
O VTEX Day 2026 consolidou a inteligência artificial (IA) e a automação como os pilares centrais da nova era do e-commerce brasileiro. O evento, realizado em São Paulo na última semana, revelou que a tecnologia deixou de ser uma camada complementar para se tornar o motor capaz de gerenciar desde o catálogo de produtos até a execução autônoma de pagamentos.
A ascensão dos agentes e da automação
A VTEX apresentou o AI Workspace, ambiente que permite a criação de agentes para automatizar a gestão de mídia, atendimento e processos de e-commerce. Entre as inovações, destacam-se os agentes nativos para promoções e o assistente de compras por IA, capaz de automatizar processos manuais complexos, como o upload de arquivos PDF em operações B2B.
Uma das maiores novidades foi o pré-lançamento do NODO, plataforma de IA nativa desenvolvida pela Kobe. Segundo Fábio Barboza, CEO da companhia, o diferencial está na capacidade da ferramenta de aprender a identidade da empresa antes do contato com o público. “O que diferencia o NODO é onde e como opera. Antes de atender qualquer cliente, aprende quem é a empresa: seu tom de voz, sua personalidade, suas regras comerciais e seu catálogo completo. Cada resposta soa como a própria empresa, não como uma inteligência artificial genérica”, explica Barboza.
Para o executivo, a automação também humaniza o atendimento em larga escala. “É como se o consumidor tivesse à disposição alguém da empresa, com atendimento individual e personalizado a cada acesso ao site”, complementa.
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Pagamentos invisíveis
A automação alcançou o checkout com o conceito de Agent Pay, ou comércio agêntico, apresentado por empresas como Mastercard e Adyen. Nessa modalidade, agentes de IA iniciam e concluem compras de forma autônoma sob consentimento do usuário.
Para a Adyen, a prioridade é preparar a fundação dos sites para que os agentes conversem entre si. Renato Migliacci, vice-presidente de vendas da Adyen Brasil, destacou a fluidez dessa jornada. “Em alguns aplicativos, gastamos mais do que pretendíamos porque o pagamento desapareceu — a etapa de compra se tornou tão natural que deixou de ser percebida. O objetivo é transportar essa experiência para todas as jornadas”, afirma.
Eficiência operacional e segurança
A segurança é uma das principais preocupações da automação no comércio digital. A Unico defende que o uso de IA pode eliminar tarefas repetitivas e garantir mais confiabilidade na luta contra fraudes. Alexander Linhares, diretor de Customer Success e Soluções da empresa, detalhou a estratégia de expandir a tecnologia por toda a companhia. “Criamos uma frente de eficiência corporativa para aplicar IA em tudo o que é repetitivo e automatizável. O resultado é menos etapas e mais segurança. Na prova de vida, por exemplo, eliminamos diversas camadas de verificação de identidade, acelerando o processo sem comprometer a confiabilidade”, explica.
Já a Cielo destacou o uso de machine learning e IA em seus motores de risco para garantir que novas fronteiras, como o link de pagamento via WhatsApp, sejam seguras. Luis Pelizon, superintendente da Cielo, afirma estar convencido da rapidez dessa mudança. “O jeito que compramos pela internet e a forma como os checkouts e e-commerces estão estruturados vão mudar. E vão mudar muito rápido. O objetivo é estruturar uma solução diferenciada para entregar uma experiência melhor para o usuário e segurança para o lojista”, afirma.
Com o e-commerce brasileiro movimentando R$ 235,5 bilhões em 2025, a mensagem do VTEX Day é que a próxima vantagem competitiva virá da capacidade de tratar cada cliente como único por meio de ecossistemas automatizados e inteligentes.
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