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A adoção de inteligência artificial (IA) no setor financeiro está avançando mais rápido do que a capacidade de supervisão dos reguladores, criando um descompasso que já começa a preocupar organismos internacionais. Um levantamento recente, divulgado pela Reuters, mostra que instituições financeiras estão implementando tecnologias de IA em ritmo mais que o dobro das autoridades responsáveis por monitorá-las.

De acordo com o estudo conduzido com apoio de entidades como o Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas cerca de 20% dos reguladores afirmam ter um nível avançado de adoção de IA. Em paralelo, menos de um quarto dessas autoridades coleta dados estruturados sobre como o setor utiliza a tecnologia.

O levantamento também indica que uma parcela significativa dos reguladores sequer planeja avançar na coleta dessas informações no curto prazo, o que limita a capacidade de entender riscos emergentes e tomar decisões baseadas em evidências.

Essa lacuna cria o que o relatório descreve como um “ponto cego” na supervisão, dificultando a avaliação dos impactos reais da inteligência artificial no sistema financeiro global.

Modelos avançados desafiam governança

O avanço de modelos mais sofisticados, como o Mythos, da Anthropic, intensifica essa pressão sobre reguladores. Essas novas gerações de IA têm potencial para explorar vulnerabilidades em sistemas digitais em escala, o que pode comprometer mecanismos tradicionais de controle e auditoria.

A complexidade desses sistemas também levanta dúvidas sobre a eficácia dos modelos atuais de governança, especialmente quando a tecnologia é desenvolvida e operada por terceiros. Nesse cenário, a responsabilidade por eventuais falhas ou ataques se torna mais difícil de delimitar.

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Diante desse cenário, especialistas defendem que as próprias autoridades passem a adotar tecnologias de IA mais avançadas, incluindo sistemas com capacidade de atuação autônoma, conhecidos como IA agêntica, para acompanhar o nível de sofisticação do mercado.

A recomendação é de que reguladores evoluam não apenas em termos de regras, mas também em capacidade técnica, incorporando ferramentas que permitam monitoramento contínuo e respostas mais rápidas a incidentes.

Risco de concentração preocupa

Outro ponto crítico destacado pelo estudo é a crescente dependência do setor financeiro em relação a um número limitado de fornecedores de IA. Cerca de 69% das instituições consultadas utilizam tecnologias da OpenAI, percentual que sobe para 76% quando considerado apenas o setor financeiro.

Esse nível de concentração é visto como um risco sistêmico relevante, já que eventuais falhas, mudanças de preço ou interrupções nesses fornecedores podem gerar impactos amplos em escala global.

Além disso, o uso de modelos de empresas como Google e Anthropic também aparece de forma significativa, reforçando a concentração em poucos players dominantes.

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