
Uma pesquisa global conduzida pela Pearson em parceria com a Amazon Web Services (AWS) identificou um desalinhamento crescente entre o ensino superior e as demandas do mercado de trabalho relacionadas à inteligência artificial. O estudo revela que 53% dos empregadores consideram difícil encontrar graduados com habilidades adequadas em IA.
O relatório Preparação para IA: Construindo a Ponte entre o Ensino Superior e o Trabalho ouviu mais de 2.700 estudantes, empregadores e líderes acadêmicos em seis países — incluindo o Brasil — e aponta que a dificuldade deixou de estar apenas no acesso à tecnologia, passando a envolver principalmente a capacidade prática de aplicação da IA no ambiente profissional.
Entre os principais dados do levantamento está a diferença de percepção entre universidades e empresas. Enquanto 78% dos líderes do ensino superior acreditam estar formando profissionais alinhados às expectativas do mercado, apenas 14% dos graduados afirmam possuir alto nível de proficiência na aplicação prática de ferramentas de IA em fluxos de trabalho corporativos.
Segundo o estudo, o avanço acelerado da inteligência artificial vem modificando funções de entrada no mercado de trabalho e reduzindo rapidamente a durabilidade de habilidades técnicas tradicionais. Ainda assim, a pesquisa indica que a preparação prática dos profissionais não acompanha a velocidade dessas mudanças.
“É evidente que o conhecimento básico de IA já não é suficiente. As escolas que hoje lideram a preparação para a IA moldarão o futuro da força de trabalho. Construir uma força de trabalho preparada para a IA depende de sistemas estruturados e compartilhados que amplifiquem as habilidades humanas e conectem o currículo ao trabalho real. A Pearson e a AWS estão trabalhando juntas para preencher a lacuna entre o ensino superior e os empregadores e ajudar a preparar a força de trabalho do futuro”, disse Tom ap Simon, presidente de Ensino Superior e Aprendizagem Virtual da Pearson.
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No Brasil, o estudo aponta um cenário de forte avanço na adoção de IA dentro das universidades. Segundo os dados, 28% dos líderes acadêmicos brasileiros classificam os investimentos em IA como significativos — percentual quase três vezes superior ao registrado nos Estados Unidos e Reino Unido, ambos com 10%. Por outro lado, 16% afirmam que o investimento ainda é mínimo ou inexistente.
A pesquisa também mostra diferenças entre as prioridades das universidades e das empresas brasileiras. Instituições de ensino tendem a priorizar o uso de IA associado a pensamento crítico e avaliação humana, enquanto empregadores enfatizam aplicações práticas, gestão de riscos, responsabilidade, comunicação e colaboração.
Outro ponto de atenção identificado no Brasil está relacionado à governança do uso da IA. Segundo o levantamento, 42% dos estudantes afirmam não receber orientação institucional sobre utilização da tecnologia, enquanto 30% admitem ocultar dos professores o uso de ferramentas de IA em atividades acadêmicas.
Para Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, o desafio passa pela construção de práticas responsáveis no ambiente educacional. “A inteligência artificial já está redefinindo o que significa estar preparado para o mundo do trabalho — e isso tem implicações diretas para empresas, economias e para a trajetória das pessoas. O impacto positivo da IA depende de um uso responsável e orientado, especialmente no contexto educacional, onde essa base começa a ser construída. Quando há clareza sobre como utilizar a tecnologia, conseguimos transformar a IA em uma alavanca de desenvolvimento, conectando aprendizagem a capacidade real de atuação no mercado. O desafio, portanto, não é apenas adotar a IA, mas garantir que ela seja utilizada com pensamento crítico, ética e intencionalidade.”
A AWS também destacou o avanço do uso de IA generativa no país e a necessidade de maior alinhamento entre formação e mercado. “O Brasil lidera a adoção de IA generativa na América Latina, mas os dados revelam que ainda há um descompasso entre exposição à tecnologia e capacidade de aplicação prática. Na AWS, trabalhamos há 15 anos para remover barreiras no Brasil — já capacitamos mais de 1,1 milhão de pessoas em habilidades em nuvem e IA e, por meio do AWS Skills to Jobs Tech Alliance, conectamos universidades e empregadores para garantir que a formação esteja alinhada às demandas reais do mercado. Isso porque acreditamos que o futuro se constrói com tecnologia acessível e pessoas preparadas”, destaca Paulo Cunha, Diretor do Setor Público da AWS no Brasil.
O relatório também apresenta um modelo chamado “Quadro de Atritos para a Preparação para a IA”, que identifica obstáculos ao desenvolvimento de profissionais preparados para atuar com inteligência artificial. Entre os principais fatores estão a velocidade das mudanças tecnológicas, a baixa integração entre universidades e empresas, dificuldades de capacitação docente, ausência de diretrizes claras sobre IA e lacunas entre acesso às ferramentas e o mundo real.

