
A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros, o equivalente a cerca de 23,6 mil unidades em todo o país, segundo a edição 2025 da pesquisa TIC Saúde, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). A desigualdade entre esferas pública e privada é marcante: enquanto 25% dos estabelecimentos privados relataram uso de IA, apenas 11% dos públicos declararam o mesmo.
Como a IA está sendo usada
Entre os estabelecimentos que já utilizam IA, a aplicação mais comum é o uso de ferramentas de geração de texto como ChatGPT e Gemini, mencionada por 76% deles. Em seguida aparecem a mineração de texto e análise de linguagem escrita ou falada (52%) e a automatização de processos e fluxos de trabalho (48%). Aplicações mais especializadas, como reconhecimento e processamento de sinais e imagens (17%) e aprendizagem de máquina (15%), ainda são minoria.
Nas unidades com internação de mais de 50 leitos, o perfil de uso é ligeiramente distinto: o ChatGPT e similares também lideram (85%), mas a automatização de processos ocupa a segunda posição (56%), sinalizando uma demanda maior por eficiência operacional em ambientes hospitalares de maior porte.
Em termos de finalidade, organizar processos clínicos e administrativos é a aplicação mais frequente (45% dos que usam IA), seguida de melhorar a segurança digital (36%) e aumentar a eficiência nos tratamentos (32%).
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Por que a maioria ainda não adotou IA
Entre os estabelecimentos que não utilizam IA, os principais motivos declarados revelam uma combinação de falta de priorização e barreiras estruturais. Para o total de unidades, 62% disseram não ser uma prioridade, seguidos por falta de necessidade ou interesse (53%) e ausência de pessoal capacitado (49%). Questões de incompatibilidade com sistemas existentes (47%) e dificuldades com a qualidade dos dados disponíveis (47%) também foram citadas com frequência.
Nos hospitais de maior porte, o cenário é diferente: o principal obstáculo apontado são os custos elevados (63%), sugerindo que essas instituições reconhecem o potencial da tecnologia, mas encontram dificuldades financeiras para implementá-la. Preocupações com privacidade e proteção de dados foram mencionadas por 47% desse grupo.
Big Data ainda é território de poucos
O uso de análise de Big Data permanece restrito: apenas 9% dos estabelecimentos realizaram esse tipo de análise em 2025 — cerca de 10.886 unidades. A diferença entre público (6%) e privado (11%) persiste, mas o dado mais expressivo é o dos hospitais com mais de 50 leitos: 30% deles realizaram análises de Big Data, tornando-os os principais usuários dessa tecnologia no setor. Entre as fontes de dados utilizadas, predominam registros cadastrais, formulários e prontuários (76%), seguidos por dados de dispositivos inteligentes ou sensores (65%).
Cibersegurança: avanços tímidos e vulnerabilidades persistentes
A segurança da informação segue como um dos pontos de maior atenção no setor de saúde brasileiro. Embora haja crescimento gradual nos indicadores, os números da TIC Saúde 2025 revelam que uma parcela significativa dos estabelecimentos ainda não adota práticas básicas de proteção de dados.
Em 2025, 42% dos estabelecimentos declararam possuir um documento formal de política de segurança da informação — número estável em relação ao ano anterior. A diferença entre setores, porém, é expressiva: enquanto 54% dos estabelecimentos privados contam com esse documento, apenas 28% dos públicos o possuem. Os hospitais com mais de 50 leitos apresentam os maiores índices (72%), o que pode refletir tanto a maior complexidade dessas instituições quanto a pressão regulatória e de compliance a que estão sujeitas.
Conformidade com a LGPD avança, mas ainda é insuficiente
Desde a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o setor de saúde tem sido pressionado a adaptar suas práticas. Em 2025, 46% dos estabelecimentos afirmaram ter realizado campanhas internas de conscientização sobre a lei — leve alta em relação aos 44% de 2024.
A publicação de políticas de privacidade em site próprio foi registrada por 32% das unidades, e a nomeação de um encarregado de dados pessoais (DPO) por apenas 30% — índice que caiu levemente em relação a 2024 entre os estabelecimentos privados.
Serviços digitais ao paciente crescem, mas cobertura ainda é limitada
O acesso dos pacientes a serviços de saúde pela internet avançou em todas as categorias entre 2023 e 2025, mas os percentuais ainda são modestos considerando a capilaridade do sistema de saúde brasileiro.
A funcionalidade mais disponível é a visualização de resultados de exames online, presente em 39% dos estabelecimentos — alta de seis pontos percentuais em relação a 2023. O agendamento de consultas pela internet está disponível em 34% das unidades, e o agendamento de exames em 32%. A interação com a equipe médica via internet, que inclui canais de mensagem e telecomunicação, registrou o crescimento mais expressivo do período: de 16% em 2023 para 35% em 2025.
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o serviço mais oferecido online é a visualização do prontuário (42%), seguido do agendamento de exames (39%) e de consultas (36%) — um perfil que reflete os investimentos do sistema público em digitalização do cuidado primário.
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