à marca dos R$ 600 milhões. Segundo Ricardo, o motor orgânico segue sendo a expansão da base de clientes e do ecossistema de parceiros, hoje com 25 mil clientes e 400 canais ativos (ISVs), software houses e empresas especializadas por segmento que distribuem a plataforma da Skyone.

“São 60% da nossa venda via canal e 40% venda direta”, diz Ricardo. Atualmente, a companhia já está em 35 países, com 20% a 25% da receita vindo de fora do Brasil, metade disso do eixo Estados Unidos e Canadá, e a outra metade da América Latina.

A tese que a Advent comprou

Contudo, conforme explica o CEO, a tese que convenceu a Advent vai além dos números. A bem da verdade, ela parte de uma observação ainda simples do mercado: a maioria das empresas de pequeno e médio porte ainda não tem a “casa arrumada” para acessar os benefícios da inteligência artificial.

“60% dos clientes de ERP no Brasil ainda rodam on-premises, ou seja, com servidores dentro de casa, sem cloud, sem dados organizados, sem condições reais de acessar o que a IA tem para oferecer”, analisa Ricardo. “O posicionamento muito claro foi que nós somos o agente da transformação dessa PME para ela ir para esse novo mercado”, completa.

Conforme explica o executivo, parte dos novos investimentos foi destinada à atualização da plataforma proprietária da companhia, que orquestra a infraestrutura de cloud e entrega isso ao cliente com camadas de cibersegurança, integração de dados e, mais recentemente, IA.

“A beleza onde a Advent chegou é que existe um mercado bilionário a capturar, porque esse cliente não consegue pular direto do on-premise para a AI. Então a gente vai capturar essa jornada de migração para cloud, para organização de dados, para aí sim ele entrar no novo mercado, que é a era de AI”, destaca.

Nesse novo modelo, a Skyone quer ir além de seu papel de integradora e fornecedora de cloud, entrando também na entrega de aplicações de IA, em dois modelos distintos. O primeiro é como plataforma de construção de agentes para o cliente final e para os parceiros ISVs, que usam a infraestrutura da empresa para criar automações embedadas em seus próprios softwares. O segundo é um marketplace onde agentes desenvolvidos por parceiros, integradores e pela própria Skyone são disponibilizados ao mercado.

Para escalar nessas frentes, a Skyone contratou mais de 50 profissionais nos últimos quatro meses, focando em arquitetos de soluções, pré-vendas e gestores de parceiros. Por outro lado, o headcount geral cresceu apenas 10% em 12 meses, mesmo com uma expansão de 40% na receita.

“A gente tem se aproveitado de crescer não só baseado em gente, mas também com uma performance que vem muito da cabeça de um fundo como a Advent, que é de growth, mas também de muita eficiência e geração de caixa para alimentar o crescimento”, pontua o CEO.

M&As no horizonte

Perguntado sobre M&As, Ricardo revela que o capital injetado pela Advent também financia uma agenda de fusões que já está ativa e com conversas avançadas. “Duas negociações estão em estágio avançado e devem ser concluídas no primeiro semestre de 2026”, afirma o CEO.

Sobre o perfil das possíveis empresas adquiridas, Ricardo destaca que o pipeline segue duas lógicas distintas. A primeira é de consolidação horizontal, adquirindo empresas que fazem algo parecido com o que a Skyone já faz, expandindo o ecossistema e a penetração em microsegmentos onde a companhia ainda não tem especialização suficiente. “São empresas bem menores que a gente, mas que conseguimos transformar, aumentar a margem e reforçar o ecossistema”, diz.

A segunda tese é mais cirúrgica e reflete o momento de crescimento da demanda por IA: adquirir equipes ou empresas que estão desenvolvendo soluções específicas para nichos, como automações verticalizadas, e que podem ser integradas ao marketplace da plataforma.

Em março do ano passado, a Skyone já fez um movimento nessa direção, comprando a pernambucana N3urons, especializada em IA para automação de BI. “Estamos com esse olhar de trazer macro-hire de pessoas incríveis que estão resolvendo problemas de segmentos específicos e que possam estar aqui com a gente criando esses agentes e oferecendo para o ecossistema”, diz Ricardo.

E é ao falar de pessoas que o CEO aproveita para frisar o potencial futuro da Skyone. Mais do que tecnologias, a companhia aposta nos dados e no conhecimento dos negócios como uma proteção contra a comoditização que assombra o setor em tempos de IA. “O diferencial nunca foi tecnológico. Foi de conhecimento dos processos de negócio, da implantação, da organização dos dados”, finaliza.

O post Com aporte da Advent e M&As em vista, Skyone quer crescer 50% apareceu primeiro em Startups.