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Frederico Tostes, Country Manager da Fortinet Brasil
Frederico Tostes, Country Manager da Fortinet Brasil (Imagem: Giulia Frazão/Startups)

Muito se fala sobre os benefícios da inteligência artificial para o ganho de eficiência das companhias, mas existe um outro lado da tecnologia que exige atenção. Um estudo feito pela empresa de cibersegurança Fortinet divulgado nesta quarta-feira (29) mostra que a IA também está tornando os ataques cibernéticos mais sofisticados, aumentando a exposição das empresas a ataques em nuvens e fazendo disparar os casos de ransomware (sequestro de dados).

Na avaliação de Frederico Tostes, Country Manager da Fortinet Brasil, o avanço da inteligência artificial reduz a barreira de entrada para cibercriminosos e amplia a eficiência dos golpes. Segundo ele, ferramentas baseadas em IA permitem criar campanhas de phishing (golpes que simulam comunicações confiáveis para roubar dados) mais convincentes, com alto nível de personalização e adaptação em tempo real, além de acelerar o desenvolvimento de códigos maliciosos. “A própria inteligência artificial pode ser um grande buraco para a segurança”, afirma em entrevista ao Startups.

Com o uso da tecnologia, criminosos conseguem automatizar ofensivas, testar diferentes abordagens e adaptar rapidamente suas estratégias quando uma tentativa falha — o que acelera o ciclo dos ataques. O executivo também aponta que, ao gerar códigos a partir de bases públicas, essas soluções podem incorporar vulnerabilidades ou trechos maliciosos sem que o usuário perceba, abrindo brechas já na origem das aplicações.

Todo esse movimento ajuda a explicar a explosão de registros no país: de acordo com o relatório da Fortinet, o Brasil concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos somente em 2025. Entre eles, 743 bilhões foram tentativas de negação de serviço (DDoS), capazes de derrubar sistemas e infraestruturas críticas. No mesmo período, o país também registrou 187,5 milhões de atividades de distribuição de malwares, um crescimento de 535% em relação a 2024.

Sem “valores”, ataques são mais rápidos e inteligentes

Outro ponto de atenção é que a inteligência artificial não possui senso crítico ou julgamento sobre o que é seguro ou não. Segundo o country manager, essas ferramentas operam com base em probabilidades, entregando respostas a partir de padrões de dados — e não de uma análise de valores ou consequências. “Aquilo ali não é uma mente que pensa, é cálculo matemático que está dando resposta. Por isso, não há ideal algum”, resume.

O relatório divulgado pela Fortinet também aponta uma mudança estrutural no cibercrime, que deixou de operar de forma isolada e passou a funcionar como uma indústria organizada. Ainda conforme o executivo, os ataques hoje são integrados, combinando diferentes técnicas e etapas de forma coordenada. Esse nível de organização coloca as empresas em desvantagem, já que muitas ainda operam com soluções de segurança fragmentadas, enquanto os criminosos atuam de forma cada vez mais unificada.

No fim do dia, conforme explica o executivo, é uma corrida um tanto desigual. De um lado, os criminosos usam inteligência artificial para atacar em escala e em tempo real; do outro, muitas empresas ainda enfrentam integração entre suas ferramentas de segurança, que atrasam a resposta às ameaças.

“Pelas empresas terem diversas soluções diferentes e diversos ‘desenhos’ diferentes, elas acabam ficando desestruturadas num ataque combinado”, alerta Frederico.

O post Por que a IA é um perigo para a segurança digital? apareceu primeiro em Startups.