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A União Europeia quer reequilibrar o mercado de buscas digitais ao propor que o Google compartilhe dados com concorrentes, incluindo plataformas que operam com inteligência artificial (IA). A medida, apresentada pela Comissão Europeia, integra a aplicação do Digital Markets Act (DMA) e mira diretamente a posição dominante da empresa no setor.

Pela proposta, o Google deverá permitir que mecanismos de busca de terceiros acessem dados utilizados em suas operações, incluindo informações que alimentam ferramentas com funcionalidades de busca baseadas em IA. A iniciativa estabelece parâmetros sobre o escopo dos dados, a frequência de compartilhamento e os critérios de acesso por parte das empresas interessadas.

A Comissão Europeia argumenta que o objetivo é ampliar a competitividade no mercado digital, permitindo que outros players desenvolvam serviços mais eficientes e disputem espaço com o Google Search. O modelo também prevê regras específicas para precificação desses dados e mecanismos para garantir que informações pessoais sejam anonimizadas antes de qualquer compartilhamento.

Segundo a Reuters, o movimento enfrenta forte resistência da companhia. Representantes do Google classificaram a proposta como excessiva e levantaram preocupações sobre os impactos à privacidade dos usuários. A empresa afirma que a exigência pode expor dados sensíveis e comprometer a confiança construída com milhões de europeus, especialmente em buscas relacionadas a temas pessoais, como saúde e finanças.

Pressão regulatória

A discussão ocorre em um contexto mais amplo de pressão regulatória sobre grandes empresas de tecnologia. O Google já acumula bilhões de euros em multas aplicadas por autoridades europeias desde 2017, em diferentes casos ligados a práticas antitruste. Com o DMA, a União Europeia busca não apenas penalizar, mas estruturar regras preventivas para evitar concentração excessiva de poder digital.

Outro ponto central da proposta é a inclusão de sistemas de inteligência artificial no escopo regulatório. Ao exigir que dados de busca sejam compartilhados também com plataformas baseadas em IA, o regulador sinaliza preocupação com a próxima camada de competição tecnológica. A ideia é evitar que o domínio histórico do Google em buscas se traduza automaticamente em liderança absoluta na nova geração de ferramentas inteligentes.

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O debate também expõe um dilema crescente na indústria: como equilibrar inovação, competição e proteção de dados. De um lado, reguladores defendem que o acesso a dados é essencial para estimular novos entrantes e acelerar o desenvolvimento tecnológico. De outro, empresas argumentam que a abertura indiscriminada pode gerar riscos à segurança e reduzir incentivos à inovação proprietária.

A proposta ficará aberta para contribuições de empresas e demais interessados até o início de maio. A decisão final da Comissão Europeia está prevista para julho, quando deverão ser definidos os detalhes operacionais da medida e possíveis ajustes após a consulta pública.

Enquanto isso, o Google já indicou que pretende contestar as exigências, o que pode prolongar o embate regulatório nos próximos meses. O caso se soma a uma série de disputas entre grandes plataformas digitais e autoridades europeias, que têm adotado uma postura mais intervencionista para redefinir as regras do mercado tecnológico global.

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