
O primeiro dia de conteúdo do IT Forum Trancoso 2026 trouxe para o palco um exemplo da força do ecossistema e dos relacionamentos na geração de negócios. No ano passado, a edição de Praia do Forte do evento aproximou os executivos Nelson Campelo, CEO da Atos para a América Latina, e Leonardo Poça D’água, CEO da Semantix, resultando na aquisição da Atos pela Semantix, anunciada em primeira mão pelo IT Forum em dezembro de 2025.
Agora, prestes a concluir a transação, os executivos se uniram para falar sobre a trajetória que os levou ao negócio. “Esse encontro foi consequência de ações que venho promovendo na Atos há três anos, quando estávamos em um patamar diferente do restante do grupo. O momento coincidiu com a vontade do grupo de se desfazer de alguns ativos”, conta Campelo.
Já para Poça D’água, a compra representa uma nova aposta da Semantix no Brasil. O CEO conta que quando fez sua volta ao País em 2024, a empresa já tinha em seus planos uma expansão inorgânica. Sua busca, no entanto, era focada em companhias em missão crítica, predominantemente latino-americana, com um olhar ainda mais atento para as organizações brasileiras. “Ao observar o potencial do Brasil, sentimos um chamado para reassumir o controle da companhia. Aproveitamos esse momento de inflação controlada, mas de custo de capital alto e crescente, para entrar e investir. Esta é a hora de desenvolver o que quer que seja: uma empresa, uma tecnologia ou um país”, enfatiza.
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Nesse sentido, o executivo ressalta ainda que pretende seguir com uma estratégia que combina crescimento orgânico e inorgânico. O movimento, para ele, faz parte de uma transição natural do mercado, conforme a inteligência artificial (IA) avança. “O mercado precisa passar por uma consolidação. Não vão sobreviver 100 mil empresas de IA. Isso passa por um processo de crescimento orgânico e inorgânico.”
Ao longo do painel, Campelo e Poça D’água aproveitaram para trazer ao público o novo posicionamento da Semantix após a conclusão da aquisição, esperada para o dia 30 de abril. Segundo o CEO da Atos, os três pilares que sustentarão a nova fase são dados, inteligência artificial e uma cultura de atendimento ao cliente, sendo este último o mais ressaltado pelo executivo, que deseja priorizar ainda mais a proximidade com os clientes diante das possíveis intercorrências do dia a dia. “No mercado de tecnologia, por melhor que seja uma solução, ela pode dar problema. Esse pilar do atendimento é uma fortaleza que priorizamos”, declara.
Na prática, a combinação entre as duas empresas unirá a operação, a presença regional e cerca de 2,8 mil profissionais da Atos, e a plataforma proprietária de dados e IA da Semantix, com foco em ambientes críticos, verticais reguladas e aplicações de missão essencial. A junção, de acordo com Campelo, permitirá que os clientes tenham uma visão mais objetiva sobre como utilizar a inteligência artificial no dia a dia de suas organizações. Para ele, esta é, inclusive, uma necessidade do mercado de tecnologia como um todo.
“Nesse novo mundo da inteligência artificial, é cada vez mais importante falar de inteligência aumentada, porque a IA, sozinha, não resolve nada. Ela precisa das pessoas”, finaliza Campelo.
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