
Com uma ideia inusitada – a de se tornar uma espécie de AWS quando o assunto é inferência de modelo de IA – a Baseten criou quase que um nicho para si, e tem aproveitado isso para crescer em um ritmo vertiginoso. Tanto que, em apenas 90 dias após captar uma série E de US$ 300 milhões em que foi avaliada em US$ 5 bilhões, a companhia já está em negociações para fechar a série F, podendo chegar a US$ 11 bilhões em valor de mercado.
A informação foi divulgada primeiro pelo site The Information, que apurou que a nova rodada já está nos seus finalmentes, e caso seja concluída logo, se tornará um dos saltos de valuation mais rápidos da história recente do venture capital.
Segundo analistas, se a captação de US$ 1 bilhão fechar, a Baseten se torna o primeiro incumbente nomeado de uma categoria que, até agora, não tinha um líder claro acima dos US$ 10 bilhões.
Autodenominada uma “provedora de inferência”, a Baseten apostas suas fichas em serviços de infraestrutura para rodar e treinar modelos (LLMs ou SLMs) já em produção, especialmente o de grandes corporações que utilizam open source para criar modelos próprios.
A previsão interna da companhia é que inferência vai representar dois terços de toda a demanda de computação em IA até o final de 2026, e de e que essa camada está, hoje, massivamente subcapitalizada.
Empresas conhecidas que estão investindo em soluções AI-Native – como Notion, Cursor, Writer e HeyGen – já estão entre os usuários da plataforma. Segundo a própria Baseten, são operações com altos requisitos de latência e volume, com aplicações em produção e usuários reais, onde falha de infraestrutura tem consequência direta na experiência do produto.
O que torna o movimento da Baseten estrategicamente relevante vai além do número. Até recentemente, o mercado assumia que os hyperscalers (AWS, Google Cloud, Azure, Oracle) naturalmente absorveriam a camada de inferência como extensão de seus serviços de computação em nuvem.
A trajetória de valuation da Baseten contraria essa narrativa: investidores estão precificando infraestrutura especializada de inferência como negócio de plataforma, não como commodity.
Um indicativo desse momento está no próprio captable da Baseten. Na série E no começo do ano, a startup ganhou como investidora a Nvidia, e segundo fontes, ela podem entrar com um follow-on no novo deal, mostrando que está de olho não apenas no hardware, mas também na camada de software que otimiza como esses modelos rodam depois de treinados.
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