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Imagem de close-up de um semicondutor sendo manuseado por uma pessoa usando luvas, com uma placa-mãe ao fundo. A cena destaca o componente essencial para o funcionamento de dispositivos eletrônicos (Chip, semicondutor, processador, chips, hardware, smicondutores, processadores, Intel, AMD, eletrônico, Gartner)

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação intermediou negociações entre a Ceitec, estatal vinculada à pasta, e a empresa chinesa Global Power Technology para produção de semicondutores no Brasil. O acordo, ainda em fase de formalização, reacende uma disputa que o país tenta vencer desde os anos 2000 e que ficou mais urgente com a crise global de chips desencadeada pela pandemia.

A reunião contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além de representantes das duas empresas.

“A parceria possui elevado potencial estratégico e pode contribuir para ampliar capacidades industriais, promover inovação tecnológica e fortalecer a inserção do Brasil em cadeias globais de valor associadas às tecnologias críticas”, afirmou a ministra Luciana Santos.

A Ceitec, instalada em Porto Alegre, atua no projeto e na fabricação de circuitos integrados. Em 2020, o então governo federal decidiu liquidar a empresa. O processo chegou a avançar em 2021, mas foi revertido. Hoje, a estatal concentra receita em chips de identificação logística e veicular, usados em pedágios eletrônicos, estacionamentos e rastreamento de ativos.

Em dezembro de 2024, o MCTI anunciou um aporte de R$ 220 milhões à Ceitec, distribuídos em três anos, destinados ao desenvolvimento de uma nova linha de chips de carbeto de silício (SiC) para dispositivos de potência, com aplicações em energia solar e veículos elétricos.

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Décadas de tentativas

O Brasil já ensaiou entrar no setor de semicondutores pelo menos duas vezes. Na década de 1970, o país construiu uma política de incentivo à indústria eletrônica, implementada nos anos 1980 e abandonada na década seguinte. Em 2000, o tema voltou à pauta como “elo ausente” do complexo eletrônico nacional.

Desde então, uma série de instrumentos foi criada: o Programa CI-Brasil, em 2005, para formação de projetistas de circuitos integrados; o Programa PADIS, em 2007, com desoneração tributária para fabricantes; e linhas de crédito da Finep e do BNDES. O setor chegou a movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano e a gerar mais de 2.500 empregos qualificados, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi).

O Padis parou de aceitar novos projetos em julho de 2020, e a maioria dos seus benefícios expirou em janeiro de 2022.

Corrida global

O contexto internacional pressiona o Brasil a agir. Governos dos Estados Unidos, China, União Europeia, Taiwan, Coreia do Sul, Singapura e Israel mantêm políticas públicas ativas para fortalecer a produção local de chips. Entre 2014 e 2018, o apoio orçamentário total a 21 das principais empresas mundiais do setor somou US$ 36 bilhões, segundo levantamento da OCDE.

Os EUA aprovaram a lei CHIPS, que prevê US$ 52 bilhões para fabricação doméstica de semicondutores. A China planeja injetar até US$ 200 bilhões no setor até 2025. Taiwan e Singapura subsidiam diretamente a construção de fábricas: em Taiwan, o governo cobre cerca de metade dos custos de terreno e construção e 25% dos equipamentos.

No Brasil, a crise de abastecimento impactou diretamente a indústria automotiva. Segundo estudo da BCG divulgado pela Anfavea em 2021, a falta de chips custou ao país a produção de cerca de 120 mil veículos no primeiro semestre daquele ano.

Próximos passos

A parceria com a Global Power Technology ainda não teve seus termos divulgados. A ministra Esther Dweck classificou o acordo como “importante passo para que o Brasil tenha mais capacidade no setor que é de grande importância na área digital.”

A indústria de semicondutores integra os setores estratégicos da Nova Indústria Brasil, política do governo federal com horizonte até 2033, que tem entre seus objetivos reduzir a dependência externa em tecnologias críticas.

Documentos governamentais alertam que o pleno desenvolvimento do setor exige horizonte mínimo de 15 anos, investimentos constantes e articulação entre Estado, academia e setor privado, o mesmo modelo que sustentou o sucesso de Taiwan, Coreia do Sul e China.

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