
Em 2025, o mercado brasileiro de fintechs registrou o menor número de rodadas de investimento dos últimos cinco anos e, ao mesmo tempo, manteve um volume total elevado. Foram 106 operações que movimentaram US$ 2,77 bilhões, contra 244 rodadas em 2021. Os dados são do relatório Panorama Regional das Fintechs, produzido pela Sling Hub em parceria com o Torq, hub de inovação e Corporate Venture Capital da Evertec.
A análise contempla rodadas de equity, recursos de dívida de dívida e FIDCs realizadas no último ano, sem separação entre as modalidades nos dados consolidados. A queda no número de rodadas, portanto, reflete o conjunto dessas operações, não apenas o movimento do venture capital tradicional.
Para João Ventura, fundador e CEO da Sling Hub, o movimento sinaliza uma mudança de perfil do ecossistema. “O mercado está mais seletivo, concentrado e priorizando operações capazes de gerar escala sustentável. Entender como essas transformações acontecem em cada região do país passou a ser fundamental para identificar oportunidades estratégicas”, afirma, em comunicado.
O relatório chama atenção para a composição do funding, que registrou maior protagonismo dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e de estruturas de dívida. Das cinco maiores rodadas registradas no Sudeste – região que ainda concentra mais de 88% do volume investido em fintechs no país – quatro foram via FIDC. A única operação de equity entre elas foi a rodada Series G da Creditas, de US$ 108 milhões, com participação do AndBank.
As duas maiores transações do período foram da CloudWalk, estruturadas como FIDCs de US$ 788 milhões e US$ 549 milhões. A Creditas também recorreu ao instrumento em uma terceira operação, de US$ 143 milhões. A Pravaler fechou a lista das maiores captações do Sudeste com um FIDC de US$ 106 milhões.
Segundo o levantamento, o avanço dos FIDCs sinaliza uma mudança estrutural no mix de financiamento das fintechs brasileiras, com founders e investidores ampliando o uso de instrumentos de dívida para acessar capital em escala e reduzir a dependência exclusiva do venture capital tradicional.
Para Thiago Iglesias, head do Torq e gerente de inovação da Evertec, o movimento representa um marco de maturidade. “O setor começa a adotar estruturas financeiras mais sofisticadas e sustentáveis, reduzindo a dependência exclusiva do equity tradicional e ampliando as possibilidades de funding para fintechs em estágios mais avançados”, diz.
Concentração e descentralização
O Sudeste manteve a liderança absoluta, com 88,2% do volume investido em fintechs no país – cerca de US$ 2,44 bilhões – e 85,9% das rodadas, totalizando 91 operações. A região abriga 1.498 das 2.083 fintechs ativas mapeadas no Brasil, segundo o levantamento.
O Nordeste chama atenção por um caminho diferente. Mesmo com apenas quatro rodadas de fintechs registradas em 2025, a região captou aproximadamente US$ 265 milhões e alcançou a maior mediana de investimentos do país, de US$ 50,5 milhões por operação. O volume inclui tanto operações de equity quanto estruturas de dívida.
Entre os destaques está a iCred, de Sergipe, que realizou duas captações via FIDC: uma de US$ 215 milhões e outra de US$ 50,5 milhões. As demais rodadas nordestinas não foram detalhadas no relatório por ausência de dados verificáveis suficientes.
As fintechs do Sul registraram dez rodadas e US$ 55,7 milhões captados, com destaque para Makasi, do Paraná, e Asaas, de Santa Catarina, que levantaram US$ 21,1 milhões e US$ 18,5 milhões, respectivamente, ambas em operações via FIDC. O Centro-Oeste contabilizou uma única operação, de US$ 5,46 milhões. A região Norte não registrou investimentos no período.
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