
Nos últimos dez anos, a Selbetti deixou de ser apenas conhecida como uma empresa referência no mercado de impressão para ser vista como uma das maiores compradoras de software no país. Após 45 aquisições, o plano da companhia fundada em 1977, quando ainda produzia máquinas de escrever, é claro: se tornar um fornecedor de ponta a ponta (ou um “one-stop-tech”, nas palavras deles) em tecnologia. E, segundo seu CEO, o plano continua, com mais aquisições previstas para 2026 e a meta de chegar a R$ 1 bilhão em receita até o ano que vem.
“Não queremos só entregar serviços de impressão, mas crescer em outras unidades de negócio, e, para isso, apostamos em uma tese de crescimento inorgânico, adquirindo tecnologia para diversificar o nosso lineup”, afirma o CEO José Selbach Jr. – mais conhecido como Junior – em conversa com o Startups.
A estratégia ainda é jovem em contraste com o tempo de vida da empresa de Joinville, mas, segundo o executivo, ela já deu certo. Atualmente, a parte de serviços de impressão da companhia ainda responde por 50% da receita. A empresa administra hoje aproximadamente 180 mil equipamentos de MPS em todo o Brasil, numa capilaridade construída aquisição por aquisição ao longo dos anos.
Mas o restante da receita já vem de um ecossistema que mal existia há cinco anos e que tem sua fortaleza em duas verticais importantes: varejo e saúde, que respondem por 40% da receita. “Hoje, saúde é nossa principal vertical fora do core de impressão, respondendo por 23% da receita total”, afirma José. Na base de clientes estão nomes como Grupo Fleury, Hospital Albert Einstein, Hospital Mãe de Deus e Santa Casa de Porto Alegre, entre outros.
Na parte de varejo, a Selbetti atende nomes como Mercado Livre, Amazon, DHL, Shopee e Magazine Luiza, com produtos que vão desde etiquetagem de pedidos até gerenciamento de hardware de expedição. “Dos dez maiores varejistas do Brasil, nove são clientes da Selbetti com algum tipo de solução”, afirma o CEO.
Rumo ao R$ 1 bilhão
Por falar em receita, em 2025 a Selbetti fechou o período com um faturamento na casa dos R$ 750 milhões, crescimento de 15% sobre o ano anterior. Isso não chegou a contar as cinco aquisições que a companhia fez no ano passado, que, somadas, projetam entre R$ 80 e R$ 100 milhões em receita anualizada.
Conforme destaca José Selbach Jr., os M&As dão uma ideia das direções em que a Selbetti está olhando. Uma das principais, segundo o CEO, foi a da MD2, especializada em dados e inteligência artificial, que marcou a abertura de uma unidade focada em IA.
Completando a lista estão a EiPrice, plataforma de inteligência de preços para o varejo; a Euax Consultoria, que estruturou a unidade de Business Consulting; a Unirede, de Porto Alegre, focada em gerenciamento de rede, SOC e NOC; e a Pricefy, voltada à experiência do usuário no ponto de venda.
Para 2026, o plano é repetir o volume de M&As com maior precisão estratégica. Aliás, o plano já começou: em janeiro, a empresa fez sua primeira compra do ano: a Zecode, empresa de São Caetano do Sul especializada em automação para o varejo (leitores, coletores, código de barras, manutenção de balanças), que deve ser integrada oficialmente até o fim de abril. Com receita de R$ 25 milhões, ela reforça a BU de retail.
Outras duas operações estão em fase final: uma empresa de MPS (planejamento de produção) em Minas Gerais, com virada prevista para o mesmo período, e uma empresa de software de monitoramento de contas, billing e rateio, do interior de São Paulo, com integração esperada para 1º de junho.
“Nosso objetivo é fazer de 5 a 6 aquisições este ano, com investimento estimado entre R$ 80 e R$ 100 milhões”, resume o CEO, destacando o foco em duas frentes montadas recentemente – uma focada em IA e dados e outra em cibersegurança.
Para este ano, a tese é fortalecer as dez unidades de negócio já existentes, sem abrir novas verticais por agora. “Vamos consolidar dentro do nosso modelo. Cada nova empresa adquirida entra em uma unidade já montada, com time, linguagem e foco no cliente final de cada segmento”, explica.
Com a “máquina de M&As” em plena atividade, a Selbetti mira R$ 900 milhões de receita em 2026 e a marca de R$ 1 bilhão em 2027. Segundo o CEO, o plano agressivo de crescimento se mantém da mesma forma que foi feito nos últimos 11 anos: com o próprio dinheiro.
Perguntado pela reportagem do Startups, José admite que diversos fundos já procuraram a Selbetti, interessados na tese de consolidação executada pelo negócio. “Já fomos sondados várias vezes, mas resistimos e fazemos investimento com recurso próprio”, afirma o CEO. “Nosso plano é seguir até o R$ 1 bilhão com as próprias pernas. Depois, a gente repensa, ou não”, finaliza, com um sorriso no rosto.
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