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WhatsApp | Foto: Shutterstock
WhatsApp | Foto: Shutterstock

A ofensiva da União Europeia (UE) contra a Meta por restringir o acesso de assistentes de IA rivais ao WhatsApp adiciona pressão global sobre uma tese que também vem sendo debatida no Brasil: o app se tornou uma infraestrutura crítica para distribuição de inteligência artificial, e fechar esse canal pode redefinir vencedores e perdedores no setor.

Nesta quarta-feira (15), a Comissão Europeia afirmou que a tentativa da Meta de substituir o bloqueio de chatbots de terceiros por uma cobrança de acesso não resolve a principal preocupação antitruste: o risco de exclusão de concorrentes enquanto o Meta AI continua integrado normalmente ao WhatsApp. A entidade quer que a companhia volte ao modelo anterior e mantenha o acesso aberto durante a investigação.

O movimento conversa diretamente com o processo aberto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em janeiro, quando o órgão brasileiro determinou a suspensão cautelar da regra que impediria empresas de IA de usar a API do WhatsApp Business para distribuir seus próprios assistentes. Na prática, a autarquia evitou que OpenAI, Perplexity e Microsoft fossem empurradas para fora do aplicativo de mensagens.

A Meta está sob investigação na União Europeia desde que alterou, em outubro passado, seus termos de acesso para provedores alternativos de serviços de IA, gerando preocupação entre concorrentes de que poderiam perder o acesso ao WhatsApp. O Cade também apura possíveis práticas anticoncorrenciais por parte da big tech.

A Comissão enviou uma segunda notificação formal à Meta após concluir que sua proposta de cobrar taxas de assistentes de IA rivais no WhatsApp seria equivalente, na prática, a uma proibição total de acesso.

A Meta sustenta que o mercado de IA segue altamente competitivo, argumentando que assistentes rivais continuam acessíveis aos usuários por outros canais, como lojas de aplicativos, mecanismos de busca, provedores de e-mail e sistemas operacionais. Em resposta à nova notificação da Comissão Europeia, o porta-voz Joshua Breckman afirmou que o órgão estaria tentando usar seu poder regulatório para permitir que algumas das maiores empresas do mundo utilizem gratuitamente um produto pago, o WhatsApp Business.

Na visão da companhia, uma eventual medida cautelar beneficiaria concorrentes como a OpenAI às custas de consumidores e pequenos negócios, ao transferir o custo da operação para empresas que já pagam pela plataforma.

“Na prática, isso significaria que uma pequena padaria na França, que usa o serviço para receber pedidos de croissants, estaria bancando a conta da OpenAI”, disse. A fala reforça a estratégia da Meta de enquadrar o debate não como fechamento de mercado, mas como uma disputa sobre quem deve arcar com o custo da infraestrutura de distribuição dentro do WhatsApp.

O post UE pressiona Meta e reforça tese do Cade sobre IA no WhatsApp apareceu primeiro em Startups.