
A empresa de infraestrutura para mercado financeiro Laqus acaba de anunciar a aquisição da fintech goLiza, de gestão de cadastro de fundos no mercado de capitais. Essa é a segunda operação de M&A realizada pela companhia este ano. Em fevereiro, a Laqus também havia comprado a Estar Finance, ambiente de negociação de tokens representativos de valores mobiliários.
O negócio, atualmente em fase de closing, prevê a compra integral da goLiza por meio de uma combinação de pagamento em dinheiro e troca de ações. Os termos financeiros do acordo não foram revelados.
A goLiza foi fundada em 2018 pela Fisher Venture Builder e Sergio Penna. A empresa é especializada na digitalização e automação de processos cadastrais para o mercado financeiro, com foco no segmento de fundos de investimento. A plataforma centraliza dados cadastrais, automatiza o preenchimento de documentos e integra fluxos de assinaturas digitais e atualizações cadastrais com bases da CVM — trazendo mais eficiência e rastreabilidade para gestoras, administradoras e demais participantes do mercado.
Com a aquisição, a Laqus passa a atuar desde as etapas iniciais da jornada operacional do cliente, antes mesmo do depósito do valor mobiliário. Na prática, a empresa expande sua presença ao longo de todo o ciclo das operações, tornando o onboarding de novos participantes e emissões mais ágil, seguro e rastreável dentro de seu ecossistema — e reduzindo significativamente a carga processual em operações subsequentes.
“O mercado de capitais ainda opera com camadas muito fragmentadas entre cadastro, formalização e emissão. Nossa estratégia é reduzir essa fricção e aproximar essas etapas dentro de uma infraestrutura mais integrada, segura e eficiente”, aponta Rodrigo Amato, CEO da Laqus.
Segundo o executivo, a aquisição também fortalece a capacidade da Laqus em gestão e consolidação de dados, acelerando iniciativas já em desenvolvimento pela companhia em sua esteira de emissões e nos processos integrados de riscos e compliance.
Fundada em 2010, a Laqus nasceu como uma empresa de software voltada para a gestão de operações financeiras nas áreas de tesouraria de bancos. Em 2018, entrou com pedido de licença junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para ser depositária central, o que permitiria à empresa custodiar, registrar e liquidar ativos financeiros diretamente.
Atualmente, a Laqus tem cerca de R$ 50 bilhões em ativos sob custódia, um número ainda bem abaixo da B3, que movimenta mais de R$ 1 trilhão. A empresa tem entre seus investidores nomes como a KPTL, que aportou R$ 10,8 milhões na fintech em 2021, quando ela ainda se chamava Mark 2 Market.
A Laqus atua em todas as etapas das operações de crédito e ativos estruturados, desde a emissão até a liquidação. A companhia oferece infraestrutura para operações como crédito privado, crowdfunding, tokenização e outros instrumentos do mercado de capitais, reunindo todas as etapas do processo em um único ecossistema.
O ritmo acelerado de aquisições faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia com o objetivo de se tornar a “Euroclear da América Latina”, em um momento em que o mercado brasileiro de crédito privado e crowdfunding está em expansão. A Euroclear é uma das maiores depositárias centrais do mundo, responsável pela liquidação de títulos em mercados europeus.
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