
Em sua estratégia de crescer em novas direções além do core de pagamentos, a fintech catarinense Asaas está voltando o olhar para novos empreendedores e suas inovações. Para isso, criou até uma nova divisão de negócios, chamada Drones, voltada a criar, testar e validar novas ideias dentro da companhia.
A nova iniciativa é fruto de um redesenho criado pela empresa para sustentar seu crescimento futuro e está diretamente ligada à estratégia de M&A da fintech. Aliás, à frente desses esforços, o Asaas nomeou Pedro Rocha, executivo com quatro anos de casa, como VP de Novos Negócios, posição que hoje reporta diretamente a Piero Contezini, presidente do conselho e um dos fundadores da empresa.
“Hoje nossa expansão é baseada em quatro pilares: Build, que é a evolução do nosso produto core; Buy, que são nossos M&As; Partners, que é a distribuição de soluções de terceiros em nossa loja; e o quarto caminho é o Create, que é onde ajudamos a desenvolver ideias do zero, e é daí que o Drones surgiu”, explica Pedro, em conversa exclusiva com o Startups.
Com mais de R$ 500 milhões em faturamento no ano passado e o caixa reforçado por uma rodada de R$ 820 milhões liderada pelo fundo gringo BOND em 2024, o Asaas chegou a acelerar sua agenda de aquisições no último ano, comprando startups como a NextInvoice, de automação de pagamentos, e a Mutuus, de seguros digitais.
Contudo, Pedro afirma que os movimentos de M&A ainda têm suas limitações. “Nem sempre a empresa certa está disponível no momento certo, pelo preço que faz sentido. Tem vezes em que a solução que buscamos nem existe. Daí a pergunta que fizemos foi: por que a gente não faz esse produto internamente?”, resume o VP.
Conforme explica o executivo, a iniciativa tem inspiração em outros projetos de intraempreendedorismo e venture building já testados e aprovados em grandes nomes do mercado, como Google e, pegando um exemplo aqui no Brasil, o iFood, que ficou famoso por sua metodologia do “jet ski”.
“Essas inspirações foram importantes para pensar como poderíamos fazer inovação da melhor forma, mas de um jeito nosso”, afirma Rocha.
Como o drone voa
Para a edição piloto do Drones, a fintech voltou seu olhar para profissionais já com experiência em empreendedorismo. A empresa procurou candidatos com histórico comprovado em SaaS ou fintechs, que receberam hipóteses de negócio baseadas em teses mapeadas internamente.
“Para esta primeira edição, pensamos em hipóteses de produtos para o core da Asaas e para a base de pequenas e médias empresas que atendemos”, explica Pedro. Crédito, ferramentas de CRM e soluções de marketing para ajudar o cliente a vender mais: segundo o executivo, o leque é amplo, mas sempre orientado ao ecossistema da companhia. “O endgame é, sim, conectar no produto principal”, afirma.
Para escolher o melhor projeto, a companhia montou uma espécie de “Shark Tank interno”, em que os candidatos apresentaram suas teses para a alta liderança com base nas diretrizes recebidas. O primeiro projeto já foi escolhido e, apesar de não revelar o nome do intraempreendedor nem qual tecnologia será desenvolvida, Pedro afirma que ele já entrará em execução em junho.
Para tocar o projeto, o intraempreendedor vira funcionário CLT da fintech, com direito a um squad dedicado, aporte financeiro para as despesas da iniciativa e validação com clientes reais da base. A fase inicial tem duração de seis meses e, caso evolua para as etapas de implementação e crescimento, pode se estender por até três anos antes da integração plena ao ecossistema da Asaas.
“Esse funcionário vai dormir e acordar pensando nesse problema, nessa solução, e terá acesso direto à alta liderança da Asaas para resolver problemas”, avalia Rocha. “A gente acredita que assim vai conseguir ganhar muita velocidade e muito foco”, afirma Pedro, diferenciando o Drones de iniciativas mais tradicionais de inovação aberta realizadas em outras empresas.
Segundo o VP, a opção pelo intraempreendedorismo, em vez de buscar inovação fora da empresa, tem a ver com proximidade e execução. Para o executivo, ao desenvolver novas ideias dentro da companhia, fica mais fácil gerir o processo e garantir aderência às expectativas do negócio.
“Às vezes é aquela situação: o drone tá voando, mas eu vou ter que fazer ajustes, mudar um pouco a rota. Com essa estratégia, temos mais facilidade para ajustar direção ou velocidade, se necessário”, afirma, reforçando que cada drone é construído com a premissa de que, ao final da jornada, será incorporado ao ecossistema do Asaas.
No médio e longo prazo, Rocha enxerga uma visão mais ambiciosa tomando forma, com ideias construídas dentro de casa, M&As e outros “tentáculos” de crescimento representando uma parcela relevante da receita do grupo.
“Vão ter drones conversando entre si. Vão ter drones conversando com as adquiridas. Então eu já consigo visualizar: entra um drone em 2027, depois um possível M&A em 2028, e a gente vai criando essa solução cada vez mais completa”, finaliza.
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