
A monday.com abriu seu novo escritório em São Paulo e anunciou a reformulação mais profunda da sua história. A plataforma, conhecida pela gestão de projetos e fluxos de trabalho, passou a se posicionar como uma plataforma de inteligência artificial para o trabalho, onde agentes autônomos operam lado a lado com equipes humanas. O movimento acompanha resultados financeiros que sustentam a aposta. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou crescimento global de 24%, com receita recorrente anualizada caminhando para US$ 1,5 bilhão após ter cruzado a marca de US$ 1 bilhão em 2024.
O diretor-geral da monday.com para a América Latina, Maurício Prado, diz que a abertura do espaço físico coroa uma jornada iniciada há pouco mais de um ano, quando a empresa decidiu ampliar o investimento direto na região. “Este escritório é a consolidação de uma jornada de crescimento. Mais do que o espaço em si, ele cria a fundação para uma expansão relevante que temos projetada para a região”, afirma.
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A empresa opera no Brasil há cinco anos e chegou a 10 mil clientes, cada um representando um CNPJ, sem nunca ter tido uma liderança de marketing local. A expansão inicial foi impulsionada por estratégias de performance marketing digital, com usuários individuais descobrindo a ferramenta, adotando-a com cartão corporativo e disseminando o uso internamente. Esse modelo de crescimento orientado pelo produto gerou, segundo Prado, uma base de admiradores fiéis que raramente abandona a plataforma.
Do total de clientes no Brasil, 40% são classificados como grandes empresas. O PicPay é um dos casos públicos, e bancos, varejistas e grupos de mídia completam o perfil de adoção nas principais verticais da economia. A América Latina concentra 25 mil clientes, cerca de 10% da base global de 250 mil, proporção coerente com a participação do Brasil no PIB regional.
Para sustentar essa escala, a equipe local cresceu cinco vezes em um ano. A estratégia de contratação priorizou profissionais consolidados no mercado de tecnologia. “A contratação de profissionais nesse nível de senioridade reflete o tamanho da missão que temos para o país”, diz Prado.
Três camadas de IA, uma plataforma
O diretor de engenharia de soluções para a América Latina, Gabriel Dornella, apresenta a arquitetura de inteligência artificial da plataforma em três camadas. A primeira é um assistente pessoal disponível a todos os usuários, capaz de responder perguntas sobre projetos, criar tarefas e atualizar status por texto ou voz, inclusive pelo celular. A segunda é o vibe coding, recurso que permite a qualquer pessoa descrever em linguagem natural uma solução que deseja construir dentro da monday.com, sem precisar de conhecimento técnico.
A terceira camada, e a que concentra as maiores expectativas, são os agentes de IA. Diferentemente do assistente, que responde a comandos imediatos, os agentes operam de forma assíncrona, executando etapas de um processo sem intervenção humana a cada passo. Um agente de marketing, por exemplo, pode receber uma solicitação de campanha, verificar se o briefing está completo, checar se o orçamento está aprovado e decidir se avança, rejeita ou solicita informações adicionais, tudo dentro dos mesmos controles de permissão e governança já configurados na plataforma.
“As empresas estão limitadas à sua própria capacidade de execução. Pessoas podem ser o gargalo”, diz Dornella. “Quando uma analista passa a orquestrar agentes que cuidam das etapas operacionais, ela produz em uma escala que antes não seria possível.”
A plataforma não usa modelos proprietários de linguagem como produto principal. A integração é feita com os três principais provedores do mercado, Google, OpenAI e Anthropic, com criptografia de ponta a ponta e sem retenção de dados do cliente para treinamento de modelos externos. O sistema seleciona o modelo mais adequado a cada tarefa: o Claude, da Anthropic, para construção de soluções estruturadas; o Gemini, do Google, para tarefas que envolvem múltiplas modalidades.
Governança como diferencial
Para executivos de tecnologia, a monday.com aposta em um argumento que vai além das funcionalidades. A plataforma combina fluxos determinísticos, nos quais regras fixas definem cada etapa do processo, com fluxos probabilísticos, onde a IA avalia contexto e toma decisões com algum grau de autonomia. A lógica, segundo Dornella, resolve uma resistência recorrente nas implantações corporativas de inteligência artificial.
“Aprovação orçamentária não admite criatividade. Ou há verba aprovada, ou não há. Mas a avaliação de um currículo exige julgamento”, explica o diretor de engenharia de soluções. “Combinamos o que a TI sempre fez bem, o determinístico, com o que a IA trouxe de novo. Isso dá uma combinação bem mais controlável para as empresas.”
O argumento encontra respaldo em pesquisa da Deloitte. O relatório State of AI in the Enterprise 2026 indica que, apesar de as empresas terem ampliado em 50% o acesso a ferramentas de inteligência artificial, apenas 25% conseguiram colocar 40% ou mais de seus experimentos em operação real, e somente 34% utilizam a tecnologia para transformar seus negócios de forma estrutural. A monday.com posiciona a integração nativa de agentes aos fluxos de trabalho existentes como resposta direta a esse gargalo de escala.
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