
Criada há um ano, a Uruk Capital nasceu para atender a uma demanda do mercado de inovação por novas fontes de financiamento – ao mesmo tempo em que a tendência de “fintechização” dos negócios também vem ganhando força. Como tudo que é novo, definir a atuação da casa em conceitos conhecidos não é fácil, mas o fundador André Pina chegou a uma categoria que ele chama de “credit venture partner”.
“Não é gestora, nem é venture debt. A gente junta dois conceitos: o que o mercado reconhece como venture builder, junto com um conceito de parceiro de crédito”, explica o fundador e CEO da Uruk.
A ideia é atuar como um viabilizador de funding para empresas que querem desenvolver ou expandir produtos de crédito, mas ainda não possuem tamanho suficiente para acessar os grandes bancos e gestoras de crédito. Em uma comparação com o venture capital, é como se a Uruk atuasse no early stage do crédito privado.
“Vou até a Série A de uma construção de crédito”, brinca André. “As grandes casas não querem olhar para nada pequeno, porque o custo do trabalho envolvido inviabiliza o negócio. O que eu ofereço é a oportunidade de ajudar a amadurecer as carteiras de credito e estar mais preparado para quando uma gestora maior quiser”.
Com experiência de 20 anos no mercado de crédito, André quer ajudar as empresas a levarem essas soluções para os seus ecossistemas. A Uruk tem hoje nove parceiros, que podem ser desde startups e fintechs a empresas mais maduras que enxergam que ter solução de crédito no ecossistema pode ser uma fonte de geração de receita.
A casa é agnóstica em termos de setores, mas trabalha menos com nichos mais específicos, como agro e o setor imobiliário. Até agora, os principais segmentos atendidos pela Uruk têm sido em saúde, comércio, educação e marketplaces.
“Eu parto da premissa de que qualquer ação que envolve venda, que não recebe à vista, é uma solução de crédito. Muitas empresas já estão dando crédito e não percebem isso”, observa André.
O modelo da casa pode envolver funding, com uso de instrumentos como FIDCs, mas também atender a empresa apenas na parte do know-how da operação. Nos casos em que há funding, os cheques variam, em média, entre R$ 10 mil a R$ 5 milhões.
Oportunidade global em crédito privado
Se o venture capital já consolidou um vocabulário próprio no ecossistema de inovação, o crédito privado ainda vive uma fase de construção de linguagem, processos e interlocutores. Não por acaso, Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, definiu recentemente o mercado de crédito privado global como vivendo um “momento adolescente”. Ou seja, uma etapa de crescimento acelerado, mas também de aprendizado para credores e tomadores.
É nesse espaço que a Uruk Capital tenta se posicionar. Ao se definir como uma “credit venture partner”, a casa aposta em um papel que vai além do funding, mas transborda para a própria consolidação desse mercado no Brasil.
Com André baseado na Califórnia, a Uruk começou a estudar oportunidades nos Estados Unidos e na América Latina, enxergando paralelos entre o estágio atual do mercado americano de private credit e o momento vivido pelo Brasil. A estratégia, por ora, é se consolidar no mercado brasileiro, mas a ambição já é atuar como ponte para investidores e empresas que buscam desenvolver soluções de crédito em escala internacional.
“Uma tese que eu tenho é que as gestoras estão ficando sem capacidade de inovação no sentido de oferecer produtos. Se você conversa com institucionais, todos já investem em crédito, venture capital, todo mundo está fazendo um pouco de tudo. A próxima fronteira de investimento para um brasileiro é encontrar ativos alternativos fora do Brasil”, aponta André.
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