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Loja da GameStop em Nova York | Foto: rblfmr / Shutterstock.com

A varejista de jogos GameStop chamou a atenção do mercado nesta segunda-feira (04) ao anunciar a compra do marketplace eBay pelo valor de US$ 56 bilhões. A quantia surpreendeu, por ser quase cinco vezes superior ao valor de mercado da GameStop, que está em cerca de US$ 11 bilhões.

O dinheiro para bancar o negócio viria de três fontes, segundo o comunicado divulgado pela empresa aos acionistas. A primeira é o próprio caixa da varejista, que encerrou janeiro de 2026 com cerca de US$ 9,4 bilhões em caixa e investimentos líquidos — resultado de anos de reestruturação e de uma captação de US$ 4,2 bilhões em dívida de longo prazo com cupom zero, realizada durante a gestão do CEO Ryan Cohen.

A segunda fonte é o financiamento externo. A GameStop já recebeu sinal verde do banco TD Securities, garantindo a disponibilidade de até US$ 20 bilhões em crédito para a aquisição. Com a operação, a varejista tomaria uma dívida de quase duas vezes o seu valor de mercado.

Por fim, a companha informou que usaria como terceira fonte de financiamento a emissão de ações. Como metade da oferta seria paga em papéis da GameStop, a diluição dos atuais acionistas também entra na equação.

A notícia não repercutiu bem entre os investidores, que começaram a se desfazer das suas posições na companhia. Por volta das 14h, as ações da GameStop na Bolsa de Nova York (NYSE) registravam queda de quase 8%, a US$ 24,42.

Por que o eBay?

A lógica estratégica, segundo o CEO, está na complementaridade entre os dois negócios. O eBay é um marketplace com reconhecimento de marca quase universal, mas que vem perdendo fôlego: a empresa gastou US$ 2,4 bilhões em vendas e marketing em 2025 e só conseguiu adicionar um milhão de compradores ativos — um crescimento de menos de 0,75%.

A GameStop enxerga aí uma gordura considerável para cortar. A empresa promete US$ 2 bilhões em reduções de custos anuais já no primeiro ano após o fechamento do negócio — sendo US$ 1,2 bilhão só em marketing, US$ 300 milhões em desenvolvimento de produtos e US$ 500 milhões em despesas administrativas. Com esses cortes, o lucro por ação do eBay saltaria de US$ 4,26 para US$ 7,79, segundo projeções da GameStop.

Além dos números, a varejista oferece um trunfo físico: sua rede de cerca de 1.600 lojas nos Estados Unidos poderia servir como infraestrutura para autenticação, logística e comércio ao vivo do eBay, uma vantagem em categorias como itens colecionáveis, onde a verificação presencial agrega valor.

O homem por trás da aposta

O bilionário canadense Ryan Cohen, fundador da Chewy e atual CEO da GameStop, seria o CEO da empresa fruto da fusão com o eBay. Desde que assumiu o comando da varejista de jogos em janeiro de 2021, ele transformou um prejuízo de US$ 381 milhões em um lucro de US$ 418 milhões em 2025, cortou despesas operacionais em quase metade e zerou a dívida legada da companhia. Ele detém cerca de 9% da GameStop, não recebe salário fixo nem bônus em dinheiro, e seria remunerado exclusivamente pelo desempenho da empresa combinada.

A proposta para o eBay é, em muitos sentidos, a maior aposta de Cohen até agora — e também a mais arriscada. Endividar uma empresa que até pouco tempo era conhecida por sua fragilidade financeira para comprar um negócio quatro vezes maior exige uma execução impecável. O mercado, por ora, ainda está em cima do muro.

O post Por que a GameStop quer se endividar para comprar o eBay? apareceu primeiro em Startups.