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A foto mostra um close-up da tela de um dispositivo móvel exibindo parte do site anthropic.com. No canto superior esquerdo aparece o horário 20:16, e no centro da tela está o texto “AI” em letras pretas sobre fundo branco. A imagem sugere um contexto relacionado à tecnologia e inteligência artificial.

A Anthropic anunciou um acordo com a SpaceX para utilizar toda a capacidade computacional do data center Colossus 1, complexo operado em Memphis, no Tennessee, Estados Unidos, e controlado por Elon Musk após a integração entre SpaceX e xAI.

O movimento ocorre em meio à escalada da demanda por processamento para modelos generativos de inteligência artificial (IA) e evidencia como a corrida pela IA deixou de ser apenas uma disputa de algoritmos para se tornar também uma guerra por energia, chips e capacidade de computação.

Segundo a Anthropic, e de acordo com informações da CNBC, o negócio prevê acesso a mais de 300 megawatts de capacidade computacional. A empresa também afirmou que existe interesse conjunto em desenvolver, futuramente, projetos de infraestrutura com múltiplos gigawatts de processamento no espaço.

Na prática, a parceria deve reforçar diretamente a operação do Claude, modelo de IA generativa da Anthropic, especialmente para usuários das versões pagas Claude Pro e Claude Max, que vêm enfrentando gargalos de desempenho nos últimos meses.

A própria companhia reconheceu recentemente que o crescimento acelerado da demanda gerou pressão sobre sua infraestrutura, afetando estabilidade e performance em horários de pico. O tema virou prioridade estratégica para a empresa, que já vinha fechando acordos multibilionários de capacidade computacional, incluindo uma parceria recente com a Amazon.

Musk e Anthropic

O anúncio chama atenção também pelo contexto político e empresarial envolvendo Elon Musk e a Anthropic. Nos últimos meses, Musk vinha fazendo críticas públicas à empresa, principalmente por divergências relacionadas à postura da companhia diante do governo dos Estados Unidos e debates sobre segurança e regulamentação de IA.

Em fevereiro, o empresário chegou a afirmar que a Anthropic “odiava a civilização ocidental” e ironizou o próprio nome da companhia, sugerindo que ela se tornaria “misantrópica”.

O tom mudou após reuniões recentes entre Musk e executivos da startup. Em publicação na rede X, o empresário afirmou ter passado os últimos dias conversando com integrantes seniores da Anthropic e disse ter ficado impressionado com a equipe e com a preocupação da empresa em desenvolver IA de forma responsável.

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A aproximação acontece em um momento de transformação na estrutura das empresas de Musk. Após integrar a xAI à SpaceX no início do ano, o bilionário afirmou agora que a marca xAI deixará de existir como companhia separada e passará a operar sob o nome SpaceXAI.

O Colossus 1, principal ativo do acordo, tornou-se um dos maiores polos de infraestrutura para IA dos Estados Unidos. O complexo foi criado para sustentar o avanço da xAI na disputa contra empresas como OpenAI, Google e a própria Anthropic.

Mas o crescimento acelerado da instalação também gerou controvérsia. Segundo relatos citados pela CNBC, a operação do data center dependeu da instalação de dezenas de turbinas movidas a gás natural para geração de energia. A medida provocou críticas e protestos em Memphis devido ao aumento da poluição atmosférica na região.

Histórico

Fundada em 2021 por ex-pesquisadores e executivos da OpenAI, a Anthropic tornou-se uma das empresas mais valiosas do setor de IA. A companhia negocia atualmente uma nova rodada de investimentos que pode elevar sua avaliação para cerca de US$ 900 bilhões, de acordo com informações divulgadas pela CNBC.

Além da expansão tecnológica, a empresa enfrenta disputas regulatórias importantes nos Estados Unidos. Em março, o Pentágono classificou a Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos e bloqueou sua participação em projetos militares após desacordos sobre o uso de seus modelos de IA pelo governo americano. A startup acionou judicialmente a administração Trump em tentativas de reverter a decisão.

Enquanto isso, o Departamento de Defesa dos EUA ampliou sua aproximação com o Grok, modelo de IA desenvolvido pela xAI, reforçando a crescente intersecção entre inteligência artificial, infraestrutura crítica e interesses geopolíticos.

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