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Oracle
Alexandre Maioral, presidente da Oracle no Brasil, durante o Oracle Data Deep Dive | Crédito: Divulgação

A corrida da inteligência artificial nas empresas já não gira apenas em torno de modelos generativos ou novos chatbots. Durante o Oracle Data Deep Dive, realizado em São Paulo na última quinta-feira (21), a Oracle apresentou a visão de que IA, dados, infraestrutura e segurança deixaram de funcionar como camadas separadas para operar de forma integrada por meio de uma mesma arquitetura corporativa.

“O problema não é a IA, é a base”, afirmou Alexandre Maioral, presidente da Oracle no Brasil, durante a abertura do evento. A fala resume a avaliação da companhia de que muitas empresas aceleraram iniciativas de IA sem resolver gargalos estruturais, como bases fragmentadas, dificuldade de integrar sistemas e ausência de governança sobre dados corporativos.

Ao longo do encontro, executivos e especialistas discutiram como bancos de dados, nuvem e agentes autônomos estão mudando a forma como aplicações corporativas são desenvolvidas. Na avaliação da Oracle, organizações sem uma arquitetura preparada para IA terão dificuldade para escalar projetos, conectar informações internas e manter controle sobre sistemas cada vez mais automatizados.

IA mais próxima dos dados

A visão foi aprofundada por Shasank Chavan, vice-presidente global de tecnologias de banco de dados da Oracle. Segundo ele, a nova geração de aplicações inteligentes exige bancos de dados capazes de compreender contexto, significado e relações entre os dados. “O impacto real acontece quando a IA trabalha com dados privados, mantendo-os protegidos”, disse o executivo.

A estratégia da companhia é levar a inteligência artificial até os dados – e não o contrário. Isso significa incorporar recursos de IA diretamente ao banco de dados, permitindo que agentes inteligentes consultem informações, automatizem processos e executem tarefas com mais velocidade e segurança.

Durante o keynote, Chavan destacou o uso de vetores de IA – estruturas capazes de transformar documentos, imagens e vídeos em representações compreensíveis para modelos de inteligência artificial. A proposta é unificar buscas tradicionais e semânticas em um único ambiente. Segundo a Oracle, esse modelo reduz a complexidade operacional criada pelo uso de múltiplos bancos especializados. “O caos de dados desacelera a inovação e dificulta a IA”, afirmou.

Outro ponto levantado foi a necessidade de construir ambientes mais confiáveis para agentes autônomos. Para a empresa, sistemas capazes de tomar decisões e executar tarefas de forma independente exigem acesso rápido aos dados, além de mecanismos de segurança e governança integrados à própria arquitetura. “O banco de dados precisa compreender significados, não só padrões”, pontuou o executivo.

Agentes autônomos e nova engenharia de software

O evento também abordou o avanço dos agentes de IA, sistemas capazes de planejar ações, tomar decisões e operar de forma autônoma. Para a Oracle, essa evolução deve alterar aplicações empresariais e a própria lógica de desenvolvimento de software.

Durante a apresentação conduzida por Leandro Vieira, vice-presidente sênior de IA e Tech Cloud para a América Latina, e Marcelo Christianini, vice-presidente de IA e engenharia de cloud para a América Latina, os executivos defenderam que o mercado caminha para interfaces mais conversacionais e automatizadas, nas quais usuários deixam de operar sistemas para delegar tarefas diretamente a agentes inteligentes. 

“Pode ser que eu apenas converse com o sistema, e o agente execute as ações de maneira automatizada”, afirmou Vieira.

Os executivos também discutiram a diferença entre o chamado “vibe coding” – desenvolvimento guiado por velocidade, improviso e experimentação – e o “agentic engineering”, abordagem focada em estruturar aplicações preparadas para operar com agentes de IA no longo prazo.

Segundo a Oracle, as duas abordagens podem coexistir, mas exigem bases sólidas para evitar aplicações frágeis e difíceis de sustentar conforme ganham escala. Entre os pilares apontados pela companhia para projetos de IA mais robustos estão infraestrutura, governança, design de sistemas e controle operacional. “A IA pode escrever o código, mas são essas camadas que determinam se ele vai sobreviver”, disse Christianini.

Segurança e computação quântica

A segurança apareceu como outro eixo central das discussões. Executivos da Oracle alertaram para os impactos futuros da computação quântica sobre os sistemas atuais de criptografia. Segundo Shasank Chavan, a combinação entre computação quântica e agentes de IA pode representar um risco significativo para infraestruturas tradicionais de segurança digital. Como resposta, a Oracle afirmou já incorporar criptografia resistente à computação quântica em seus bancos de dados.

A companhia também destacou modelos de operação em nuvem que permitem diferentes níveis de controle por parte dos clientes, desde ambientes gerenciados conjuntamente até bancos de dados totalmente autônomos. 

Conhecimento compartilhado

Além dos keynotes, o Oracle Data Deep Dive contou com workshops práticos voltados para testes de funcionalidades do Oracle AI Database e discussões sobre aplicações corporativas de IA. 

O evento também marcou a apresentação do Oracle Innovators Club, iniciativa criada para conectar desenvolvedores, especialistas, comunidades tecnológicas e empresas em um ecossistema voltado para aprendizado prático, acesso à tecnologia e geração de oportunidades.

Segundo a Oracle, a proposta é criar um ambiente contínuo de troca de conhecimento sobre IA, cloud e infraestrutura de dados, reunindo desde estudantes e profissionais em início de carreira até líderes técnicos, freelancers, empreendedores e especialistas mais experientes do mercado.

A iniciativa surge em um momento em que a rápida evolução da inteligência artificial vem pressionando profissionais de tecnologia a atualizarem competências técnicas e ampliarem conexões no ecossistema. Nesse contexto, o Oracle Innovators Club busca funcionar como um ponto de encontro entre diferentes perfis da comunidade tech, incentivando colaboração, networking e desenvolvimento de projetos ligados à nova geração de aplicações baseadas em IA.

O post Oracle aposta em IA integrada aos dados para acelerar adoção nas empresas apareceu primeiro em Startups.