
Depois de descobrir o segredo para se tornar lucrativa, a Memed agora quer escalar levando inteligência artificial à clínica médica. A healthtech de prescrições eletrônicas acaba de levantar uma rodada de R$ 80 milhões coliderada pelos fundos DGF e BridgeOne, e com participação da DNA Capital, para acelerar esses planos.
Os recursos serão direcionados principalmente para engenharia, produto e ciência de dados, segundo a empresa, inclusive com a contratação de novos colaboradores nas áreas de tecnologia e produto. Rodolfo Chung, CEO da Memed, afirma que a ideia é ir além das prescrições e consolidar a companhia como uma infraestrutura completa para digitalização do sistema de saúde brasileiro.
“A discussão deixou de ser sobre se a prescrição vai migrar para o digital. A questão agora é como transformar essa migração em ganho real de produtividade e qualidade clínica para o médico”, disse ele, por meio de nota.
Fabio Tabalipa, diretor médico da Memed, acrescenta que a inteligência artificial não entra como uma camada adicional sobre o software existente, mas passa a ser parte central do ato de prescrever.
“O médico recebe, no momento da prescrição, contexto sobre interações medicamentosas, posologia adequada ao perfil do paciente e alertas clínicos que antes dependiam de consulta a múltiplas fontes. Não é melhoria de interface. É uma mudança estrutural na forma como o ato clínico acontece, com impacto direto na segurança do paciente e na produtividade do médico”, aponta.
A Memed atingiu o breakeven em junho de 2025, depois de anos queimando caixa. Hoje opera com lucro e projeta fechar 2026 com R$ 100 milhões em receita. O segredo para dar lucro veio após a chegada de Rodolfo Chung, ex-CEO do Zé Delivery, que percebeu que a vocação da healthtech era ajudar a indústria farmacêutica a se comunicar com o médico.
Com o breakeven conquistado, Rodolfo agora foca no crescimento da healthtech, expandindo para além da receita médica e ajudando no acompanhamento do tratemento, com uso de IA. Em entrevista ao Startups em abril deste ano, ele disse que o objetivo é se tornar unicórnio num prazo de quatro ou cinco anos, com fôlego até um eventual IPO.
Após a rodada, a Memed projeta, para os próximos 24 meses, o lançamento de novos recursos de IA aplicada à prescrição, a expansão da integração com prontuários eletrônicos e sistemas hospitalares e o aprofundamento da camada de dados clínicos estruturados.
Em nota, Frederico Greve, sócio do DGF, destacou que a Memed é um ativo construído ao longo de mais de uma década, com efeitos de rede sobre médicos, farmácias e indústria que se reforçam a cada ciclo. “O DGF tem mais de duas décadas investindo em plataformas B2B brasileiras que se tornam infraestrutura de seus setores — e o padrão que reconhecemos na Memed é exatamente esse”, diz.
Vinicius Portas, sócio da BridgeOne, observou que o diferencial da Memed não é apenas o tamanho da base, mas o que essa base produz: dados estruturados sobre prática clínica real, em escala, com engajamento genuíno dos médicos especialistas. “Esse ativo tem valor crescente para médicos, operadoras e para os sistemas público e privado — especialmente agora, quando a IA aplicada à saúde deixa de ser promessa e passa a ser produto entregue ao usuário final”, aponta.
Já Luiz Noronha, sócio da DNA Capital, destacou que a Memed reúne atributos como liderança de mercado consolidada; modelo agnóstico que atende simultaneamente médicos, pacientes, farmácias e a indústria, sem conflitos de interesse; e disciplina financeira comprovada, evidenciada pelo breakeven já atingido.
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