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Imagem panorâmica de um grande palco em um evento corporativo ou tecnológico, visto a partir da plateia. O palco é amplo, com piso escuro e iluminação cênica profissional. Na parte frontal do palco, aparece o texto “itforum” em letras brancas grandes. Sobre o palco, várias pessoas estão sentadas em cadeiras individuais, participando de um painel de discussão, cada uma com uma pequena mesa lateral. Ao fundo, há grandes telas digitais coloridas. No painel central, lê-se o texto: “PAINEL CIOs: GENTE E AGENTES O QUE MUDA A PARTIR DE AGORA?”. Nas telas laterais, aparecem retratos estilizados de participantes acompanhados de nomes visíveis, como “RENATA MARQUES”, “EDUARDO GOMES”, “SUZANA RUBINIC” e “DÉBORAH OLIVEIRA”. À direita do palco, um painel circular exibe o logotipo “itforum”. A plateia aparece em primeiro plano, em área escura, com várias pessoas sentadas assistindo à apresentação. O conjunto transmite o contexto de uma conferência ou fórum profissional focado em tecnologia e inovação. (RH)

Para além de apenas uma solução, a inteligência artificial (IA) tem afetado diversas áreas das organizações, sendo uma das mais atingidas, a de Recursos Humanos (RH). A tecnologia trouxe, não só, novos desafios em relação a gestão e saúde mental dos colaboradores, como também a perspectiva de um redesenho organizacional, para o qual os profissionais de RH precisam estar cada vez mais preparados. Segundo Renata Marques, executiva de TI e professora da Escola de Liderança Itaqui, o futuro consistirá em gerir humanos e agentes, em novos fluxos de trabalho que ainda serão criados.

“Estamos vivendo um momento em que os líderes precisam ter discernimento para entender quando vamos precisar de um agente e quando vamos precisar de gente. E não se trata de substituir um humano por uma máquina, mas sim de definir novas topologias de times e novas formas de chegar aos resultados. E se perguntar, sempre, se aquele é um trabalho repetitivo ou não, porque este tende a ser delegado”, opina.

Neste domingo (19), a executiva participou do painel “Gente e agentes o que muda a partir de agora?”, promovido pelo IT Forum Trancoso 2026, que reuniu CIOs e CHROs para falar sobre o tema. O conteúdo, moderado pela CCO e CMO do Itaqui, Déborah Oliveira, também contou com a presença de Rodrigo Ribeiro Gonçalves, diretor de Tecnologia e Inovação, e Gente e Cultura da uisa, e Suzana Kubric, CHRO do Nubank.

Para a diretora da fintech, o momento é de grande disrupção. No banco, a executiva conta que tem gerido um programa de transformação que abrange todas as áreas, buscando trazer a inteligência artificial para todos os processos da organização. A agenda tem sido tratada como um combate a uma ameaça existencial e colocada em prática por meio de treinamentos, programas de incentivo à adoção e a contratação de pessoas que já sejam, pelo menos, entusiastas da tecnologia.

“Da mesma forma que o Nubank transformou o mercado financeiro no passado, sabemos que o mesmo pode acontecer conosco por uma empresa que seja AI first, e é isso que estamos acelerando para nos tornarmos”, explica.

Leia mais: IA na prática: CIOs debatem resultados e próximos passos de projetos

A ideia de adotar IA, para o diretor da uisa, também parece inevitável. O executivo, no entanto, ressalta que é a união entre o humano e a máquina que trazem a real inovação. Durante o painel, Gonçalves compartilhou com a plateia um case de dentro da uisa no qual, para testar a produtividade um modelo de agente de IA, a companhia dividiu a produção entre agentes e humanos.

“Foi curioso porque nos três primeiros dias, a IA apresentou mais eficiência, mais produção. Mas, no quarto dia, nós notamos que empatou e, em diante, os operadores começaram a fazer melhor que a tecnologia. Porque eles começaram a ver o que a IA estava fazendo, imitar e melhorar o processo. Ou seja, ele aprendeu com a IA, começou a encontrar gaps dela e a ensinou ao final. É um ganha-ganha transformacional”, conta.

Uma nova liderança

A ideia vai ao encontro da crença de Renata de que, quanto mais digital nos tornamos, mais “high touch” precisamos nos tornar. Para a executiva, para passar pelas próximas transformações, além de saber lidar melhor com a tecnologia, os setores de recursos humanos das empresas precisam desenvolver cada vez mais suas lideranças para que estas saibam ampliar as capacidades humanas. No caso dos líderes de TI, ela ressalta que o desenvolvimento passa por voltar a aprender.

“A liderança é quem vai orquestrar toda essa mudança. E os executivos de TI precisam ter a humildade de voltar a colocar a mão na massa e se propor a aprender o novo. É preciso ser mais guri e menos guru. Esta é a saída para as lideranças, mostrar que está tudo bem não saber”, enfatiza.

Gonçalves concorda: os desafios de liderar têm se transformado e, cada vez mais, é preciso estar próximo aos colaboradores para seguir produzindo. A dificuldade, para ele, se encontra em manter a atenção das pessoas. Não é impressão isolada: segundo a pesquisa Antes da TI, a Estratégia, do IT Forum Inteligência, comunicação (47%) é o segundo maior gap de soft skills entre times de TI, atrás apenas de visão de negócio (49%). Para Gonçalves, o sintoma prático disso é a dificuldade de manter a atenção das pessoas.”.

“Nossa dificuldade é prender a atenção das pessoas, porque quando você coloca agentes, o nosso papel se torna inspirar. É a inspiração que vai trazer comprometimento, lealdade. Quando você inspira, a pessoa não quer te decepcionar”, diz.

Apesar de ver o papel de líder como essencial nesse momento, Suzana percebe o cenário de forma diferente. Para a CHRO, as empresas têm um papel a cumprir, mas o tamanho da transformação trará algumas perdas no meio do caminho. “A mudança de paradigma vai ser brutal para a humanidade, e isso gera muita ansiedade. Mas o apoio que podemos proporcionar é limitado, porque ainda estamos descobrindo também os próximos passos. E nisso, algumas pessoas vão ficar pelo caminho”, opina.

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