
Para além de apenas uma solução, a inteligência artificial (IA) tem afetado diversas áreas das organizações, sendo uma das mais atingidas, a de Recursos Humanos (RH). A tecnologia trouxe, não só, novos desafios em relação a gestão e saúde mental dos colaboradores, como também a perspectiva de um redesenho organizacional, para o qual os profissionais de RH precisam estar cada vez mais preparados. Segundo Renata Marques, executiva de TI e professora da Escola de Liderança Itaqui, o futuro consistirá em gerir humanos e agentes, em novos fluxos de trabalho que ainda serão criados.
“Estamos vivendo um momento em que os líderes precisam ter discernimento para entender quando vamos precisar de um agente e quando vamos precisar de gente. E não se trata de substituir um humano por uma máquina, mas sim de definir novas topologias de times e novas formas de chegar aos resultados. E se perguntar, sempre, se aquele é um trabalho repetitivo ou não, porque este tende a ser delegado”, opina.
Neste domingo (19), a executiva participou do painel “Gente e agentes o que muda a partir de agora?”, promovido pelo IT Forum Trancoso 2026, que reuniu CIOs e CHROs para falar sobre o tema. O conteúdo, moderado pela CCO e CMO do Itaqui, Déborah Oliveira, também contou com a presença de Rodrigo Ribeiro Gonçalves, diretor de Tecnologia e Inovação, e Gente e Cultura da uisa, e Suzana Kubric, CHRO do Nubank.
Para a diretora da fintech, o momento é de grande disrupção. No banco, a executiva conta que tem gerido um programa de transformação que abrange todas as áreas, buscando trazer a inteligência artificial para todos os processos da organização. A agenda tem sido tratada como um combate a uma ameaça existencial e colocada em prática por meio de treinamentos, programas de incentivo à adoção e a contratação de pessoas que já sejam, pelo menos, entusiastas da tecnologia.
“Da mesma forma que o Nubank transformou o mercado financeiro no passado, sabemos que o mesmo pode acontecer conosco por uma empresa que seja AI first, e é isso que estamos acelerando para nos tornarmos”, explica.
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A ideia de adotar IA, para o diretor da uisa, também parece inevitável. O executivo, no entanto, ressalta que é a união entre o humano e a máquina que trazem a real inovação. Durante o painel, Gonçalves compartilhou com a plateia um case de dentro da uisa no qual, para testar a produtividade um modelo de agente de IA, a companhia dividiu a produção entre agentes e humanos.
“Foi curioso porque nos três primeiros dias, a IA apresentou mais eficiência, mais produção. Mas, no quarto dia, nós notamos que empatou e, em diante, os operadores começaram a fazer melhor que a tecnologia. Porque eles começaram a ver o que a IA estava fazendo, imitar e melhorar o processo. Ou seja, ele aprendeu com a IA, começou a encontrar gaps dela e a ensinou ao final. É um ganha-ganha transformacional”, conta.
Uma nova liderança
A ideia vai ao encontro da crença de Renata de que, quanto mais digital nos tornamos, mais “high touch” precisamos nos tornar. Para a executiva, para passar pelas próximas transformações, além de saber lidar melhor com a tecnologia, os setores de recursos humanos das empresas precisam desenvolver cada vez mais suas lideranças para que estas saibam ampliar as capacidades humanas. No caso dos líderes de TI, ela ressalta que o desenvolvimento passa por voltar a aprender.
“A liderança é quem vai orquestrar toda essa mudança. E os executivos de TI precisam ter a humildade de voltar a colocar a mão na massa e se propor a aprender o novo. É preciso ser mais guri e menos guru. Esta é a saída para as lideranças, mostrar que está tudo bem não saber”, enfatiza.
Gonçalves concorda: os desafios de liderar têm se transformado e, cada vez mais, é preciso estar próximo aos colaboradores para seguir produzindo. A dificuldade, para ele, se encontra em manter a atenção das pessoas. Não é impressão isolada: segundo a pesquisa Antes da TI, a Estratégia, do IT Forum Inteligência, comunicação (47%) é o segundo maior gap de soft skills entre times de TI, atrás apenas de visão de negócio (49%). Para Gonçalves, o sintoma prático disso é a dificuldade de manter a atenção das pessoas.”.
“Nossa dificuldade é prender a atenção das pessoas, porque quando você coloca agentes, o nosso papel se torna inspirar. É a inspiração que vai trazer comprometimento, lealdade. Quando você inspira, a pessoa não quer te decepcionar”, diz.
Apesar de ver o papel de líder como essencial nesse momento, Suzana percebe o cenário de forma diferente. Para a CHRO, as empresas têm um papel a cumprir, mas o tamanho da transformação trará algumas perdas no meio do caminho. “A mudança de paradigma vai ser brutal para a humanidade, e isso gera muita ansiedade. Mas o apoio que podemos proporcionar é limitado, porque ainda estamos descobrindo também os próximos passos. E nisso, algumas pessoas vão ficar pelo caminho”, opina.
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