
A Wilson Sons, operadora de serviços marítimos, portuários e logísticos do Brasil, concluiu um processo de modernização de sua arquitetura de dados em parceria com a consultoria Triscal.
O projeto, iniciado em 2024, reorganizou o data lake da companhia, estabeleceu uma nova política de governança e criou a infraestrutura necessária para ampliar o uso de analytics, achine learning e inteligência artificial (IA) nas operações.
A iniciativa partiu da área de transformação digital da Wilson Sons, criada em 2023, que assumiu a gestão do data lake já estruturado pela TI e se propôs a elevar o nível de maturidade do ambiente para escala corporativa.
O trabalho envolveu entrevistas com áreas de negócio, análise do ambiente tecnológico existente e o desenho de um novo modelo de governança com políticas, responsabilidades e padrões de acesso à informação.
“Ao assumir a área, já havia um data lake e um alicerce de dados operacional, nosso foco foi refinar essa arquitetura incorporando novos padrões de governança avançada e garantindo escalabilidade e performance”, afirma Thiago Pinto, gerente de inteligência de dados da Wilson Sons.
De data warehouse para a nuvem
Um dos pilares do projeto foi a migração de uma arquitetura tradicional, baseada em data warehouse, para um modelo moderno em nuvem, majoritariamente na AWS, com recursos complementares da Azure.
A mudança incluiu a definição de perfis de usuários e um catálogo corporativo de dados que permite às áreas de negócio localizar informações, entender sua origem e conhecer as regras associadas a cada conjunto de dados.
“A Wilson Sons percebeu que era importante revisar esse modelo e avançar para uma arquitetura moderna em cloud. Nosso papel foi redesenhar essa estrutura com foco em governança e preparação para inovação”, explica Pedro Henrique Cerviño, diretor da Triscal.
Leia mais: Qualcomm avança na digitalização industrial com IA embarcada e plataforma de vigilância agêntica
O resultado foi um ambiente de análise self-service que mantém padrões de governança e confiabilidade e que, segundo Thiago Pinto, segue funcionando dois anos depois exatamente como planejado.
“Se temos hoje um modelo que continua funcionando, é porque houve muito planejamento e envolvimento de diversas áreas, como TI, banco de dados e segurança da informação”, reforça o executivo.
Dashboards migrados para o Power BI
Em 2025, a Wilson Sons deu um passo adicional com o programa Data Viz, que revisou toda a estratégia de visualização de dados da empresa. A plataforma legada foi substituída pelo Microsoft Power BI, adotado corporativamente após avaliação de diferentes alternativas.
A migração, conduzida novamente com apoio da Triscal, mapeou mais de 65 modelos de dados e 300 dashboards e relatórios, classificados por complexidade.
Os painéis mais complexos foram desenvolvidos pela Triscal, enquanto os demais ficaram a cargo da equipe interna de dados da Wilson Sons.
O projeto teve cerca de sete meses de duração e incluiu uma iniciativa de impacto social, onde estudantes do Instituto Rogério Steinberg (IRS), por meio do programa BE Digital Social da Wilson Sons, participaram ativamente do desenvolvimento de visualizações, aplicando conhecimentos em um ambiente corporativo real.
Redução de custos e modelos preditivos para embarcações
Os resultados financeiros foram expressivos; a migração para o novo ambiente de Analytics gerou redução de cerca de 40% nos custos da plataforma, com retorno sobre o investimento estimado em dois anos.
A revisão da arquitetura do data lake também identificou componentes que podiam ser simplificados, reduzindo custos de infraestrutura.
No campo operacional, a nova estrutura abriu caminho para aplicações antes inviáveis. Um exemplo é o monitoramento das embarcações da companhia, dados de sensores instalados nos navios, que antes eram coletados por um parceiro externo, passaram a ser processados internamente a cada 20 segundos, ao longo de toda a costa brasileira.
“Com essa base estruturada, conseguimos desenvolver novos modelos analíticos, hoje temos modelos preditivos capazes de identificar possíveis riscos de manutenção nas embarcações, utilizando técnicas de machine learning”, afirma o gerente.
A infraestrutura também passou a permitir simulações operacionais e financeiras como avaliar o impacto de mudanças em critérios de cobrança, algo que o ambiente anterior não suportava.
Para a Triscal, o projeto ilustra como a governança de dados pode funcionar como fundação para a transformação digital.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!


