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Imagem de um ambiente interno corporativo moderno, com várias pessoas utilizando equipamentos de tecnologia. Em primeiro plano, uma pessoa está em pé segurando um laptop aberto, vestindo roupa clara e usando um crachá no pescoço. Ao fundo, outra pessoa segura uma prancheta com documentos impressos. Há mesas de trabalho com computadores, teclados e fones de ouvido. Um monitor grande exibe uma interface digital com gráficos e elementos tecnológicos em tons de azul. O espaço possui grandes janelas com vista para prédios urbanos, estrutura metálica aparente no teto e iluminação uniforme, sugerindo um escritório de tecnologia ou inovação. (juniores)

Por Julio Viana

Ferramentas de programação com IA estão mudando a rotina no desenvolvimento de software e fazendo profissionais juniores se questionarem se suas habilidades serão necessárias e se seus trabalhos são à prova de futuro. A indústria está mostrando o contrário: tudo indica que empresas que usam IA produtivamente precisam de mais pessoas desenvolvedoras, não menos. Independentemente de quanta IA é usada, a expertise humana continua crucial ao construir sistemas complexos, e aqueles que começam como juniores hoje já trazem consigo o “músculo de colaboração da IA” que as equipes precisam no momento.

Esse novo mindset é muito útil, considerando que a demanda por habilidades de programação está crescendo exatamente onde times estão escalando com inteligência artificial. A chave para juniores é, portanto, não trabalhar “contra” a IA, mas com ela, dado que trabalhar com copilotos traz novas ideias e uma curva de aprendizado alta para times existentes. Dados do GitHub reforçam isso: pessoas desenvolvedoras dizem que se sentem 50% mais inovadoras com ferramentas e processos intuitivos. É exatamente aqui que o know-how de profissionais experientes e expertise em arquitetura convergem.

Ao abraçar o “músculo de colaboração da IA”, há algumas dicas para profissionais iniciantes usarem-o no trabalho. Uma primeira dica é usar a IA para programar com mais rapidez, mas também para aprender. Também segundo o GitHub, 57% das pessoas desenvolvedoras mencionam o aprimoramento de habilidades como a principal vantagem das ferramentas de IA.

Leia mais: Quanto mais digital, mais humano: o desafio de liderar times com agentes de IA

Cada prompt pode ser transformado em um mini tutorial ao solicitar uma explicação sobre as etapas das soluções, alternativas e respectivas vantagens e desvantagens, tudo dentro do contexto do problema em que se trabalha. Isso transforma a IA de um sistema que autocompleta para uma ferramenta de aprendizado, permitindo o entendimento do “porquê”, e não apenas “o quê”.

Ao aprender e construir projetos, jovens profissionais ganham mais experiência, o que é essencial para demonstrar em portfolios. Usar plataformas de desenvolvimento de software, projetos open source e sites públicos para apresentar o portfólio é uma ótima oportunidade para demonstrar projetos originais e contribuições para a comunidade, demonstrando as habilidades como engenheiro de software.

Outra dica é revisar o código de outras pessoas e fazer as perguntas certas. Assim, o aprendizado intensifica quando um código não familiar é revisado criticamente, e formular perguntas de revisão específicas de pull requests aguça o olhar para a qualidade. Correções com IA podem ser feitas, mas revisar os resultados manualmente aumenta o julgamento técnico e prático. Afinal, pessoas desenvolvedoras devem permanecer como pilotos ao lado de copilotos.

Enquanto age como copiloto, a IA também pode ajudar a depurar com mais rapidez e inteligência. Ela pode auxiliar com listas de hipóteses e scripts de reprodução sendo gerados e verificados com registros ou rastreamento, além de explicar e sugerir exemplos mínimos reproduzíveis. Depuração é, e segue sendo, uma habilidade cerne para pessoas desenvolvedoras, e mesmo que a IA possa agilizar a busca por erros, ela não pode substituir o toque humano.

O que isso significa para gestores

Se uma coisa está sendo comprovada é que as empresas não deveriam contratar menos juniores por causa da IA. Eles se identificam com a inteligência artificial, combinando novas ideias com as melhores ferramentas disponíveis e, assim, abrindo caminhos para novas soluções. Empresas que evitam contratar jovens talentos podem ter o risco de ficarem presas ao status quo, indo contra o que a inovação requer: novas perspectivas.

Fazer esse movimento estratégico também contribui para o ecossistema: universidades ensinam fundamentos sólidos, mas raramente ensinam como trabalhar com grandes bases de código e profundidade técnica. Oferecer mais estágios e cargos iniciantes mostra a realidade da carreira e acelera o desenvolvimento de habilidades para essa próxima geração.

Esse cenário mostra que o mercado está em realinhamento. Dados mostram que há dificuldades para cargos iniciantes tradicionais, mas sem juniores, haverá falta de profissionais qualificados, diversidade e inovação. É justamente isso que aumenta o valor de jovens talentos que utilizam IA de forma colaborativa e possuem uma base sólida.

Times realmente eficazes combinam perfis juniores e seniores, e integram a expertise em IA à aplicação e trabalho do dia a dia. Empresas que entendem esse cenário estão investindo em jovens talentos hoje, e garantindo um software melhor e um ciclo de aprendizado mais rápido amanhã.

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